Monitor – 03 a 05 de dezembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
03 a 05/12/22 | nº 793 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Reportagem de O Globo afirma que, para enfrentar os efeitos da pandemia e a alta dos custos, companhias aéreas buscam racionalizar a malha com mais paradas, e passageiros são obrigados a peregrinar entre aeroportos.

Texto ressalta que o cenário de voos mais demorados não aliviou o bolso do comprador. O preço da passagem aérea acumula alta de 35,74% no ano até outubro, segundo o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, quando o bilhete aéreo sobe em média 10%, o volume de receitas do turismo nacional cai em média.1,5%. “Se o preço não tivesse subido tanto ou só acompanhado a inflação, o setor teria uma desaceleração menor”.

No Correio Braziliense, reportagem conta que, seguindo tendência dos últimos meses, IGP-M recuou 0,56% em novembro, a quarta queda consecutiva. A sinalização de queda nos preços de reajustes de contratos de locação pode representar um alívio ao bolso do consumidor no curto prazo. O jornal lembra que o endividamento no país, segundo uma pesquisa divulgada em outubro pela CNC, abrange 80% das famílias e que a maioria das dívidas está atrelada a serviços em geral, como contas de luz, de telefone e de internet, carnês de loja e prestações de carro e casa, e não às instituições financeiras. Nesse contexto, de acordo com especialistas, a tendência é a de que as pessoas acumulem esforços para regularizar o crédito.

Correio Braziliense (04/12) afirmou que o consenso do mercado é de que o Banco Central manterá a taxa Selic em 13,75% anuais, na reunião de dezembro, mas não cumprirá a meta da inflação. Para 2023, as incertezas crescem e a alta dos juros está no radar por conta da PEC da Transição.

Para o ex-diretor do Banco Central e consultor externo da CNC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, há muito exagero dos agentes financeiros para tirar proveito da transição nas críticas ao aumento dos riscos fiscais. Segundo ele, os juros básicos já estão em um patamar tão alto que já estão comprometendo o crescimento do PIB no ano que vem.

“Não acho que o BC precisará aumentar a Selic para agradar o mercado. Não precisa, pois a economia pode até não crescer ano que vem. Seria uma covardia com o setor da economia real e com os endividados”, afirma. Para ele, os juros reais não precisam subir, mas “reduzir no próximo ano” com o regime fiscal definido pelo governo eleito.

Gomes destaca que, agora, como o BC é independente, ele não precisa esperar as definições do novo governo e também tem que se preocupar menos com as opiniões do mercado. “O Banco Central tem que aceitar a responsabilidade do governo e tem que ter mais preocupação com o Brasil e não com o mercado”, frisa.

Consumo
Manchete no Valor Econômico comunica que empresas do setor de consumo retomaram a capacidade de investimento após 2021, passada a crise da pandemia, atingindo em 2022 um dos mais altos níveis dos últimos anos.

Há ressalva de líderes do segmento, que projetam maior prudência na liberação de recursos nos primeiros meses de 2023 até a definição da política econômica e compromisso com a estabilidade fiscal do governo eleito.

Conforme Valor, baseado nos balanços das dez maiores varejistas e indústrias dos segmentos de bens duráveis, moda, alimentos e bebidas, foram investidos R$ 19,66 bilhões no ativo imobilizado e no intangível de janeiro a setembro.

Juros
Valor Econômico
 reporta intenção do Comitê de Política Monetária do Banco Central para a reunião desta semana, de manter a Selic inalterada em 13,75%, segundo a grande maioria das instituições financeiras e consultorias ouvidas.

A incerteza em torno das contas públicas já leva parte dos agentes financeiros a colocar em dúvida que um ciclo de afrouxamento monetário terá início no próximo ano. Há uma parcela que já adota viés de alta para a Selic em 2023.

Produtividade
O Globo 
(03/12) informou sobre a pesquisa do Boston College que indica que uma semana de 4 dias de trabalho eleva a produtividade e receita de empresas. De acordo com o estudo, as companhias consideraram o impacto positivo da medida, com média de 7,5 em uma escala de 10 pontos. “O absenteísmo dos funcionários caiu de 0,6 dia por mês para 0,4, com leve queda nos pedidos de demissão e ligeira alta nas contratações”, detalha.

‘Nem-nem’
O Globo 
(03/12) destacou que o IBGE divulgou que 31% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham. A reportagem ressalta o impacto da pandemia no cenário. Entre os jovens de 25 a 29 anos, a parcela dos que não estudam nem trabalham é de 29,4%.

Pobreza
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo 
(03/12) relatam que a pobreza e a extrema pobreza atingiram níveis recordes no Brasil em 2021. No ano passado, 62,5 milhões de pessoas eram consideradas pobres no país. O número correspondia a 29,4% da população total (212,6 milhões). Das 62,5 milhões, 17,9 milhões viviam em situação de extrema pobreza. Esse número representava 8,4% da população total.

Tanto os contingentes quanto os percentuais são os mais elevados de uma série histórica iniciada em 2012, diz o IBGE. O grupo abaixo da linha de pobreza (62,5 milhões) disparou 22,7% em 2021, um acréscimo de 11,6 milhões de pessoas ante 2020 (51 milhões). É como se a população inteira do Paraná (11,6 milhões) tivesse migrado para essa condição.

Pessoa jurídica
Valor Econômico 
revela escalada de movimento no Supremo Tribunal Federal de empregadores para validar a contratação como pessoa jurídica de trabalhadores que, normalmente, exercem atividades intelectuais e são considerados hipersuficientes. Ministros da Corte aceitaram a tese de que essa prática é uma forma de terceirização lícita. Decisões mais recentes envolvem advogados, médicos, corretores de imóveis e prestadores de serviços da tecnologia.

Mercosul
Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 03/12) 
afirmou que delegados da União Europeia querem aproveitar a posse de Lula para acelerar o acordo com o Mercosul. A pressa dos europeus também ficou registrada na última reunião com o Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), ocorrida no fim de novembro. Segundo relatos, querem aproveitar a janela de pouco mais de um ano para que os termos do acordo sejam selados. Um dos motivos é a tentativa de diversificação de fornecedores de matéria-prima e de combustíveis vindos da Rússia.

A delegação da Europa afirmou que, no entanto, há uma janela muito apertada para o avanço de um possível acordo com o bloco. Embora a chegada de Lula ao poder colabore positivamente, a eleição do Parlamento europeu — prevista para 2024 — pode, por outro lado, colocar o acordo na gaveta mais uma vez.

A disposição europeia pró-Mercosul neste momento ganhou urgência em decorrência da Guerra da Ucrânia. A ideia é mudar a cadeia de fornecedores. O Mercosul desponta como alternativa mais viável.

Cruzeiros
Valor Econômico 
relata que o fechamento de mercados importantes, como a China, por conta da covid-19, assim como a escalada da inflação no mundo tornam mais difícil a retomada do setor de cruzeiros. Mas Arnold Donald, vice-presidente do conselho da gigante global Carnival, diz que diversas companhias estão sinalizando aumento nas reservas para viagens futuras, depois do segmento perder cerca de 80% do seu volume de passageiros, resultado de mais de dois anos de pandemia.

PEC da Transição
Manchete em O Globo relata que a PEC da Transição já tem votos suficientes para aprovação no Senado se for ajustada no valor e no prazo. Há no mínimo 58 senadores favoráveis à proposta, sendo que 24 apoiam o texto original – que prevê R$ 198 bilhões fora do teto de gastos por um prazo de quatro anos – e 34 querem uma versão enxugada.

A reportagem cita crítica do mercado financeiro à PEC, pontuando que o descontrole fiscal pode levar a um maior endividamento do governo, com impactos na inflação, no dólar e na taxa de juros, respingando em investimentos e no próprio crescimento da economia.

Arrecadação
Valor Econômico
 traz avaliação do  senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), de que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará aumentar a arrecadação do governo federal a partir de 2023. Em entrevista, Bezerra prevê, para a PEC da Transição, uma abertura fora do teto de gastos por dois anos, de um montante em torno de R$ 125 bilhões, e diz que a nova âncora fiscal só virá para 2024.

Ministério
O Estado de S. Paulo 
repercutiu em manchete no sábado as declarações do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou, entre outras coisas, que a palavra final sobre a política econômica de seu governo será dele. Lula não confirmou quem será seu ministro da Fazenda, mas adiantou que o escolhido terá a “cara do sucesso do primeiro mandato”.

Ainda no sábado, o jornal publicou entrevista com o economista Antônio Corrêa de Lacerda, que integra a área de Planejamento, Orçamento e Gestão no grupo de transição. Entre outros pontos, Lacerda afirma que a política econômica do próximo governo não será do “ministro da Fazenda, mas do governo”, atuando de forma integrada com os três ministérios recriados: Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior.

Transição
O Estado de S. Paulo 
(04/12) expôs a disputa por agências e secretarias dentro do grupo de transição de governo. O jornal afirmou ter apurado que uma das principais brigas é pela Agência Nacional de Águas (ANA). A reportagem citou ainda pedidos para a criação de uma nova Secretaria de Biodiversidade. “Tanto o grupo do Meio Ambiente quanto o da Indústria e Comércio Exterior sugeriram a criação de estruturas com objetivo parecido. A decisão final será da área política”.

O dólar comercial fechou sexta-feira em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,21. Euro subiu 0,45%, chegando a R$ 5,49. A Bovespa operou com 111.923, alta de 0,9%. Risco Brasil em 242 pontos. Dow Jones subiu 0,10% e Nasdaq teve queda de 0,18%.

Valor Econômico
Investimentos de empresas de consumo crescem 47%

O Estado de S. Paulo
Sucesso de câmera em PMs vira desafio para promessa de Tarcísio

Folha de S.Paulo
Governo chega ao fim com apagão na máquina pública

O Globo
Maioria do Senado aprova PEC, mas quer limitar gastos

Correio Braziliense
Sem medo do tigre asiático

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