Monitor – 02 de dezembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
02/12/22 | nº 792 | ANO IV |  www.cnc.org.br
O Estado de S. Paulo relata que a demanda das famílias por bens e serviços, que puxou a retomada da economia após as restrições ao contato social impostas pela covid-19, deu sinal de perda de fôlego no terceiro trimestre. Segundo o IBGE, entre julho e setembro, o consumo das famílias cresceu 1% ante o segundo trimestre, sustentado pelos estímulos injetados pelo governo Bolsonaro na reta final da campanha eleitoral, pela melhora no mercado de trabalho, pelas medidas de desoneração fiscal e pela inflação mais branda.

Segundo o jornal, daqui por diante, porém, a normalização dos serviços presenciais – como bares, restaurantes e hotelaria, entre outros – e os efeitos restritivos dos juros mais elevados deverão moderar o crescimento.

O comércio ficou no vermelho no PIB do terceiro trimestre. Teve retração de 0,1%. Segundo o IBGE, as famílias deixaram de adquirir bens para consumir serviços. No mundo todo, esse movimento fez parte da “normalização”, já que, no auge do isolamento, as pessoas ficaram impedidas de gastar com serviços e acabaram consumindo mais bens. A piora dos indicadores de confiança em outubro e novembro, aliada a uma frustração nas vendas da campanha de liquidações da Black Friday, corrobora os sinais de nova freada adiante.

O crédito caro e o alto endividamento das famílias devem frear o consumo também em 2023. Isso acontecerá mesmo que o governo eleito consiga garantir orçamento para a manutenção do pagamento de R$ 600 no Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família), projeta Fabio Bentes, economista da CNC.

“Sabemos que o primeiro semestre será difícil. Todo aquele efeito de desoneração de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações terminou. Já vemos aceleração nos preços. Tudo isso pode criar dificuldades orçamentárias para as famílias daqui para frente. Mesmo com a manutenção dos R$ 600 pelo Bolsa Família, os preços e os juros tendem a fazer com que o ano que vem seja mais apertado”, estima Bentes.

PIB
Manchetes na Folha de S.Paulo e O Globo destacam dados do IBGE, divulgados ontem, indicando que o PIB brasileiro avançou 0,4% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

Esse é o quinto resultado positivo em sequência. O Globo inclui que o setor de serviços puxou novamente o resultado, crescendo 1,1% no período. A indústria teve avanço de 0,8%, enquanto a agropecuária teve nova queda, de 0,9%.

Valor Econômico revela que, após a revisão do PIB do ano passado, o Brasil ganhou uma posição entre as maiores economias do planeta em 2021, superando a Austrália e indo para o 12º lugar.

Consumo
Em entrevista ao Valor Econômico, o economista-chefe do Banco Fator e professor aposentado da FEA/USP, José Francisco de Lima Gonçalves afirma que o resultado da economia no terceiro trimestre mostra clara desaceleração do crescimento espalhada entre os diferentes componentes do PIB e uma alta do consumo das famílias que não se sustenta.

Auxílio Brasil, queda da inflação e aumento do crédito consignado, segundo ele, estão por trás desse consumo das famílias, que tende a zerar. “O consumo cresce apesar de o juro estar em alta. Sinceramente não dá para esperar que isso se mantenha”, diz.

Sua expectativa é que o PIB vá para o campo negativo no quarto trimestre e só retome ao azul no terceiro trimestre de 2023, diante das incertezas com a economia e do duelo, no ano que vem, para equilibrar um novo arcabouço fiscal e uma reforma tributária.

Varejo
Coluna do Broadcast (O Estado de S. Paulo)
 relata que as varejistas iniciaram o mês em queda na B3, reflexo de um movimento de troca de posições por investidores. O fraco desempenho da Black Friday, os juros altos e a expectativa de uma agenda fiscal de risco em 2023 tornam esses ativos menos atrativos, diz Bruno Tebaldi, da Nova Futura. Magazine Luiza caiu 9,09%. Soma e Americanas perderam, respectivamente, 6,42% e 6,91%. E Via cedeu 4,59%.

PIX
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Valor Econômico
 informam que o Banco Central anunciou que as instituições financeiras não são mais obrigadas a impor um limite de valor por transação via Pix, mantendo apenas a restrição por um determinado período de tempo. A novidade passa a valer a partir de 2 de janeiro. As regras para aumentar ou diminuir os limites a pedido dos clientes não mudam. As solicitações de redução devem ser acatadas de forma imediata pelas instituições financeiras, enquanto as de ampliação de limites podem levar de 24 a 48 horas após a solicitação, se for acatada.

A autoridade monetária também anunciou o aumento dos limites para a retirada de dinheiro por meio das transações Pix Saque e Pix Troco. O limite de saque com Pix saltará de R$ 500 para R$ 3.000 durante o dia e subirá de R$ 100 para R$ 1.000 no período noturno.

Auxílio Brasil
Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico 
registram que o gabinete de transição informou ontem que vai acionar legalmente o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) após ter detectado indícios de abuso de poder econômico durante as eleições por meio do Auxílio Brasil. Segundo a equipe de Lula, Bolsonaro incluiu 2,5 milhões de pessoas pouco antes da eleição no programa —benefícios que deverão passar por revisão e, se irregulares, serem retirados pelo futuro governo.

A intenção é acionar Bolsonaro em diversas instâncias e órgãos de fiscalização, como Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Controladoria-Geral da União. A senadora Simone Tebet (MDB-MS), uma das coordenadoras do grupo técnico de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, chegou a falar que a questão deve causar a inelegibilidade dos gestores envolvidos.

PEC da Transição
O Estado de S. Paulo 
assinala que números do PIB no terceiro trimestre apontam um espaço de R$ 148 bilhões para elevar as despesas na PEC da Transição. O valor deve balizar negociações da proposta.

Na opinião do time técnico de assessoramento do governo de transição no Congresso, um gasto adicional de R$ 148 bilhões com a PEC representaria, portanto, um valor “neutro” do ponto de vista fiscal.

Ministérios
Correio Braziliense 
aborda redesenho da Esplanada dos Ministérios, que deverá ressuscitar pastas e ganhar novas durante o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme a reportagem, algumas mudanças estão praticamente definidas, como a cisão da Economia em três: Fazenda; Planejamento e Orçamento; e Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,09%, cotado a R$ 5,19. Euro subiu 0,96%, chegando a R$ 5,46. A Bovespa operou com 110.925 pontos, queda de 1,39%. Risco Brasil em 235 pontos. Dow Jones caiu 0,56% e Nasdaq teve alta de 0,13%.

Valor Econômico
Aposentados vencem disputa que pode alcançar R$ 480 bi

O Estado de S. Paulo
PEC vira moeda para barganhas entre Congresso e novo governo

Folha de S.Paulo
PIB cresce 0,4% no 3º trimestre, mas perde ritmo

O Globo
PIB desacelera e acende alerta para estagnação

Correio Braziliense
STF aprova revisão que pode aumentar as aposentadorias

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