Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC apresentou iniciativa que reúne propostas do setor para fortalecer a competitividade e a sustentabilidade dos destinos turísticos brasileiros
O papel das políticas públicas na construção de um turismo mais competitivo, sustentável e capaz de gerar desenvolvimento para os territórios esteve entre os destaques do Encontro Fluminense FBHA – Integração do Turismo Regional, realizado nesta terça-feira (4), no Hotel Sesc Alpina, em Teresópolis (RJ). Representando o Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a especialista em turismo Vanessa Paganelli conduziu a palestra Vai Turismo: Políticas Públicas para um Turismo Sustentável e Competitivo, apresentando a iniciativa da CNC voltada à construção de propostas para o fortalecimento do setor.
Promovido pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), o encontro reuniu empresários, gestores, profissionais e lideranças ligadas a hotelaria, gastronomia e turismo para discutir temas estratégicos como inteligência artificial, reforma tributária, segurança dos alimentos, qualificação profissional e desenvolvimento regional.
Durante a apresentação, Paganelli destacou que o turismo está diretamente relacionado às decisões públicas, muitas vezes de forma imperceptível para quem viaja. Ela explicou que fatores como acessibilidade, conectividade, mobilidade, segurança, informação e preservação dos destinos influenciam toda a experiência turística.
Ela também ressaltou que as políticas públicas repercutem em toda a cadeia produtiva do turismo, beneficiando turistas, empresas, trabalhadores e moradores. Entre os efeitos apontados, estão a melhoria da infraestrutura e dos serviços, a ampliação das oportunidades de emprego e renda, a valorização da identidade local e a melhoria da qualidade de vida das comunidades anfitriãs.
“Cada território possui vocações e desafios próprios. Por isso, o Vai Turismo parte da escuta das lideranças locais para construir propostas que reflitam a realidade de cada região. Esse diálogo é fundamental para consolidar o turismo como uma política de Estado e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento regional”, enfatizou Paganelli.
No País, o turismo representa 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Somente na última temporada, o setor movimentou mais de R$ 218 bilhões, recebeu 9,3 milhões de turistas em 2025 e gerou aproximadamente 99,9 mil vagas de emprego, no período de junho de 2025 a junho de 2026, com recorde histórico de 2,44 milhões de vínculos formais, segundo o governo federal.
Vai Turismo nasceu da construção coletiva
Ao apresentar o histórico da iniciativa, Paganelli enfatizou que o programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro foi criado em 2020 e 2021, em um dos períodos mais desafiadores para o setor turístico, com a proposta de construir, de forma colaborativa e participativa, caminhos para a retomada e o crescimento sustentável da atividade no Brasil.
A iniciativa, conduzida pela CNC por meio do Cetur, produz diagnósticos, escutas regionais, debates e propostas voltadas à formulação de políticas públicas de longo prazo. O objetivo é contribuir para a transformação do turismo em política de Estado, aumentando a competitividade dos destinos e fortalecendo sua capacidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento.
No primeiro ciclo do programa Vai Turismo, entre 2022 e 2026, foram mobilizados cerca de 1.800 profissionais, 320 instituições e representantes das 27 unidades da Federação, resultando na elaboração de 28 documentos de propostas para governos estaduais e federal, com 359 propostas de políticas públicas recomendadas.
Para o ciclo 2027-2030, a mobilização foi ampliada. O processo incorporou os aprendizados da primeira etapa, utilizou um banco nacional de boas práticas e promoveu 55 oficinas, reunindo 1.373 representantes dos setores público e privado e aproximadamente 830 instituições em todo o País.
Durante a exposição, também foi destacado o papel da CNC na representação empresarial – incluindo Sindicatos, Federações, Sesc e Senac –, na produção de conhecimento e na defesa de políticas de desenvolvimento sustentável do turismo brasileiro.
Paganelli detalhou o papel do Cetur, que transforma demandas do setor em propostas, da escuta qualificada à construção da agenda pública.

Potencial do turismo fluminense em foco
A palestra também salientou as oportunidades do Estado do Rio de Janeiro, ressaltando a diversidade da oferta turística fluminense, que engloba natureza, aventura, patrimônio, cultura, gastronomia, turismo rural e eventos. A mensagem enfatizada foi que a força do turismo do Estado vai além da capital e representa uma importante ferramenta para interiorizar oportunidades e gerar renda nas diferentes regiões.
Vanessa Paganelli apresentou ainda os resultados de processos colaborativos realizados no Rio de Janeiro pelo Vai Turismo, que buscaram transformar a escuta de representantes do setor em prioridades para o desenvolvimento turístico estadual.
Integração para fortalecer o turismo regional
O Encontro Fluminense FBHA teve como proposta aproximar empresários, fornecedores, instituições e gestores públicos, promovendo a troca de experiências e a disseminação de soluções aplicáveis aos negócios.
Além da participação da CNC, a programação contou com palestras do medalhista olímpico Flávio Canto, da chef e consultora Rô Gouvêa e de especialistas em temas como reforma tributária e segurança dos alimentos.
Criado em 2023, o projeto já passou por cidades como Nova Friburgo, Petrópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes, Macaé, Paraty e Armação dos Búzios, consolidando-se como um espaço de integração dos setores de hospedagem, alimentação e turismo em diferentes regiões fluminenses.