O turismo que move o Brasil: Com recordes de receitas e visitantes, setor cresce e revela a força de uma estrutura construída ao longo de décadas

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O turismo brasileiro vive um momento histórico. Após anos de recuperação e reestruturação do setor, o País volta a registrar indicadores expressivos de movimentação econômica e fluxo de visitantes, consolidando a atividade como uma das mais dinâmicas e principais engrenagens da economia nacional

Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam uma movimentação financeira com volume de receitas recorde, na última alta temporada (dezembro a fevereiro), com movimentação de cerca de R$ 218 bilhões, o maior faturamento já registrado para o período.

“O bom momento da economia turística não é fruto apenas da conjuntura favorável. Ele se apoia em uma estrutura que reúne articulação política, inteligência econômica, qualificação profissional e promoção do turismo social. Nesse ecossistema, a CNC exerce papel central”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac Sesc CNC, José Roberto Tadros.

O resultado confirma a força de uma cadeia produtiva que envolve hotéis, restaurantes, agências de viagens, eventos, transporte, cultura e entretenimento. O crescimento também se reflete no cenário internacional.

Dados do Ministério do Turismo mostram que o Brasil recebeu 9,2 milhões de turistas estrangeiros no último ano, número recorde que reforça o potencial do País como destino global. Por trás desses resultados, existe uma engrenagem institucional construída ao longo de décadas visando ao fortalecimento do setor.

O Sistema CNC-Sesc-Senac desempenha papel central nesse processo ao articular o empresariado, promover qualificação profissional e ampliar o acesso ao turismo social em todo o território nacional.

Turismo acessível

Uma das bases desse modelo é o trabalho desenvolvido pelo Sesc, que democratiza o acesso ao turismo e promove experiências culturais, educativas e de lazer para milhões de brasileiros. O Sesc mantém uma das maiores redes de turismo social do País e incentiva a circulação de visitantes entre diferentes regiões. São 42 hotéis em operação que receberam cerca de 770 mil hóspedes em 2025, oferecendo infraestrutura de qualidade e experiências acessíveis para trabalhadores do comércio e suas famílias. Entre as iniciativas de destaque está o Sesc Pantanal, que tem entre suas unidades a maior reserva privada de patrimônio natural do Brasil, localizada em Mato Grosso.

O projeto integra conservação ambiental, turismo sustentável, educação e pesquisa científica, promovendo experiências de contato com a natureza e contribuindo para a preservação de um dos biomas mais importantes do planeta. Mais do que ampliar o acesso às viagens, o turismo social contribui para fortalecer destinos turísticos, dinamizar economias regionais e estimular o intercâmbio cultural entre diferentes regiões do País.

Formação que sustenta o crescimento

Se o turismo social amplia o acesso às viagens, a qualificação profissional é o que sustenta o crescimento do setor. Nesse campo, o Senac desempenha papel fundamental ao preparar profissionais para atuar nas diferentes áreas da cadeia turística.

O turismo depende diretamente da qualidade dos serviços oferecidos. Hotelaria, gastronomia, eventos, recepção, agenciamento e hospitalidade são áreas que exigem formação técnica e atualização constante.

Somente no eixo de turismo, o Senac registra 131 mil matrículas em cursos ligados ao setor, formando profissionais para atuar em hotéis, restaurantes, empresas de eventos, transportadoras turísticas e agências de viagens.

Desse total, 59 mil matrículas são gratuitas, ampliando o acesso à qualificação profissional de trabalhadores e populações em situação de vulnerabilidade social. A instituição oferece 744 títulos de cursos voltados ao turismo e mantém atuação em mais de 2 mil municípios brasileiros, contribuindo para a interiorização da formação profissional e o fortalecimento do setor em diferentes regiões do País.

Articulação estratégica do setor

A atuação do Sistema CNC-Sesc-Senac também se expressa na articulação institucional que fortalece o ambiente de negócios do turismo brasileiro.

“Ao promover diálogo qualificado, coordenação institucional e produção de conhecimento, a CNC reforça a representatividade do setor e contribui para que o turismo brasileiro amplie investimentos, dinamize economias regionais e consolide seu papel estratégico”, afirma o diretor da CNC e responsável pelo Cetur, Alexandre Sampaio.

Nesse contexto, está o Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/CNC), criado em 1955 e hoje consolidado como uma das principais instâncias de diálogo e formulação estratégica do setor, reunindo Federações do Comércio, entidades empresariais e lideranças do trade turístico para discutir os temas estruturais que impactam o desenvolvimento do setor no País. Entre os assuntos debatidos, estão conectividade aérea, infraestrutura turística, ambiente tributário, qualificação profissional, segurança jurídica e modernização regulatória, fatores determinantes para elevar a competitividade do turismo brasileiro.

Além de promover debates, o Cetur formula estudos, propostas e recomendações técnicas que ajudam a orientar políticas públicas e aprimorar o ambiente de negócios da atividade turística.

Nas iniciativas conduzidas pelo Conselho, está o Projeto Vai Turismo – Rumo ao Futuro que sistematiza recomendações estratégicas para o desenvolvimento do setor no longo prazo, integrando agendas públicas e privadas em torno de uma estratégia nacional voltada à competitividade, à sustentabilidade e à melhoria da governança dos destinos turísticos.

A atuação institucional da CNC no turismo também se expressa na participação ativa em instâncias estratégicas de formulação de políticas públicas. Coordenado pela Assessoria de Gestão das Representações (AGR), o trabalho garante presença do Sistema Comércio em conselhos, câmaras técnicas e grupos de trabalho ligados ao setor, como o Conselho Nacional de Turismo (CNT), comissões temáticas sobre competitividade, qualificação, regionalização e turismo sustentável, além de fóruns que discutem inovação, infraestrutura e desenvolvimento de destinos. Essa atuação assegura que as demandas do empresariado do comércio de bens, serviços e turismo estejam representadas nos principais espaços de decisão do País.

O que diz o trade

“O Sistema CNC-Sesc-Senac tem um papel fundamental no fortalecimento do turismo brasileiro ao integrar qualificação profissional, desenvolvimento de destinos e incentivo à atividade turística. O turismo gera emprego, renda e transformação regional, e iniciativas como essa ajudam a transformar esse potencial em oportunidades concretas para pessoas, comunidades e destinos em todo o País”, afirma Marina Figueiredo, presidente da Braztoa.

Luiz Del Vigna, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), avalia que a qualificação profissional pelo Senac tem sido decisiva para a evolução do turismo de natureza no Brasil.

“A formação de guias e condutores de turismo de aventura contribui diretamente para a profissionalização do setor e a valorização dos destinos naturais brasileiros”, pontua.

Já Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional, ressalta que o Sistema CNC-Sesc- -Senac tem impacto direto no fortalecimento do turismo e de toda a cadeia econômica que move o setor.

“Enquanto o Senac prepara profissionais para áreas como hospitalidade, gastronomia e eventos, o Sesc amplia o acesso ao lazer e estimula o hábito de viajar, movimentando destinos em todo o Brasil.”

Estrutura consolidada sob risco

Apesar do cenário positivo do turismo brasileiro, o setor acompanha com atenção debates legislativos que podem impactar uma estrutura institucional construída ao longo de mais de oito décadas. Entre eles, está o Projeto de Lei nº 5.942/2025, que propõe a criação do chamado Senatur.

A iniciativa tem gerado preocupação em representantes do turismo ao prever mudanças que podem comprometer a atuação integrada do Sistema CNC-Sesc-Senac. Estimativas apontam que mais de 820 mil credenciados ligados ao turismo poderiam deixar de ter acesso aos programas de bem-estar social do Sesc caso a proposta avance.

O impacto também atingiria o acesso à credencial da instituição. Mais de 6,4 milhões de potenciais clientes perderiam o direito à Credencial Sesc, instrumento que garante acesso a atividades culturais, esportivas e de lazer em todo o País. Além disso, a rede de turismo social também seria diretamente afetada.

Mais de 760 mil hóspedes que hoje utilizam as instalações do Sesc deixariam de ser atendidos, reduzindo o alcance de um programa que contribui para dinamizar destinos turísticos em diversas regiões do Brasil. Para o setor, a criação de uma estrutura paralela ao Sistema Comércio pode fragmentar políticas públicas, duplicar iniciativas e enfraquecer programas que já demonstraram eficiência na promoção do turismo nacional.

Com isso, a Diretoria de Relações Institucionais (DRI) da CNC tem intensificado o diálogo com autoridades públicas no Congresso Nacional e no Executivo Federal para apresentar impactos da proposta e defender a preservação das iniciativas que fortalecem o turismo brasileiro.

Em um momento que o turismo brasileiro alcança recordes de movimentação econômica e amplia sua presença internacional, preservar e fortalecer as instituições que sustentam esse crescimento torna-se fundamental.

A atuação coordenada do Sistema CNC-SescSenac demonstra que é possível integrar representação empresarial, produção de conhecimento, qualificação profissional e inclusão social em uma estratégia consistente de desenvolvimento. Ao fortalecer empresas, preparar profissionais e ampliar acesso ao turismo, o Sistema contribui para dinamizar economias regionais, gerar empregos e posicionar o Brasil como destino competitivo no cenário global.

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