CNC: Dia dos Pais 2026 deve movimentar R$ 8,52 bilhões no varejo brasileiro

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Com desemprego em queda, setor prevê alta de 2,9% nas vendas em comparação a 2025, projetando o melhor faturamento da data em 12 anos

O volume de vendas para o Dia dos Pais deve alcançar R$ 8,52 bilhões no comércio varejista brasileiro em 2026, consolidando-se como a quarta data comemorativa mais importante do calendário do setor. Segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o montante representa um avanço de 2,9% em relação à mesma data de 2025, já descontada a inflação.

O crescimento é ancorado pela atual taxa de desocupação, que se encontra em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026 — o menor patamar para o período desde 2012. Além disso, a massa real de rendimentos apresentou variação positiva de 5,0% frente ao mesmo período do ano passado.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário referenda a importância do varejo como termômetro da economia nacional. “O comércio varejista mostra, mais uma vez, sua força em datas comemorativas fundamentais. O volume de vendas esperado reflete o impacto positivo da melhora na empregabilidade e proporcional consequência na renda média dos brasileiros, apesar do aperto monetário causado pela ainda alta taxa Selic”, afirma Tadros.

Apesar do ambiente macroeconômico favorável ao consumo, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, pondera que o crédito segue como um desafio. “A queda do desemprego e o avanço da massa de rendimentos criaram um ambiente propício para o crescimento das vendas na data, como vemos em outras celebrações do calendário recente. Por outro lado, observamos que o alto nível de endividamento das famílias e a fragilidade das condições de financiamento atuam como fatores limitantes, impedindo uma aceleração ainda mais robusta do consumo”, analisa o economista.

O percentual de famílias com dívidas a vencer (como cartão de crédito, cheque especial e financiamentos) segue em patamar recorde, com 81,64% das famílias brasileiras endividadas pelo quinto mês consecutivo. Já a proporção de lares com parcelas dessas contas em atraso manteve-se em 29,9%, próxima ao recorde de 30,5% do fim do ano passado, situação que preocupa.

Segmentos em alta e variação de preços
O faturamento será impulsionado principalmente por três setores, que devem responder por quase 83% das vendas totais. As lojas de vestuário lideram as projeções, com R$ 3,34 bilhões. Na sequência, aparecem os ramos de perfumaria e cosméticos (R$ 1,72 bilhão) e utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,31 bilhão).

O consumidor também deve ficar atento aos preços. Ao contrário de 2025, a cesta de presentes do Dia dos Pais apresenta aceleração (+5,8%) acima da projeção do índice geral IPCA-15 (+5,0%). As altas mais expressivas devem ocorrer em computadores (+11,9%) e perfumes (+9,8%). Em contrapartida, aparelhos de som (-3,7%), televisores (-0,8%) e bebidas alcoólicas (-0,4%) estão mais baratos que no ano anterior.

Mercado de Trabalho
A sazonalidade da data também reflete diretamente na geração de empregos. A pesquisa da CNC estima a criação de 12,07 mil vagas temporárias no varejo, um leve recuo de 1,9% ante o recorde registrado no ano passado. As contratações se concentram em hiper e supermercados (6,11 mil), lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (1,90 mil) e no ramo de vestuário (1,84 mil). A taxa de efetivação projetada para os temporários é de 14,8%.

Acesse a pesquisa na íntegra e assista ao vídeo do economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, aqui.

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