Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou avanço de 0,8% na primeira pesquisa de 2026
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), iniciou o ano de 2026 com avanço de 0,8% em janeiro, após o ajuste sazonal. O resultado consolida a trajetória de alta iniciada em novembro do ano passado e reflete crescimento de 0,7% na comparação anual frente a janeiro de 2025. O desempenho é sustentado, primordialmente, pela maior facilidade do acesso ao crédito e pelo aumento do apetite das famílias por bens duráveis. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (22).
O indicador Acesso ao Crédito registrou o maior salto na comparação anual, com alta de 8,5%. Atualmente, 35,8% dos consumidores consideram que obter crédito está mais fácil, o maior percentual registrado desde maio de 2015. Paralelamente, o item Momento para Compra de Duráveis apresentou o crescimento mensal mais expressivo da pesquisa, com alta de 3,8% (e +4,7% no ano). Esse cenário é corroborado pela queda da inadimplência observada no encerramento de 2025, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
“O maior controle da inflação e a ampliação do acesso ao crédito têm preservado o poder de compra das famílias de até 10 salários mínimos”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “É uma alternativa que incentiva o consumo, mas deve ser utilizada com responsabilidade para não gerar mais dívidas e ciclos de inadimplência, como o que vimos no meio do ano passado.”
Dualidade no mercado de trabalho
Apesar do otimismo no consumo imediato, a pesquisa revela sinais divergentes no mercado de trabalho. O Emprego Atual registrou sua terceira alta mensal consecutiva (+0,1%). No entanto, a Perspectiva Profissional foi a única exceção negativa do índice em janeiro, com queda mensal de 0,7% e recuo anual de 4,5%.
Essa desaceleração das expectativas de médio prazo, somada aos juros ainda elevados, gera postura de cautela. Ainda assim, a perspectiva para o consumo futuro das famílias de menor renda segue positiva, com avanço anual de 1,7%.
Destaque por renda
O crescimento do consumo em janeiro foi impulsionado pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos, cuja intenção de compra superou em 1,7% o nível de janeiro do ano anterior. Para este grupo, o indicador Acesso ao Crédito avançou 11,0% no período.