Destaque da edição:
Destaque da edição:
ICF ficou estável em julho – A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou estável na comparação com junho de 2016 e registrou queda de 21% em relação a julho de 2015. O índice permanece em um nível menor que 100 pontos, ou seja, continua abaixo da zona de indiferença, o que indica uma percepção de insatisfação com a situação atual. Todos os componentes registraram queda na comparação mensal e anual. O nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos mostrou queda de 0,4% na comparação mensal, e o daquelas com renda acima de dez salários mínimos, aumento de 1,5%. O índice das famílias mais ricas está em 76,7 pontos, e o das demais, em 67,2 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos. Na base de comparação mensal, os dados regionais revelaram que a maior retração ocorreu na região Sul (-2,7%), onde o índice permanece abaixo de 100 pontos, em conjunto com todas as outras regiões. A avaliação menos desfavorável ocorreu na região Sudeste, com aumento de 1,4%. A confiança do consumidor teve aumento em janeiro e fevereiro deste ano, embora de baixa intensidade. Em março, houve a primeira queda do ano, tendência que ainda permaneceu até o mês passado. Em julho, o índice não teve mudanças na avaliação mensal e apresentou estabilidade. A confiança do consumidor permanece baixa em termos históricos, e a recuperação da economia deve acontecer lentamente. As famílias ainda se encontram com¬prometidas com endividamentos, e é possível que tenhamos ainda alguns trimestres de queda do consumo das famílias antes de uma retomada.
Outras matérias:
IPCA desacelera e apresenta alta de 0,35% em julho – O IPCA, índice balizador do sistema de metas de inflação, perdeu força e registrou alta de 0,35% em julho, ante 0,78% no mês anterior. Esse resultado é a menor taxa desde agosto de 2015, quando alcançou +0,21%. No ano, o índice acumulou variação de 4,42% e, em 12 meses, incremento de 8,84%. Todos os grupos apresentaram variações inferiores em relação ao mês anterior. Apenas Comunicação obteve leve avanço de 0,04%. Dentre eles, Alimentação e Bebidas registrou desaceleração, com variação de 0,71%, contra 0,78% em maio, com contribuição de 0,18 p.p. sobre o índice. Essa classe de despesa representa quase 25% do indicador. Apesar do menor crescimento, esse grupo obteve o maior impacto sobre a inflação total. Destaques para feijão-carioca (+41,78%) – novo vilão da inflação – e leite longa-vida (10,16%). O grupo que beneficiou o índice geral foi Transportes, com deflação de 0,53%, após recuo de 0,58% no mês anterior. Alguns itens impactaram positivamente o grupo, como o etanol (-0,64%), influenciando também o preço de outros combustíveis – gasolina recuou 1,22% – e passagens aéreas (-4,56%). Outras desacelerações ocorreram em outros grupos. Vestuário (de 0,91% para 0,32%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,62% para 0,83%); Educação (de 0,16% para 0,11%); e Habitação (de 1,79% para 0,63%). Os demais grupos registraram as seguintes variações: Comunicação (+0,04%); Artigos de Residência (+0,26%); e Despesas Pessoais (+0,35%).
Expectativa para o PIB melhora pela segunda semana – No último relatório Focus divulga¬do pelo Banco Central (08/07), a mediana das expectativas para o IPCA reduziu ligeiramente para 7,26%, após chegar a 7,19% há quatro semanas e 7,27% na apuração anterior, esta é a segunda queda consecutiva nesta estimativa. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. A projeção para 2017 também mostrou desaceleração, reduzindo para 5,40%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,40% para julho e 0,32% em agosto. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,40% para julho e 0,30% para agosto, valores abaixo, entretanto próximos, do esperado pelo mercado. Após a quarta reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A próxima reunião será nos dias 19 e 20 de julho, e espera-se manutenção deste indica¬dor. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,25%, esperando novos cortes na taxa durante o segundo se¬mestre deste ano. Já para 2017, a pre¬visão é que a meta da Selic continue sendo reduzida e alcance 11,0%, menor do que a taxa esperada há quatro semanas (11,25%). A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,30%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,80%, de acordo com dados do IBGE. Apesar da previsão para este ano ser melhor do que o realizado no ano passado, ela demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017, já se espera um resultado positivo, com avanço de 1,0% na economia, estimativa estável há um mês.
Comércio Eletrônico – Resultados e Perspectivas – O varejo eletrônico, mesmo apresentando resultados mais positivos que o comércio tradicional, também vem experimentando desaceleração em seu ritmo de crescimento, faturando R$ 9,75 bilhões no primeiro trimestre de 2016, de acordo com o E-Bit/Buscapé. Isso significa aumento de 1% no valor das vendas em comparação com o mesmo período de 2015. Foram realizados 24,45 milhões de pedidos através da internet, apontando para um encolhimento de 6% no volume das compras. A notícia positiva foi por conta da elevação de 7% no tíquete médio, que passou de R$ 373,00 para R$ 399,00 e garantiu pequeno crescimento. Mesmo com resultados iniciais discretos, o mercado vem mantendo expectativas positivas para a atividade e trabalhando com uma hipótese de crescimento de 8% em relação ao ano de 2016. Corroborando essa visão, os três principais eventos de vendas do primeiro semestre – cujos valores gerais ainda não estão disponíveis – apresentaram resultados positivos, que chegaram a surpreender, tendo em vista a conjuntura econômica. O Dia do Consumidor – que se come¬mora em 15 de março – foi tornado pelas empresas brasileiras uma nova Black Friday e, à sua semelhança, são realiza¬das grandes promoções e ofertas por um período limitado. Neste ano, o número de pedidos cresceu 19%, atingindo 685 mil, durante as 24 horas do evento. As vendas nesse dia especial somaram R$ 271 milhões e, em média, cada consumidor realizou duas transações. Motivadas pela promoção, 52 mil pessoas realizaram sua primeira compra virtual.