Destaque da edição:
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Inflação menor ameniza a crise do varejo – Com a desaceleração dos preços de alimentos, as vendas em supermercados reagem e levam o varejo a registrar a segunda alta do ano (+0,5% em relação a março). Apesar do aumento em curto prazo, as perdas no acumulado do ano são recordes. A CNC mantém a perspectiva de queda de 4,8% para 2016 e amplia a expectativa de queda do varejo ampliado (-9,4%). O volume de vendas no comércio varejista brasileiro cresceu 0,5% na passagem de março para abril, já descontados os efeitos sazonais, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada em 14/06 pelo IBGE. Com quedas de -6,6% e -4,0% nos segmentos automotivo e de materiais de construção, o varejo ampliado amargou a nona queda mensal (-1,4%) em 12 meses. Nessa base comparativa, a segunda alta do faturamento real do varejo restrito em 2016 sugere que o processo de desaceleração da inflação já começa a contribuir favoravelmente para amenizar a crise de consumo em curto prazo, mais especifica¬mente naqueles segmentos mais dependentes das condições de renda. De acordo com o IPCA, o grupo alimentação e bebidas registrou naquele mês alta de 1,09%, a menor desde outubro de 2015 (+0,77%). Com os preços evoluindo mais favoravelmente, o ramo de hiper e supermercados, responsável por 1/3 do faturamento anual do varejo brasileiro, registrou alta de 1,0%, a maior também desde outubro do ano passado. O IPCA de maio, já divulgado, confirmou a tendência da perda de fôlego da inflação neste segmento (+0,78% ante abril).
Outras matérias:
Expectativa inflacionária continua a subir – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central em 17/06, a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 7,25%, após chegar a 7,04% há quatro semanas passadas, e é o quinto aumento consecutivo nesta estimativa. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. Contudo, a projeção para 2017 continuou estável, permanecendo em 5,50%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,35% para junho e 0,33% para julho. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,40% para junho e 0,35% para julho, valores acima, entretanto próximos, do esperado pelo mercado. Após a quarta reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A próxima reunião será nos dias 19 e 20 de julho e espera-se manutenção deste indicador. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,0%, esperando novos cortes na taxa durante o segundo semestre deste ano. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic continue sendo reduzida e alcance 11,25%, menor do que a taxa esperada há quatro semanas (11,38%). A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,44%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,80%, de acordo com dados do IBGE. Apesar da previsão para este ano ser ligeiramente melhor do que o realizado no ano passa¬do, ela demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017 já se espera um resultado positivo, com avanço de 1,0% na economia. Após três semanas seguidas com alta, este indicador permaneceu no mesmo patamar que na semana anterior, o dado de quatro semanas passadas previa um crescimento de 0,50%.
Importação direta pela internet e isenção de impostos – O faturamento do comércio eletrônico brasileiro, que encerrou 2015 com um aumento de 15,3% em relação ao ano anterior, apresenta projeção de crescimento de 8% em 2016, chegando a R$ 44,6 bilhões, o que é um excelente resultado, considerando o cenário de recessão da economia. A previsão é da consultoria E-bit/Buscapé. Conquanto existam cerca de 450 mil sites de comércio eletrônico ativos, estimativas e pesquisas não oficiais (nessa área, a maioria dos trabalhos de métrica são realizados por consultorias privadas) apontam que existe grande concentração do faturamento em número relativamente pequeno de empresas. Estima-se que as 500 maiores empresas respondam por cerca de 90% do faturamento do setor no Brasil. A participação do comércio eletrônico no total do varejo brasileiro ainda se encontra entre 2% e 3%, dependendo da metodologia e dos parâmetros de pesquisa. Nos EUA, essa participação é de 7,8% (dados oficiais do Departamento de Comércio). Tal crescimento é contínuo e inexorável e, de fato, vai afetar as pequenas empresas de qualquer ramo, tanto no Brasil como em qualquer outro país, principalmente nas cidades menores ou afastadas dos grandes centros, onde agora, em cada aparelho de telefone celular, são exibidas as vitrines do mundo. O fenômeno chinês é preocupante: a China fechou o ano de 2015 com vendas virtuais de US$ 618 bilhões, o que representa 40% da receita mundial da atividade e muito acima dos US$ 350 bilhões dos EUA. E a maior preocupação resulta de que as empresas chinesas vêm sendo extremamente agressivas no mercado internacional, inclusive no Brasil. Estima-se que em 2015 as empresas chinesas exportaram diretamente para o consumidor brasileiro – via internet – R$ 2,5 bilhões, mesmo com o sistema tributário que penaliza fortemente essas operações.
Crimes contra a vida selvagem: Alerta a ONU – Segundo informações do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em seu relatório foram contabilizadas mais de 164 mil apreensões relacionadas a crimes contra a vida selvagem e florestas em 120 países. Prática também fomenta conflitos e mina o Estado de Direito. O relatório, que faz parte do Programa Global do UNODC sobre a questão, pede a divisão da responsabilidade entre os países no combate a esses crimes e alerta que o problema não se limita a determinados países ou regiões, sendo um fenômeno verdadeiramente global. O tráfico de animais selvagens é cada vez mais reconhecido como especialidade do crime organizado e uma ameaça significativa para muitas espécies de plantas e animais. Uma das principais observações que os dados ilustram é, sobretudo, a extrema diversidade dessa atividade ilegal: cerca de 7 mil espécies são incluídas nas apreensões, sendo que nenhuma representa mais de 6% do total, e nenhum dos países relacionados é responsável por mais que 15% das apreensões. Para Yury Fedotov, diretor executivo do UNODC, “a situação desesperadora de espécies icônicas nas mãos de caça¬dores tem merecidamente capturado a atenção do mundo”. Segundo Fedotov, animais como o tigre, temido e reverenciado em toda a história humana, estão agora “pendurados por um fio”. Além disso, elefantes e rinocerontes africanos estão “sob constante pressão”.
Negócios promissores – A economia brasileira encolheu fortemente no ano passado e, ao que tudo indica, conforme algumas previsões em 2016, poderá revelar variação negativa até superior a (-) 3,8%, resultado que configuraria o aprofundamento da conjuntura anterior e revelaria as dificuldades de reversão da atual. Se o PIB variar abaixo de 2015, pode-se ter efeitos preocupantes no que diz respeito ao esgarçamento do tecido social, com o aumento do desemprego e o consequente incremento do volume de desempregados. Se não for possível alterar a tendência de encolhimento da economia, criando novas condições para a recuperação, em virtude da intensidade e extensão da queda das atividades produtivas, o acumulado do produto interno no período entre 2014-2017 poderá com¬prometer o volume de produção da atual década, cunhando, pouco depois de mais de vinte anos, novamente a expressão “década perdida”. Mesmo em tempos difíceis, é possível admitir o surgimento de oportunidades. Afinal, em épocas de crise, existem oportunidades de negócios e trabalho. Ganha quem souber aproveitá-las. Principalmente se as oportunidades ocorrerem no setor de serviços, em que as exigências de qualificação são menores do que para as indústrias. No contexto das peculiaridades brasileiras e diante da recessão, a economia se sustenta e se desenvolve com suporte em alguns setores, nos quais o empreendedorismo é a força motriz.