Sumário Econômico 1450

Compartilhe:

Destaque da edição:

Destaque da edição:

Comércio aos domingos – A liberdade para o exercício da atividade comercial, incluindo o trabalho aos domingos e feriados, é conquista a ser preservada, e ela decorre da evolução natural das sociedades: em¬presas, cidadãos, trabalhadores, enfim, é causa e consequência do avanço e da modernidade social. Há leis apropriadas que preservam as competências dos entes federativos municipais e asseguram a preservação integral dos direitos dos trabalhadores, além de assegurar-lhes ganhos adicionais expressivos. A crescente urbanização e os problemas dela decorrentes, como segurança, locomoção, estacionamento e trans¬porte, aceleraram a consolidação dos “shopping centers” no Brasil. Em três décadas, saímos de uma dezena para mais de cinco centenas de empreendimentos dessa natureza em operação em todo o País. O ambiente de com¬pra requintou-se, agregou serviços diversos e atraiu às compras coletivas, sobretudo em fins de semana, famílias e consumidores de todas as faixas etárias e de renda. Nada mais convincente do que a realidade, e os shopping centers apresentam números que impressionam pela magnitude: quase 100.000 lojas, um milhão de empregos diretos, mais de 400 mil visitas todos os meses, enfim, o que era novidade há trinta anos, hoje é indiscutível realidade, que responde por quase um quinto do comércio varejista e mais de R$ 24 bilhões de impostos arrecadados em 2015. Pesquisas profissionais apontam que mais de 73% dos brasileiros compram aos domingos, evento que se tornou hábito das famílias, em busca de com¬pras com segurança, associadas às praças de alimentação, estacionamento, lazer, diversão e arte. 

Outras matérias:

• As novas relações exteriores – O político José Serra assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores e logo mostrou que a política externa brasileira deverá ser protagonista na busca pela retomada do crescimento econômico. Ao assumir o cargo, Serra declarou que o Itamaraty não defenderá o que classificou de “interesses de um partido” e que novos recursos serão destinados à entidade, pois o ministério deverá ser o “núcleo central do novo governo”. Com essas declarações, já se tornou perceptível a mudança de papel que a área externa deve assumir no governo Temer, uma vez que no governo Dilma era coadjuvante, como consideram alguns analistas, além de o Ministério das Relações Exteriores (MRE) ter ficado praticamente sem recursos. Em conjunto com os ajustes fiscais e reformas estruturais, a nova atuação na área externa deverá promover a cooperação do Estado com o setor privado na abertura dos mercados externos, na busca do maior número possível de alianças ou parcerias regionais. O documento Uma Ponte Para o Futuro, do PMDB, que traçou as diretrizes para o governo interino do presidente Temer, prega a “inserção plena da economia brasileira no comércio internacional, com maior abertura comercial e negociação de acordos regionais de comércio em todas as áreas relevantes ‒ EUA, União Europeia e Ásia ‒ com ou sem a companhia do Mercosul, embora preferencialmente com ele”. Os principais aspectos abordados pela nova visão das relações exteriores indicam que o processo decisório do comércio exterior será despolitizado, uma estratégia de negociação comercial deverá ser definida, além da regulamentação de políticas domésticas afinadas com o que acontece no mundo. É necessário que as normas brasileiras sejam alinhadas aos novos padrões técnicos e normativos que estão se formando no comércio internacional, como, por exemplo, as normas estipuladas pela Parceria Transpacífico. 

• Mercado espera manutenção da Selic em 14,25% – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (10/06), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 7,19%, após chegar a 7,0% há quatro sema¬nas passadas, e é o quarto aumento consecutivo nesta estimativa. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entre¬tanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. Contudo, a projeção para 2017 continuou estável, permanecendo em 5,50%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,33% para junho e 0,28% para julho. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,35% para junho e 0,30% para julho, valores acima, entretanto próximos do esperado pelo mercado. Após a quarta reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A próxima reunião será nos dias 19 e 20 de julho, e se espera manutenção deste indicador. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,0%, esperando novos cortes na taxa durante o segundo semestre deste ano. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic continue sendo reduzida e alcance 11,25%, menor do que a taxa esperada há quatro semanas (11,50%). A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,60%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,80%, de acordo com dados do IBGE. Apesar da previsão para este ano ser ligeiramente melhor do que o realizado no ano passado, ela demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017 já se espera um resultado positivo, com avanço de 1,0% na economia. É a terceira semana seguida que esta estimativa tem uma melhora; o dado anterior previa um crescimento de 0,85%. 

• IPCA apresenta alta de 0,78% em maio – O IPCA, índice balizador do sistema de metas de inflação, registrou alta de 0,78% em maio, ante 0,61% no mês anterior. Esse resultado foi o mais elevado para o período desde 2008, quando alcançou +0,79%. No ano, o índice acumulou variação de 4,05% e, em 12 meses, incremento de 9,32%. Dentre os grupos, destaque para Habitação, com variação de 1,79%, influenciada principalmente pelos preços administra¬dos (Taxa de água e esgoto +10,4%; Energia elétrica residencial +2,3%). O grupo foi o responsável por mais de um terço do IPCA de maio, com contribuição de mais de 0,30 ponto percentual. Outro grupo que afetou o índice geral foi Saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,62%. O aumento sazonal se deu principalmente pelos reajustes de medicamentos e plano de saúde; este último, com contribuição de 0,14 pp sobre o total. Ao contrário dos meses anteriores, o grupo Transportes apresentou recuo de 0,58%, influenciado principalmente pela queda dos preços dos combustíveis (gasolina registrou variação negativa de 0,85%). O grupo obteve contribuição de -0,11 pp sobre o índice total. 

• XXVIII Fórum Nacional (II) – No III painel do segundo dia (18/05/2016) da 28ª versão do Fó¬rum Nacional O Mercado de Capitais – Chave do Desenvolvimento Brasileiro, as apresentações foram muito atuais, mas resgatando um tema antigo. Há muito se discute mercado de capitais como alavanca do desenvolvimento brasileiro; entretanto, as condições objetivas mostram que os avanços neste sentido têm sido pequenos. No Brasil, poucas pessoas (físicas e jurídicas) arriscam-se no mercado de capitais, conformando números e valores certamente inexpressivos frente a outros países, que se utilizam deste mercado para criar riquezas, crescimento e desenvolvimento econômicos. Para o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), existe a necessidade de repensar o mercado de capitais, principalmente inserindo o País nas diretrizes globais. Uma delas diz respeito à governança corporativa e às diretrizes estabelecidas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que são endossadas pelos países ricos. Mais de 56 países possuem código de governança, e o Brasil não. A CVM acredita que o código brasileiro seja feito pelo mercado, e não pelo órgão regulador. Assim, a governança refletirá a capacidade de as empresas se relacionarem com o mercado.

Leia mais

Rolar para cima