Historiador Arno Wehling abordou a teoria da complexidade, a desconstrução da visão teleológica e os caminhos imprevisíveis da trajetória nacional
O Conselho de Notáveis da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) se reuniu, no dia 6 de outubro, no Rio de Janeiro, para mais uma edição de seu encontro semanal, em que debateu o tema Profetizar o Passado.
Durante sua apresentação, o conselheiro e historiador Arno Wehling falou sobre os perigos do anacronismo e da visão teleológica na análise dos fatos e acontecimentos do passado.
A busca por um fim determinado
Criticando a chamada atitude teleológica, Wehling a definiu como uma narrativa que começa pelo fim, em que são os fatos posteriores que ditam o sentido dos que os precederam. Para ilustrar essa distorção analítica, Wehling utilizou o clássico exemplo da Magna Carta de 1215.
“A redação da Magna Carta obedecia aos interesses estritos da nobreza feudal, disposta a limitar qualquer tentativa de extrapolação do poder dos reis que pudesse degenerar numa tirania da qual ela própria, nobreza, como principal detentora do poder, seria vítima”, disse o professor.
A visão brasileira
Trazendo a discussão para a historiografia nacional, o palestrante desconstruiu a ideia de “destino manifesto”, frequentemente associada a eventos como a Independência do Brasil. Segundo o historiador, a preocupação em explicar esses processos buscando sempre chegar a um “gran finale” já conhecido acaba reduzindo a complexidade da História.
Ele lembrou que, no caso da emancipação brasileira, diversas outras opções políticas e institucionais estiveram sobre a mesa e foram cogitadas, tais como a consolidação de uma monarquia dual luso-brasileira, a fragmentação política do território ou a instituição de uma república unitária.
O fascínio da História
Ao final da palestra, Bernardo Cabral, coordenador do Conselho de Notáveis, dedicou o tempo restante para comentários dos participantes. A conselheira Aspásia Camargo trouxe à tona a “Teoria da Complexidade”.
“É o imprevisto que fascina a História. As crises são momentos em que as forças políticas que comandam o processo entram em colisão, e isso cria um cenário para as lideranças envolvidas no processo político”, concluiu Camargo.
Sobre o Conselho de Notáveis
O Conselho de Notáveis é o órgão de assessoramento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), responsável por estudos sobre temas econômicos, sociais e políticos relevantes para o comércio e o Brasil.
Composto por personalidades da vida cultural, política e intelectual brasileira, seu propósito é subsidiar a entidade para propor soluções a problemas e desafios do setor.
A Coordenação do Conselho de Notáveis está a cargo de Bernardo Cabral, advogado, professor, ex-ministro, ex-deputado e ex-senador, que foi também o relator da Constituição Federal de 1988 e presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).