Encontro foi transmitido pelo CNC Play e teve como convidadas empresárias e lideranças de diferentes setores para debater desafios, oportunidades e o protagonismo das mulheres na economia brasileira
O empreendedorismo feminino como força econômica, transformadora e capaz de impulsionar negócios, gerar empregos e inspirar novas lideranças esteve no centro dos debates do seminário Empreendedorismo Feminino em Foco: Caminhos, Conquistas e Inovação. Promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras do Comércio (CBMEC), na quinta-feira (6), o evento foi transmitido pelo canal CNC Play no YouTube.
Envolvendo empresárias, executivas e lideranças de diferentes segmentos, o encontro promoveu uma reflexão sobre temas como liderança feminina, inovação, associativismo, representatividade, sucessão empresarial, acesso a oportunidades e desenvolvimento sustentável dos negócios.
Na abertura do evento, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, ressaltou que fortalecer o empreendedorismo feminino é uma estratégia essencial para o desenvolvimento econômico e social do País.
“O empreendedorismo feminino, nesse contexto, não é apenas uma pauta social, é, efetivamente, uma força econômica essencial capaz de gerar inovação e transformar realidades”, afirmou.
A diretora-geral executiva da CNC, Simone Guimarães, enfatizou que a participação das mulheres no empreendedorismo brasileiro tem avançado de forma consistente e que a atuação da CBMEC e das câmaras de mulheres das Federações do Comércio fortalece esse movimento em todo o País.
“Este seminário representa exatamente esse propósito: reunir mulheres para compartilhar conhecimento, discutir desafios, identificar oportunidades e construir, de forma colaborativa, caminhos para um comércio mais competitivo, inovador e inclusivo”, destacou.
Já o 2º vice-presidente da CNC, coordenador-geral das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços e presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, frisou a importância da representatividade feminina e do papel das câmaras no fortalecimento do setor terciário.
“Falar de liderança feminina é falar do futuro do comércio brasileiro, um futuro que se constrói com representatividade, inovação e desenvolvimento sustentável”, completou.
A gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS) da CNC, Andréa Marins, explicou que o seminário nasceu do diálogo e da construção coletiva promovidos pelas câmaras setoriais.
“Discutir os caminhos percorridos pelas mulheres, suas conquistas, desafios e oportunidades é essencial para construirmos ambientes cada vez mais inclusivos, diversos e preparados para o futuro”, ressaltou.

Histórias que inspiram
O seminário contou com a participação de quatro empresárias com trajetórias marcadas por coragem, inovação e capacidade de adaptação: Anna Prata, fundadora da marca de joias Anna Prata; Laura Paiva, vice-presidente do Grupo Santa Branca e coordenadora da CBMEC; Patriciana Queirós, presidente do Conselho de Administração da Pague Menos; e Glenda Amaral, diretora da Eco Premium Colchões e da Magia do Sono.
Ao longo do debate, as participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais que ilustram diferentes caminhos para empreender e crescer.
Fundadora de uma marca presente em todos os Estados brasileiros e no mercado internacional, Anna Prata emocionou ao narrar a trajetória iniciada há dez anos em um apartamento de 70 metros quadrados.
“Começamos sem estrutura financeira, começamos com ousadia e coragem”, contou.
Hoje, além de lojas físicas e showroom em Miami, a marca mantém uma rede de revendedoras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Para Anna, a autenticidade é um dos maiores ativos de um empreendedor.
“A gente não tem que ter medo de críticas. Quanto mais natural e verdadeiro nós formos, mais vamos conectar as pessoas”, afirmou ao falar sobre o papel das redes sociais na construção da marca.
A empresária também falou do impacto social do negócio na vida de outras mulheres, incluindo a própria mãe, que superou um período de depressão ao voltar a trabalhar na empresa da família.
“Anna Prata não nasceu só para transformar a minha vida. Ela existe para transformar a vida de todas as pessoas que se uniram a esse projeto.”

Construindo legados
Representando uma das maiores redes farmacêuticas do País, Patriciana Queirós compartilhou a experiência de crescer dentro da empresa fundada por seu pai e de construir sua própria trajetória profissional.
“Eu não escolhi ser sucessora da Pague Menos. Eu nasci lá, mas com o tempo decidi que aquele era o meu lugar”, declarou.
Ao falar de liderança e diversidade, Patriciana reforçou a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e de incentivar mulheres a ocupar posições estratégicas.
“Às vezes, as mulheres precisam estar 100%, 120% preparadas para se jogar. Enquanto isso, muitos homens se candidatam mesmo sem preencher todos os requisitos. Precisamos mudar isso.”
Ela apresentou iniciativas desenvolvidas pela companhia para acelerar lideranças femininas, como o programa de mentoria Gigantes por Elas, e defendeu ações afirmativas para ampliar a representatividade nos cargos de comando.
“Se eu só vejo homens em determinados espaços, acho que apenas homens podem chegar lá. Quando vejo mulheres ocupando essas posições, percebo que também é possível”, ponderou.

A coragem de mudar de rota
Outra trajetória que chamou a atenção do público foi a de Glenda Amaral. Ao contar a história da família, ela resumiu a mudança de atividade empresarial em uma frase: “Nós viemos da coxinha para o colchão”.
A empresária explicou que a família deixou o segmento de alimentação para ingressar no mercado de colchões e bem-estar, decisão que deu origem a uma rede com mais de dez lojas e uma indústria própria.
“Muitas vezes, você precisa mudar a rota. Está tudo muito bom, mas é necessário seguir um novo caminho”, disse.
Única mulher entre os presidentes de sindicatos empresariais no Espírito Santo, Glenda enfatizou que as mulheres precisam ocupar espaços de liderança pela competência e pela preparação.
“Nós temos que estar nesses espaços pela nossa capacidade, porque buscamos aprender e nos esforçamos para estar ali.”
Ela também ressaltou a necessidade de as empreendedoras divulgarem seus negócios e aproveitarem as oportunidades criadas pela transformação digital.
“Quem é empreendedor precisa se mostrar, falar do seu produto, não ter vergonha. Ninguém conhece melhor o seu negócio do que você.”

Associativismo como ferramenta de crescimento
Um dos temas recorrentes do seminário foi a importância da participação feminina em entidades representativas. Defensora do associativismo, Laura Paiva reiterou que a atuação em sindicatos, federações e câmaras empresariais amplia a visão estratégica dos empresários e fortalece a representação institucional.
“Quando você participa dessas entidades, abre a sua visão. É ali que construímos redes de apoio, compartilhamos experiências e transformamos desafios individuais em pautas coletivas.”
Segundo ela, a criação da CBMEC tem contribuído para fortalecer a presença feminina nos ambientes de representação empresarial em todo o País, estimulando inclusive a formação de câmaras de mulheres nas Federações do Comércio.
Laura também alertou para desafios ainda enfrentados pelas empreendedoras, como acesso ao crédito e autoconfiança.
“Muitas vezes, falta acesso ao crédito, mas também falta acreditar mais em si mesma. As mulheres têm competência, conhecimento e capacidade para chegar onde quiserem.”

Liderar com propósito
Ao final do encontro, as participantes convergiram em uma mensagem comum: empreender exige coragem, persistência e disposição para aprender continuamente.
Ao responder que conselho daria para a jovem que iniciava sua trajetória, Patriciana falou da importância da rede de apoio e da ousadia. Glenda destacou a persistência. Laura recomendou buscar apoio institucional mais cedo e agir sem esperar condições ideais. Já Anna Prata ressaltou o valor da humildade e do aprendizado permanente.
As quatro trajetórias reforçaram a principal mensagem do seminário: embora os caminhos sejam diferentes, as conquistas surgem quando propósito, trabalho, inovação e colaboração caminham juntos.
Ao promover o debate e dar visibilidade a histórias inspiradoras de mulheres que transformam seus segmentos, a CNC reafirma o seu compromisso com o fortalecimento do empreendedorismo feminino e com a construção de um ambiente de negócios cada vez mais inovador, diverso e competitivo.
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Fotos: Paulo Negreiros
