CNC participa de seminário sobre os impactos da modernização da jornada de trabalho

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Economista-chefe da entidade destacou possíveis efeitos das mudanças trabalhistas na produtividade e no emprego durante seminário promovido pela FPE

Os possíveis impactos das mudanças propostas para o fim da jornada 6×1 no setor produtivo foram tema central do seminário Modernização da Jornada de Trabalho, promovido nesta terça-feira (10), em Brasília, pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE). O encontro reuniu representantes de frentes parlamentares, especialistas e lideranças do agro, indústria, comércio e serviços, além de parlamentares. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) foi representada no debate pelo economista-chefe Fabio Bentes.

A abertura foi conduzida pelos presidentes das frentes parlamentares produtivas, que defenderam a necessidade de um debate técnico, transparente e sensível às especificidades de cada segmento da economia.

O primeiro painel tratou dos impactos das mudanças no agro e na indústria. Na sequência, teve início o painel dedicado ao setor terciário, que contou com a participação da CNC.

Comércio e serviços

Fabio Bentes integrou o segundo painel, que discutiu os efeitos da modernização da jornada sobre o comércio e os serviços. O economista-chefe apresentou análises e dados do impacto econômico potencial da alteração da jornada 6×1 em setores que operam, majoritariamente, em escalas superiores a 40 horas semanais.

Segundo ele, possíveis mudanças precisam considerar a realidade de cada setor e chamou a atenção para os efeitos sobre custos operacionais, preços, competitividade e informalidade.

“No comércio varejista, 93% da força de trabalho atua em jornadas semanais superiores às propostas em tramitação. Alterar esse modelo sem uma transição adequada gera impactos diretos no funcionamento do setor e, consequentemente, na economia como um todo”, afirmou.

Bentes também destacou que a redução da jornada melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, mas possui custos econômicos que precisam ser dimensionados. “Todos reconhecemos que jornadas menores ampliam o bem-estar. O ponto central é que essa decisão tem um custo para a sociedade. É fundamental que ele seja conhecido e discutido de forma responsável para que não cause efeitos indesejados sobre emprego, renda e preços.”

Durante o seminário, o economista-chefe apresentou ainda simulações realizadas pela CNC que apontam o impacto na folha de pagamento e preços, especialmente em setores altamente intensivos em mão de obra, como comércio, serviços e turismo.

“O comércio precisa de horas de trabalho para funcionar. Reduzir a jornada sem ajustes adequados aumenta custos e pressiona preços — algo que afeta toda a população. Em alguns cenários, o impacto pode chegar a dois dígitos. Precisamos garantir que ganhos trabalhistas não sejam anulados por aumentos dos custos de vida.”

Ele também fez um alerta para possíveis efeitos na informalidade: “Se reduzimos a jornada e encarecemos o trabalho formal, acabamos estimulando a informalidade. É um risco real que precisa ser considerado, especialmente em um mercado que já apresenta sinais de escassez de mão de obra”.

Negociação coletiva

Fabio Bentes reforçou que o caminho para conciliar competitividade, segurança jurídica e qualidade de vida passa pela mediação entre trabalhadores e empregadores. “A negociação coletiva é o instrumento capaz de gerar convergência entre os interesses dos diferentes atores. Ela permite que as necessidades de trabalhadores e empresas sejam equilibradas sem comprometer a atividade produtiva.”

Ele também lembrou que avanços recentes foram fundamentais para permitir essa flexibilidade. “A reforma trabalhista de 2017 e 2018 modernizou nossa legislação e trouxe mecanismos importantes para adaptar acordos à realidade de cada setor. Precisamos seguir aperfeiçoando esses instrumentos, especialmente em um cenário de crescente automação e substituição do trabalho pela tecnologia”, ponderou o economista-chefe da Confederação.

Fotos: Mardônio Vieira

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