Sumário Econômico 1459

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Destaque da edição:

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Demissões no varejo perdem força, e CNC reduz expectativa de fechamento de vagas – Pela segunda vez no ano, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para baixo sua expectativa de vagas fechadas ao final de 2016. Com menor número de desligamentos e pers-pectiva de crise menos intensa à frente, a entidade projeta um fechamento líquido de 230 mil postos formais, contra 279 mil esperados dois meses atrás. Segundo estimativa da CNC, o saldo entre trabalha¬dores admitidos e demitidos no varejo brasileiro deverá ficar negativo em 230 mil vagas em 2016. Confirmada essa previsão, a força de trabalho do setor encolheria 3,0%, registrando, portanto, seu pior desempenho anual em mais de uma década ao final de 2016. Apesar da expectativa ainda significativamente desfavorável, a atual projeção da CNC é menos negativa do que a previsão realizada há dois meses (-279 mil). Os últimos dados do emprego no setor mostram que o saldo entre admitidos e desligados em julho deste ano (-15,2 mil) já é menos negativo do que no mesmo mês do ano passado (-27,9 mil). Além disso, a quantidade de trabalha¬dores desligados no mês de julho (250,6 mil) foi a menor desde novembro de 2009 (239,5 mil). As demissões sem justa causa, termômetro do ajuste imposto pela crise às empresas, registra¬ram recuo de 18,3% ante julho de 2015. Já no acumulado dos últimos 12 me¬ses, os 3,52 milhões de desligados atin¬giram o menor nível desde dezembro de 2010 (3,50 milhões), sugerindo que boa parte do ajuste no quadro de funcionários das empresas pode já ter sido realizado.

Confiança do comércio cresce pela segunda vez na comparação anual – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu 90,0 pontos em agosto, ante 87 pontos em julho, crescimento de +1% na série com ajuste sazonal, o quarto aumento consecutivo. O índice foi influenciado pela melhora na avaliação das condições correntes (+8,3%) e nas intenções de investimentos (+1,8%). As expectativas para os próximos meses apresentaram queda em relação a julho (-1,3%), após significativo aumento na passagem do semestre. Em relação a julho de 2015, o Icec au¬mentou 9,4%, a segunda taxa positiva nessa base de comparação desde julho de 2013. O índice, no entanto, ainda se encontra em patamar abaixo do nível de indiferença (100 pontos), indicando pessimismo dos comerciantes, reflexo da contínua redução das vendas e da atividade do comércio. O subíndice que mede as condições correntes (Icaec) alcançou 47,2 pontos (+8,3%) na passagem de julho para agosto na série que considera os ajustes sazonais. Após consecutivas quedas, a avaliação das condições correntes mostra melhora desde fevereiro deste ano. Apesar disso, o índice continua em patamar muito baixo. No ano, o Icaec teve a primeira variação positiva (+9,4%) desde o início da série histórica, em março de 2011, a despeito de o índice base de comparação (agosto de 2015) ter sido também muito baixo. A percepção dos varejistas quanto às condições atuais melhorou novamen¬te em agosto em relação à economia (+13,7%), em relação ao desempenho do setor do comércio (+7,1%) e também em relação ao desempenho da empresa (+6,6%). O volume de comerciantes que avaliam as condições atuais como “piores” é menor, mas se mantém elevado: para 89,6% dos varejistas, a economia piorou neste fim de semestre. Este percentual é mais baixo do que o observado em julho (91,9%) e em dezembro de 2015 (95,7%) – até então a taxa mais elevada da série histórica do indicador.

Mercado espera cortes na Selic durante o ano – No último relatório Focus divulga¬do pelo Banco Central (26/08), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 7,34%, maior do que a previsão de 7,21% de quatro semanas passadas, após estabilidade nesta estimativa na semana passada. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. A projeção para 2017 voltou a mostrar aceleração, aumentando para 5,14%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,42% para agosto e 0,36% para setembro. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,45% para agosto e 0,34% para setembro, valores próximos aos esperados pelo mercado. Após a quinta reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A próxima reunião será nos dias 30 e 31 de agosto. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,75%, esperando novos cortes na taxa durante o final deste ano. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic continue sendo reduzida e alcance 11,25%. A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,16%, mostrando uma melhora neste indicador, após o resultado de 2015 ser uma retração de 3,80%, de acordo com dados do IBGE. Apesar de a previsão para este ano ser melhor do que o realizado no ano passado, ela demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017, já se espera um resultado positivo, com avanço de 1,23% na economia, acima do 1,10% projetado há quatro semanas.

Passo estratégico – Passado o impeachment, o segundo semestre de 2016 e o exercício de 2017 serão decisivos para o País acertar-se nos trilhos, na direção do retorno ao crescimento, uma vez que continuará vivenciando o processo de ajuste financeiro do setor público. O ajuste foi iniciado em 2015, e algumas medidas estão sendo tomadas em 2016. Uma ação importante no sentido de procurar melhorar as condições da economia brasileira será a participação do governo brasileiro na reunião do G-20, a ser realizada na China, nos próximos dias 4 e 5 de setembro, contando com a presença de presidentes e primeiros-ministros. No encontro, os representantes brasileiros vão discutir evasão tributária, tributação de capitais, remessa e troca automática de informações sobre movimentação de capitais e reforma do Fundo Monetário Internacional, entre outros temas. Além disso, levarão à China projetos de concessões na área de infraestrutura, bem como procurarão costurar acordos que venham a incrementar o comércio dos dois países. Se nos anos 1990 os EUA ainda representavam o principal destino das exportações nacionais, com a virada do século os norte-americanos continuaram perdendo terreno, até que a partir da atual década a China assumiu a primeira posição. Da mesma forma aconteceu com relação às compras feitas pelo Brasil junto ao resto do mundo, onde a China tornou-se líder.

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