Destaque da edição:
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Impactos da crise migratória na Alemanha e na União Europeia – A atual crise migratória na Europa surgiu como consequência do crescente número de imigrantes que chegam ao continente, oriundos, em sua maioria, do Oriente Médio, África e Sul da Ásia. Os motivos pelos quais essas pessoas abandonam seus países são diversos, notadamente conflitos armados, perseguições, pobreza, mu¬danças climáticas e violações massivas aos direitos humanos. Trata-se da maior crise migratória e humanitária no conti¬nente europeu pós 2ª Guerra Mundial. É estimada a chegada de três milhões de imigrantes entre 2015 e 2017 na União Europeia, e a Alemanha já se comprometeu a abrigar 800 mil. Os gastos iniciais com os refugiados são altos, alvos de críticas da oposição política e de parte da população. De acordo com o sistema eu¬ropeu e o Estatuto do Refugiado, o reque¬rente de asilo se beneficia de alojamento e alimentação custeados pelos governos locais, enquanto durarem os processos de concessão dos vistos de permanência. Na Alemanha, cada adulto nessas condições recebe, ainda, €143/mês. A chanceler alemã defende o abrigo aos refugiados, acreditando que os gastos funcionam como um pequeno estímulo econômico. O governo alega que a po¬pulação alemã vem envelhecendo e, sem um movimento significativo de imigran¬tes na próxima década, a mão de obra do país perderia 4,5 milhões de trabalhadores. Isso derrubaria a tendência da taxa de crescimento de 1,5% para 0,5% e provocaria a estagnação da economia durante estimados 15 anos. De acordo com a Agência Federal de Estatísticas, o número recorde de pessoas que estão chegando à Alemanha fugindo da guerra no Oriente Médio, está incre¬mentando os gastos do governo, que au¬mentaram 1,3% no terceiro trimestre, o maior percentual desde 2009. O Produto Interno Bruto (PIB) ajustado sazonalmente cresceu 0,3% no trimestre entre julho e setembro, após expansão de 0,4% entre abril e junho.
Outras matérias:
Indústria recua 7,4% no ano – Segundo os últimos dados disponi¬bilizados pelo IBGE, a produção industrial retraiu 1,3% em setembro deste ano, após crescimento de 0,54% em maio; esta foi a quarta queda conse¬cutiva. Em setembro de 2014 também houve queda em relação a agosto, entretanto, com uma variação menos intensa, de -0,2%. Desde o início do ano passado, este foi o décimo quarto mês com retração. Em comparação com o mês imediatamente anterior, dados com ajuste sazonal. Apesar desta queda, a Indústria extrativa mostrou aceleração, em 1,0%. Este foi o segundo resultado positivo depois de três meses seguidos de recuo, sendo também o maior do período. Enquanto a de Transformação recuou 1,5%, seguindo a tendência negativa iniciada em junho. Houve queda na maioria das categorias de uso analisadas, sendo Bens de consumo duráveis o maior destaque (-5,3%). As únicas exceções foram para Bens de capital, onde houve crescimento de 1,0%, e Bens de consumo semiduráveis e não duráveis, com aumento de 0,5%. Na comparação com setembro de 2014, houve uma queda de 10,9%, mais negativa do que a taxa de agosto (-8,8%) e continuando a tendência negativa ob¬servada desde dezembro de 2013, além de ser a taxa mais intensa deste perío¬do. Assim como na análise anterior, a Indústria de transformação, com recuo de 12,6%, foi a principal influência, sendo que a Indústria extrativa acele¬rou 2,6%. Em ambos os casos, houve continuidade de suas tendências, com início em janeiro do ano passado. Para a Indústria de transformação essa foi a pior taxa desde janeiro de 2014. Diferentemente do observado na compa¬ração anterior, quando consideramos o mesmo período do ano anterior, todas as categorias de uso recuaram, com Bens de capital mostrando o maior resultado negativo (-31,7%), seguido por Bens de consumo duráveis, com retração de 27,8%. Equipamentos de transporte industrial foi a atividade com maior queda (-41,1%).
Mercado projeta taxa de juros a 13,75% – As expectativas de mercado divulga-das no decorrer do Boletim Focus do Banco Central dessa segunda-feira (dia 23/11) elevaram as previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tirando-o da meta definida para o ano que vem. A mediana das estimativas passou de 6,5% para 6,64% em 2016, o que resultou no décimo sexto aumento consecutivo. Para o ano de 2015, os analistas do mercado enxergaram uma alta no IPCA de 10,33% contra 10,04% previsto na semana passada. Os preços administrados também subirão ainda esse ano, de acordo com os analistas. Para atingir suas metas, o Banco Cen¬tral deverá responder a essa piora espe¬rada das projeções inflacionárias redu¬zindo menos a sua taxa básica de juros (Selic). Através do boletim, a Selic deverá diminuir para 13,75% em 2016 ante 13,25% previsto anteriormente. Entretanto, para o fim do período em 2015, a taxa deverá se manter nos atuais 14,25% de juros. Para os analistas do chamado Top 5 (economistas que mais acertam as previsões), a mediana de médio prazo da Selic encerrará 2015 em 14,25% e encerrará 2016 em 13% ao ano, mantendo as taxas estáveis há duas semanas. A possibilidade da revisão dos juros para um recuo menor que o previamente espe¬rado, somado a uma possível estabilização da taxa atual por mais tempo resulta¬ria na inflação acima do teto da meta em 2016, atingindo 6,64%. Para 2017, a taxa também foi revisada para cima, marcando 5,1%. Foram revistas conjuntamente as estimativas para a atividade econômica do ano, por intermédio das projeções do mercado espera-se uma queda do Produ¬to Interno Bruto (PIB) de 3,15%, contra 3,10% avaliado anteriormente.
Avanços na regulação do comércio Brasil–EUA – Os acordos de cooperação, harmoni¬zação de normas técnicas e conver¬gência regulatória têm composto a pauta permanente das proposições do Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos (CEBEU), no qual a CNC se faz representar. Dentre os diversos pontos da agenda bilateral, essas foram áreas que obtive¬ram, nesse ano, expressivo progresso, consubstanciadas pela recente assina¬tura de acordos conduzidos pelo Minis¬tério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC) e o Departamento de Comércio dos Es¬tados Unidos (DOC). No âmbito do diálogo comercial, foram firmados três acordos relativos à Agilização dos pedidos de exame de patentes: acordo entre o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USP¬TO, na sigla em inglês), que estabe¬lece o projeto piloto para o compar¬tilhamento de exame de patentes – o Patent Prosecution Highway (PPH). Trata-se de um acordo de cooperação entre os escritórios dos dois Países que permite uma “via expressa” para análise de concessão de patentes e o compartilhamento de informações sobre o exame realizado pelos escritórios. O programa piloto terá dura¬ção de dois anos a contar de janeiro de 2016, limitado a 150 pedidos de patentes por escritório.
O varejo de óticas 2014 (II) – Como apresentada no artigo anterior, uma observação muito interessante a respeito do setor ótico no Brasil foi a de que o comércio varejista também foi impulsionado por fatores extra-e¬conômicos. Assim, contribuíram para a evolução das vendas e aumento do número de estabelecimentos o envelhecimento da população, seguido da vista cansada – consequentemente, mais pessoas usando óculos; os efeitos da tecnologia sobre a visão, em virtude do uso disseminado de computadores; o acesso à internet e os smartphones. Assim, a inclusão digital afeta vidas, obrigando as pessoas a usarem óculos. Outra particularidade relevante do segmento diz respeito à predominân¬cia das micros e pequenas empresas. Indicativo de um mercado tipicamen¬te concorrencial, menos concentrado em relação aos demais, embora o número de estabelecimentos comerciais tenha se mantido praticamente o mesmo a partir de 2008. Não obstante, é relevante destacar que por causa do volume de micros e pequenas empresas, quase todas as empresas encon¬tram-se no regime tributário do Simples Nacional. Isso significa que para quase o universo, a opção por este sistema de pa¬gamentos de impostos e contribuições é extremamente importante e vantajosa, por causa da simplificação do recolhimento e da redução da carga fiscal. Por conta da estrutura, a concentração do número de empregados dá-se nas empresas com até 19 empregados, as que empregam mais. Em 2014, o contingente de 101.818 trabalhadores empregava-se em empresas com até 19 empregados (93,0%). E ape¬nas 6.633 funcionários trabalhavam nas de 20 a 49 empregados (6,1%); enquanto somente 997 empregados (0,9%) estavam nas empresas que empregavam na faixa entre 50 e 99. Curiosidade: não havia um único trabalhador na faixa de empresa que empregava entre 100 e 249 pessoas.