Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Em Goiás a perspectiva não é tão alvissareira quanto em anos anteriores. Mesmo que Goiás esteja gerando empregos acima da média, na área do comércio e em geral a previsão é que tenha um crescimento de 3% em relação ao ano passado – especialmente para períodos próximos ao Natal, além dos temporários. Quanto aos estoques, orientamos as empresas a terem a máxima cautela. É necessário ter apenas o adequado, para que não haja perdas de vendas em razão da falta de produtos. Para aqueles que têm o estoque acima do adequado, é preciso um comprometimento ainda maior neste momento em que a economia se encontra.
Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?
Nossa situação não está diferente daquela do restante do País. Goiás teve um volume de vendas abaixo da média nacional nos últimos 12 meses. Nesse período, tivemos dez meses com volume de vendas inferior e somente dois com resultados acima do mesmo período de 2014. Isso representa para nós uma situação muito difícil. O endividamento das famílias, por outro lado, não se reduziu como gostaríamos, e isso compromete a nossa perspectiva, a nossa possibilidade de pensar diferente.
Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?
Devemos adotar, com criatividade, responsabilidade e planejamento, ações que possam gerar uma proximidade maior com os clientes. Realizar promoções é uma das ações que podem estabelecer uma comunicação mais rápida com o consumidor. Por outro lado, não deixe, de forma nenhuma, de dar um banho, qualquer que seja, na empresa. Investir na fachada e no atendimento, por exemplo. Isso é o necessário para que os consumidores, ao chegarem, verifiquem que a empresa está ativa. Especialmente para as micros e pequenas empresas, essa ferramenta é bastante importante. Aquelas que têm o atendimento personalizado, inclusive, certamente poderão ter bons resultados em relação a qualquer outro concorrente.
A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?
Sem dúvida nenhuma isso afeta e muito, porque o empresário tem que repassar esses gastos para os preços, afetando o consumidor, que está observando e também não aceita a situação. É uma das razões pelas quais o volume de vendas tem caído. Tivemos aumento, ainda, no gás de cozinha. Os salários, naturalmente, não acompanham esses aumentos. Por quê? Especialmente na nossa área, os comerciários recebem comissão sobre as vendas. E se o volume de vendas está caindo, cai também a renda desses trabalhadores. Eles, então, têm que buscar alternativas para resolver o problema, a necessidade financeira, e certamente vão ter dificuldade. Então, a folha de pagamento é menor. Sendo menor, afeta também aquelas instituições como o Sesc e o Senac, que dependem de uma folha de pagamento mais forte. Uma vez que cai a folha de pagamento, também cai a receita compulsória dessas nossas instituições.
A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?
A inflação é o temor. O consumidor logo começa a fazer pesquisa, verifica o aumento dos preços e não conforma com isso. Então, prorroga aquela necessidade de compra e fica aguardando um momento de promoção das empresas ou mesmo adiando essas compras, porque ele se assusta com qualquer majoração. A inflação, realmente, não é uma boa coisa nem para o consumidor nem para os empresários, que têm aí uma necessidade de atualizar os seus preços.