Entrevista: Wilton Malta de Almeida, diretor da CNC e presidente da Fecomércio-AL

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Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

A perspectiva está próxima de zero. A razão é a crise política, que tem influenciado negativamente a economia alagoana. As medidas econômicas de combate à inflação, alta dos juros e austeridade fiscal são parte dessa influência. O comércio, em anos anteriores, trabalhou com uma margem de 10% a 30% de contratação temporária para o final do ano. Em 2015, para esse último trimestre, a empresa varejista, principalmente os pequenos negócios, não deverão atingir um terço desse nível. Provavelmente, apenas as grandes redes de varejo poderão trabalhar com essa perspectiva. Quanto à reposição dos estoques, os empresários em geral estão cautelosos, atentos ao cenário político e levando em conta as expectativas frustradas em anos anteriores.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

Os números mostram que o comércio alagoano continua crescendo, quando avaliado pelo volume de vendas, mas não no mesmo ritmo que em anos anteriores. Nos últimos 12 meses o crescimento foi, na média, de 4%; e o que tem acusado melhor desempenho são os setores do grande varejo e atacadista. Provavelmente, no último trimestre do ano os pequenos negócios começarão a obter melhores resultados.  

Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

No meu ramo, de vestuário, as principais medidas têm sido adequar o número de funcionários às necessidades, melhorar o atendimento, para não desperdiçar vendas, e cortar as despesas, principalmente de energia. Por outro lado, ser bastante cauteloso em relação ao clima de festas de final de ano e trabalhar com uma perspectiva bastante realista em termos de vendas e faturamento.

A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

Certamente; principalmente para os médios e pequenos empresários do setor, porque o aumento nesses custos afeta diretamente o capital de giro, comprometendo os investimentos e o faturamento futuro.

A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

Não. O maior vilão é o desaquecimento do mercado, causado pela instabilidade política e pelos ajustes econômicos, que leva à recessão econômica, causando desemprego, queda na renda e, por consequência, diminuição do consumo.

Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até final de 2015?

Não são muitas, mas, ao mesmo tempo em que o momento é crítico e desfavorável, ele permite que novas ideias surjam e que processos inovadores e ajustes sejam realizados no sentido da busca pela eficiência e por ganhos de competitividade.

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