Entrevista: Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis

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Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Há perspectiva de contratação no final do ano. De forma geral, para a revenda de combustíveis o importante vai ser manter a mão de obra empregada no setor. Temos 600 mil empregos diretos e acreditamos que continuará nessa média. Em nossa expectativa, não haverá desemprego como tem ocorrido em outros setores, uma vez que as vendas de combustíveis estão estáveis. Só como exemplo, no primeiro semestre deste ano a comercialização de combustíveis (gasolina, diesel e etanol) registrou crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em relação aos estoques, nosso setor não trabalha com estoques expressivos; atuamos com estoques de três dias.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

Grave. As perspectivas não são otimistas. O comércio deve sofrer uma desaceleração talvez até maior que a do PIB. No caso dos combustíveis é diferente, porque vendemos para uma frota de veículos circulante. Com a economia ruim, as pessoas estão andando menos de carro, e há perspectiva de queda na produção da indústria automobilística em torno de 20%. E mesmo assim, serão 2,8 milhões de carros. Em razão desse panorama, trabalhamos com a perspectiva de um aumento modesto nas vendas de combustíveis, em torno de 2%.

Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

Recomendo cautela e não tomar empréstimos nesse período, já que os juros bancários estão muito altos. O empresário tem que ser conservador. Se for fazer investimentos no posto, só use recursos próprios; evite empréstimos. Não é o momento de contrair dívidas.

A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

Felizmente, em nosso setor o gasto com energia no contexto de custos do negócio é irrelevante.

A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

A inflação, por si só, não é tão preocupante, mas, neste momento, em que temos inflação e recessão, simultaneamente, preocupa, sim. Eu diria que a falta de confiança no governo e no futuro e a incapacidade do governo de encontrar um rumo para a economia sair da crise são os problemas mais graves que enfrentamos hoje; não somente o comércio, mas todos os brasileiros.

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