Qual sua perspectiva de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Qual sua perspectiva de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Embora seja atingido também pela crise nacional, Rondônia tem atenuantes, e os números da economia local estão bem melhores que os níveis do Brasil e da maioria dos Estados. Nossa perspectiva com relação à contratação de mão de obra é positiva, devendo ser menor que a verificado em 2014. Mas a certeza é que as contratações vão ocorrer para as vendas de final de ano. Já que, por conta da inflação, houve mudança no perfil do comércio, que praticamente está trabalhando com pouco estoque, com certeza deve haver reposição de estoque, num volume menor, claro, até o final do ano.
Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?
Há um sensível receio em relação ao futuro que se mostra nas perspectivas, embora se mantenha o consumo e o emprego, mais ou menos, nos mesmos níveis. Esse quadro reflete os efeitos das medidas de ajuste econômico do governo federal aliados aos sintomas perceptíveis da inflação, ao aumento sensível das taxas de juros e à maior dificuldade de acesso ao crédito, que tornam as chances de haver uma reativação da economia este ano muito difícil. Assim, no meio do comércio não há muito otimismo em relação ao final do ano, e a perspectiva geral é de manutenção e crescimento pequeno das vendas.
Na área em que o senhor atua como empresário (apontar a área), que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?
Atuo no segmento de utilidades domésticas e produtos para bares e restaurantes. Primeiramente, tivemos que rever nossa gestão operacional, estabelecendo maior planejamento desde o procedimento de compras e reposição de estoque até contratações de pessoal. Isso, hoje, é fundamental, porque, devido à inflação, não se pode mais trabalhar com estoque alto. Então, na minha loja trabalho com 18 mil itens, 20 dos quais, que têm maior procura e giro, compro numa quantidade maior. Daí, trabalhamos campanhas com esses itens para atrair os clientes e fazer girar outras mercadorias.
A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustível – tem afetado os negócios?
A alta foi significativa e atingiu, com certeza, a operacionalidade das empresas. A energia em Rondônia aumentou cerca de 47% neste ano. Sobre o combustível, ele influencia o preço do frete em mais 25%; e alguns impostos voltaram ao patamar de alguns anos atrás. Tudo isso pressiona nossos custos e nos faz rever nossa gestão e criar meios para reduzir os efeitos na operacionalidade dos negócios. Hoje o empresário tem que conversar mais com os colaboradores e mostrar a realidade da empresa e do cenário de crise, fazendo com que eles estejam conscientes da importância de colaborar com as reduções de despesas e também de se dispor a ter um compromisso maior, para evitar redução de pessoal.
A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?
Com certeza, ela influi muito na demanda e no volume de compras pelas empresas e acarreta maiores dificuldades para o comércio. No entanto, há outros fatores que também dificultam. É o caso dos juros altos e do acesso ao crédito. Agora, é a incerteza sobre o futuro que mais diminui o consumo e afeta nossas atividades.
Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?
Com a crise instalada, as maiores dificuldades recaem sobre os micros e pequenos, que, com custos mais altos, tentam outras formas de inovar o negócio para sobreviver. Mesmo que a perspectiva seja de manutenção do quadro, na comparação com a situação brasileira o 1,2% de aumento das vendas que se espera até o final do ano, com todos os problemas, parece ser um bom resultado. Dessa forma, a alternativa para os empresários é buscar inovações administrativas e comerciais para que esses ajustes surtam efeitos neste segundo semestre de 2015 e possamos colher bons frutos a partir de 2016. De qualquer forma, os empresários, quando abriram suas portas, fizeram já uma opção pelo otimismo. E precisamos dele para mostrar que somos maiores que a crise.