Destaque da edição:
Destaque da edição:
As dívidas e os riscos da recessão – Na semana passada, o Banco Central do Brasil divulgou sua estimativa para o nível de endividamento das famílias brasileiras para o mês de abril. Mesmo que diversos indicadores sugiram uma retração no consumo, o endividamento das famílias no Sistema Financeiro Nacional alcançou seu patamar mais alto desde o início da série, em janeiro de 2015, correspondendo a 46,3% da renda anual estimada. Já o comprometimento mensal da renda das famílias com o pagamento do serviço dessas dívidas ficou estável no primeiro quadrimestre do ano, aumentando, porém, em relação ao mesmo período do ano passado. Grande parte do aumento do endividamento é proveniente do crédito imobiliário. Em abril de 2015, 40,4% do endividamento corresponderam ao crédito habitacional, ante apenas 16,9% em janeiro de 2005. No entanto, apesar desse avanço considerável, com as condições diferenciadas de juros e, sobretudo, de prazos, o comprometimento de renda médio com o financiamento habitacional alcança apenas 10,4% do total – ou 2,4% da renda média mensal. A maior participação do crédito imobiliário às pessoas físicas explica o avanço modesto do comprometimento de renda e a permanência dos indicadores de inadimplência em patamares baixos.
Outras matérias:
Comissão Portos se reúne com ministro – A Comissão Portos – organismo no qual a CNC se faz representar – se reuniu, em 25 de junho, com o ministro chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República, deputado Edinho Araújo. Na ocasião, o ministro apresentou inserido no recém-anunciado Programa de Investimento em Logística (PIL), onde ressaltou a disposição do governo em trabalhar em sintonia com a iniciativa privada, deixando aberto um amplo caminho para o diálogo. O governo espera investimentos da ordem de R$ 37,4 bilhões para o setor, divididos da seguinte forma: R$ 10,8 bilhões referentes a 24 antecipações de arrendamentos; R$ 14,7 bilhões oriundos de 63 novas autorizações para Terminais de Uso Privativo (TUPs) e R$ 11,9 bilhões de 50 novos contratos de arrendamento. Em relação aos TUPs, já se observa solicitações em fase final de autorização – os processos foram iniciados após a promulgação da Lei n° 12.815 (Nova Lei dos Portos). Os problemas maiores se referem aos contratos de arrendamento, pois o modelo das licitações preconizado na citada Lei experimentou severas restrições por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). Somente agora, quase dois anos depois, a modelagem foi aprovada, possibilitando o lançamento do chamado Lote 1, que compreende áreas nos Portos de Santos (9 terminais) e Pará (20 terminais).
Expectativa para o IPCA alcança 9,0% – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (26/06), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 9,0%, após chegar a 8,39% há quatro semanas passadas. Esta é a décima primeira aceleração, continuando bem acima do limite superior da meta (6,50%). Apesar deste crescimento nas estimativas, as projeções para 2016 permaneceram em 5,50%, sendo a sexta semana consecutiva. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,72% para junho e 0,41% em julho. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,70% para junho e 0,45% para julho, valores próximos ao mercado. Segundo dados do IBGE, o IPCA de 2014 foi de 6,41%, enquanto em maio alcançou 8,47%, no acumulado dos últimos 12 meses. Projeta-se a taxa de juros Selic para o final de 2015 em 14,50%, superior ao estimado na semana anterior, 14,25%. Ou seja, com mais acréscimos ao longo do ano, até uma elevação total de 0,75 ponto. A próxima reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de julho, quando se espera que ocorra um aumento de 0,50 ponto. A previsão, pela quinta semana consecutiva, é que em 2016 a Selic recue e termine o ano em 12,00%, menor do que a taxa atual de 13,75%.
Cinco milhões – No dia 17 de junho, o Brasil pôde comemorar no sexto ano de aniversário a marca de cinco milhões de microempreendedores individuais (MEI). Maior programa de inclusão empresarial, de formação de cidadania e diminuição da informalidade que se tem conhecimento, a iniciativa tem conseguido bons resultados durante o período de vigência, como se verifica. No primeiro mês – julho de 2009 –, os registros somaram apenas 1.255 inscrições. À medida que a notícia se espalhava, a mídia noticiava e os benefícios de entrar no MEI tornavam-se mais conhecidos, os primeiros seis meses acusaram 44.100 inscritos no Portal do Empreendedor. A partir daí, os números foram sempre ascendentes, devendo-se realçar que na passagem de dezembro de 2009 (44.100 MEI) para dezembro de 2010 (760.089), por conta da base fraca de comparação, o MEI apresentou a maior variação relativa de 1.623,55%. No ano seguinte, têm-se o acréscimo de 876.122 novos registros, perfazendo o total de 1.636.211, representando uma elevação de 115,27%.