Sumário Econômico 1398

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Destaque da edição:

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O bem-estar do brasileiro – Há abundante literatura sobre o conceito de bem-estar, sobretudo em língua inglesa. Não é conceito trivial. Numa apertada síntese, seria a sensação de felicidade resultante da prosperidade e do grau de higidez, quer do indivíduo quer de uma comunidade. O conceito envolve o atendimento de necessidades materiais e não materiais. No Estado de Bem-Estar (Welfare State), parte substancial do gasto público está orientada para a garantia das necessidades básicas do indivíduo. Os países escandinavos são o melhor exemplo de Estado de Bem-Estar, onde a pessoa humana tem suas necessidades básicas cobertas pelo Estado, do berço ao túmulo (from cradle to grave). Os dados básicos que fundamentam a argumentação sobre os avanços no bem-estar do brasileiro derivam da Pesquisa Nacional Domiciliar por Amostra (PNAD), levada a cabo em seis regiões metropolitanas do País. Ramo da Estatística Matemática, a amostragem permite expandir um número limitado de observações para representar todo o universo pesquisado, com margem de erro determinada. Comparando os dados da PNAD de 2003 e 2013, num procedimento que os economistas denominam de estática comparativa, é possível concluir que, entre esses dois períodos, a renda real per capita cresceu 27,8% e a renda média, 51,7%. Essa diferença de taxas se explica pelo fato dos 10% mais pobres da população terem tido um acréscimo de renda de 106,17%. Portanto, uma redução da desigualdade.

 

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Expectativas em queda. Até quando? A divulgação dos resultados do PIB de 2014 trouxe mais uma confirmação do desaquecimento do cenário econômico vigente. O resultado foi o pior desde a queda de 0,2% apurada em 2009, período em que a crise econômica global estava no auge. Os investimentos em capital físico, a indústria e a agropecuária foram os destaques negativos. Os investimentos fecharam o ano com recuo de 4,4% – a maior queda desde 1999, quando houve recuo de 8,9% –, e a indústria, com queda de 1,2% – menor valor desde 2009. A agricultura também teve elevação de 0,4% – desempenho bem inferior ao de 2013, quando houve um avanço de 7,9%. Embora ainda no campo positivo, o PIB dos serviços teve o pior crescimento desde 1996 (0,7%). O mesmo serve para o consumo das famílias, que teve elevação de 0,9% – a menor desde 2003 e menos da metade do avanço registrado em 2013 (2,9%). A análise desses dados corrobora a confirmação do esgotamento do ciclo de consumo, propulsor do crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Juros elevados, menor crescimento da renda, menor expansão do crédito e inflação pressionada são fatores que reduziram a intenção de consumo das famílias, bem como a disposição para investimento das empresas. Essa piora no ambiente econômico provocou novas quedas nos indicadores de confiança em fevereiro e março. A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela CNC, refletiu em março o cenário de desaquecimento do consumo, que pôde ser observado desde o ano passado. A pesquisa é um indicador antecedente, que objetiva estimar o potencial das vendas do comércio. O índice geral está no menor valor da série histórica, com 110,6 pontos, e registra queda anual de 11,9%. O resultado reflete o ano anterior inteiro de desaceleração no comércio. Dados de outras instituições reforçam o cenário de pessimismo que atinge os agentes. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado pela FGV, atingiu o mínimo histórico pelo terceiro mês consecutivo. O mesmo ocorreu com o Índice de Confiança do Comércio (Icom) e com o Índice de Confiança da Construção (ICST). O Icom registrou a quinta queda consecutiva e também está no menor patamar da série. O ICST atingiu o maior recuo mensal da série histórica iniciada em julho de 2010. Com o resultado, o índice está em um novo piso.

Confiança do comércio mergulha no terreno negativo – Seguindo a tendência de queda no nível de atividade no comércio brasileiro, a confiança dos empresários do setor acumulou a sua oitava queda consecutiva no mês de março. Além de ter atingido o menor nível de confiança desde o início da pesquisa, todos os componentes do Icaec se encontram, atualmente, nos seus respectivos pisos históricos. Os resultados recentes da atividade econômica e a falta de sinais quanto à recuperação da atividade comercial têm levado ao adiamento dos planos de investimentos no médio prazo. O maior responsável pela queda anual da confiança dos empresários do comércio segue sendo o subíndice que registra o grau de satisfação com as condições correntes da economia e do setor (Icaec). Desde agosto do ano passado, a queda na satisfação com o desempenho da economia brasileira tem sido o item do Icec a registrar as maiores taxas de deterioração nos comparativos anuais. O Icaec e seus três componentes se encontram atualmente nos seus respectivos pisos históricos. Em fevereiro último, 79,8% do total percebiam piora das condições correntes da economia nacional. No mês de março essa era a percepção de 86,3% dos empresários do setor. Mais da metade dos entrevistados (52,1%) perceberam piora acentuada. Situação significativamente diferente em relação àquela registrada no mesmo mês do ano anterior, quando 63,1% dos entrevistados relataram piora no cenário econômico. A região Sudeste (37,1 pontos) concentra as piores avaliações nesse quesito.

Produção industrial continua em queda – Segundo os últimos dados disponibilizados pelo IBGE, a produção industrial retraiu 0,9% em fevereiro deste ano, após um crescimento de 0,3%, tanto em janeiro de 2015 quanto em fevereiro de 2014. É a maior queda desde dezembro de 2014, quando houve recuo de 1,6%. Em comparação com o mês imediatamente anterior, dados com ajuste sazonal. A Indústria extrativa acelerou 0,9%, o terceiro resultado positivo consecutivo após retração de 0,5% em novembro de 2014. Enquanto a de Transformação recuou 1,3%, após crescer 1,8% no mês anterior. Houve queda em todas as categorias de uso analisadas, sendo Bens de capital o maior destaque (-4,1%). Na comparação com fevereiro de 2014, houve uma queda de 9,1%, continuando a tendência negativa observada desde dezembro de 2013. Assim como na análise anterior, a Indústria de transformação, com recuo de 11,6%, foi a principal influência, sendo que a Indústria extrativa acelerou 11,9%. Em ambos os casos, houve continuidade de suas tendências, com início no começo do ano passado. Novamente similar ao observado na comparação anterior, todas as categorias de uso recuaram, com Bens de capital mostrando o maior resultado negativo (-25,7%), assim como Bens de consumo duráveis, com retração de 25,8%. Fabricação de produtos do fumo foi a atividade com maior queda (-42,8%), tanto nesta comparação quanto em relação a janeiro de 2015 (-24,0%).

 

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