Sumário Econômico 1396

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Destaque da edição:

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Tendência da inflação – Nos últimos quatro anos, a meta de inflação fixada pelo Banco Central em 4,5%, com base no comportamento do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sempre esteve bem acima desse valor. Na realidade, a meta foi cumprida graças à generosa margem de tolerância de dois pontos de percentagem em relação aos 4,5% como centro da meta, de tal sorte que a inflação de 2014, medida em 6,41%, tangenciou o valor limite. Forçoso, no entanto, é reconhecer que o cumprimento da meta só ocorreu graças ao artifício de retardar reajustes dos preços administrados, em especial energia elétrica, petróleo e seus derivados, o que provocou forte desequilíbrio de preços relativos, rompendo o que poderíamos chamar de harmonia da constelação de preços. Agora, os artifícios numéricos apresentam a fatura. Tudo indica que o ano de 2015 será tempo de aceleração inflacionária. Vários são os componentes dessa aceleração. A mais óbvia é a ineludível correção dos preços defasados, que, por isso mesmo, numa catalogação de tipos de inflação seria a “inflação corretiva”. A partir daí, como numa causação circular, estruturas de custos terão de ser ajustadas e desses ajustes vai surgir a “inflação de custos”, completando a cadeia da “espiral inflacionária”.

 

Outras matérias:

Desafios externos e internos – Seis anos após o início da crise, a economia global continua a depender de políticas monetárias acomodatícias. Os países desenvolvidos voltam a apresentar crescimento, mas a recuperação econômica é desigual. Os desequilíbrios regionais estão levando a descompassos monetários. Nos Estados Unidos, a recuperação da atividade econômica ganha fôlego. Após ter colocado fim ao seu programa de alívio quantitativo, o próximo passo para a normalização da política monetária será a elevação da Fed Funds. No entanto, apesar do fim do QE3, seu balanço continua inflado, e o Federal Reserve pede “paciência”, indicando gradualismo. Desse modo, as taxas de juros ficaram abaixo da neutralidade por algum tempo. Já na Europa, a capacidade ociosa estimada continua elevada, e a confiança dos agentes continua baixa, em meio a um processo ainda não concluído de desalavancagem e um desemprego ainda elevado. Com a queda do preço do petróleo, o fantasma da deflação volta a assombrar os países da zona do euro e a Inglaterra, ficando abaixo da meta de 2% ao ano e recuando. O Banco Central Europeu (BCE) introduz programa de alívio quantitativo, gerando uma nova rodada de relaxamento monetário e levando os demais bancos centrais a adotar uma política defensiva. A mudança do ciclo de commodities também provoca consequências importantes para os emergentes. Termos de troca desfavoráveis para exportadores de commodities reduzem a perspectiva de crescimento. No Brasil, o cenário externo complexo soma-se aos desequilíbrios internos. O déficit externo crescente e a piora do resultado fiscal aumentaram a vulnerabilidade a choques externos. A demanda externa fraca e o esgotamento dos incentivos fiscais e monetários à demanda interna resultaram em estagnação da economia. Adicionalmente, a crise na Petrobras, os problemas climáticos e a possibilidade de racionamento de água e energia são fatores que impactarão a economia negativamente.

Varejo sem sinais de recuperação – As vendas no comércio varejista iniciaram o ano com alta de 0,6% em relação a janeiro de 2014, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Dos oito ramos que compõem o varejo restrito, cinco registraram expansão nas vendas, com destaque para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+19,0%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+5,0%). O ramo de livros, jornais, revistas e papelaria se destacou negativamente, variando -10,4%. O varejo ampliado, que apropria os resultados do comércio automotivo (-16,6%) e de materiais de construção cresceu (-2,8%), apurou variação de -4,9%. Em termos regionais, destaque para a região Norte (+2,4%) e para os estados de Roraima (+26,0%), Amapá (+18,4%) e Rondônia (+8,9%). Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o volume de vendas do comércio varejista acumula alta de 1,8%. A inflação do varejo, livre das pressões exercidas pelos serviços e preços administrados, continua se comportando de forma mais moderada que a dos principais índices preços ao consumidor. A inflação do varejo voltou a perder fôlego, variando 5,8% ante o primeiro mês do ano passado. Especialmente no consumo de bens duráveis (+2,3%) e nas regiões Norte (+5,0%) e Nordeste (+4,9%).

Mercado espera inflação de 7,93% este ano – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (13/03), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 7,93%, após chegar a 7,27% há quatro semanas. Este é o décimo primeiro aumento consecutivo, além de superar o limite superior da meta (6,50%) em 1,43 p.p. As projeções para 2016 voltaram para 5,60%, similar à quatro semanas passadas, após reduzir para 5,51% na semana anterior. A curto prazo as projeções dos analistas são de 1,31% para março e 0,60% em abril. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 1,28% para março e 0,60% para abril, valores abaixo, apesar de próximos, ao mercado. Segundo dados do IBGE, o IPCA de 2014 foi de 6,41%, enquanto em fevereiro alcançou 2,48% no acumulado do ano. Projeta-se a taxa de juros Selic para o final de 2015 em 13,00%, ou seja, com mais acréscimos ao longo do ano, até um aumento total de 0,25 pontos. Espera-se que este aumento já aconteça na próxima reunião do Copom, nos dias 28 e 29 de abril. A previsão é que em 2016 a Selic recue e termine o ano em 11,50%, ainda menor do que a taxa atual, previsão estável há onze semanas.

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