Armadilha
A imagem da maquineta de etiquetar preços trabalhando sem parar, na voragem da hiperinflação dos anos 1980, causa arrepios até hoje nas gerações com mais de 30 anos.
Todas as famílias têm lembranças de uma dinâmica econômica que semeava o descontrole e impedia qualquer planejamento de mais longo prazo, já que era impossível prever o valor de um determinado bem ou serviço no turbilhão diário de reajustes.
Desde então, a situação do País mudou. Com o plano real, passamos a ter uma moeda mais equilibrada, em um ambiente econômico que permitiu maior previsibilidade para todos. O barulho da maquineta ficou restrito aos pesadelos de consumidores e empresários, que continuaram a carregar as memórias daqueles dias.
Não há nada que permita entrever situação parecida, hoje, na economia brasileira. O governo parece ter a situação sob controle. Há alguns indicadores que permitem vislumbrar um futuro imediato sem maiores atropelos. Mas a persistência da inflação ao consumidor em níveis considerados elevados para os padrões atuais acende um sinal amarelo, que não deve ser subestimado.
Ainda estamos próximos demais daquela época para descartar por completo os cacoetes desenvolvidos na cultura inflacionária, cuja maior expressão é a armadilha dos reajustes automáticos em uma economia indexada.
A realidade é que, embora com progressos, é preciso avançar mais no esforço por desindexar a economia, ainda que isso envolva o peso de decisões políticas a serem tomadas pelo governo. E, em paralelo, trabalhar com empenho para ampliar a produção e os investimentos.
Nunca é demais lembrar que, com a inflação, todos perdem – trabalhadores, empresários e os próprios governantes, que podem arcar com um inflacionado custo político-eleitoral, sempre que a população sentir que é hora de mudar a partir do próprio bolso.
Boa leitura!