Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Nos últimos 30 anos ou pouco mais, o mundo vem sendo atormentado pela ameaça de um aquecimento global, que poderá elevar a temperatura da Terra de 20 a 60, com dramáticas consequências, entre as quais a elevação do nível dos oceanos e a inundação de extensas áreas territoriais, onde vivem milhões de pessoas.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Nos últimos 30 anos ou pouco mais, o mundo vem sendo atormentado pela ameaça de um aquecimento global, que poderá elevar a temperatura da Terra de 20 a 60, com dramáticas consequências, entre as quais a elevação do nível dos oceanos e a inundação de extensas áreas territoriais, onde vivem milhões de pessoas.
Essa tese do aquecimento global ganhou força com os exercícios de computador realizados na Universidade de East Anglia, na Inglaterra, e divulgados intensamente pelo IPCC – International Panel on Climate Changes, juntamente com a PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ambos intimamente associados à ONU. Nesse contexto, formulou-se o que seria uma hipótese científica, segundo a qual as mudanças climáticas de elevação da temperatura estariam associadas ao aumento das emissões de gás carbônico (CO2) e sua concentração na atmosfera, desde a Revolução Industrial, em meados do século XIX, provocado pelo consumo humano de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão).
Em 1997, na reunião das Nações Unidas realizada no Japão, foi criado o Protocolo de Kyoto, um mecanismo financeiro, segundo o qual as grandes empresas emissoras de CO2 poderiam comprar no mercado certificados de carbono (MDL), a serem vendidos pelas empresas que, comprovadamente, estiverem contribuindo no sentido de reduzir essas emissões.
Em pouco tempo, embora não oficialmente regulado, o mercado de certificados de carbono ganhou força, operando centenas de milhões de dólares. A partir daí, a questão ambiental adquiriu uma expressiva conotação financeira, e não tardou muito para que a ONU chegasse à proposta mirabolante de criação de um Fundo Verde, da ordem de US$ 100 bilhões anuais, para ajudar os países pobres a se adaptarem às novas situações derivadas da necessidade de eliminar o consumo de combustíveis fósseis e adotarem novas fontes de energia limpa (nuclear, solar, eólica).
Os problemas associados a esse suposto aquecimento global seriam, agora, intensamente ampliados pela explosão demográfica, considerando que um aumento de dois bilhões de habitantes na população mundial, até 2050, vai produzir uma dramática crise de escassez de água, de alimentos e de energia.
Basicamente, essa explosão geográfica vai ocorrer na Índia, no mundo islâmico e na África, mas a ONU eleva o problema ao nível mundial. Vejamos o que disse o Secretário-Geral da ONU, em Mônaco, no início do mês de abril:
“Nossos padrões de consumo são incompatíveis com a saúde do planeta. Será tarde demais para salvar o meio ambiente, se não forem adotadas medidas vinculantes para o clima, até 2015 … se quisermos que em 2050 o planeta continue habitável para nove bilhões de pessoas. Devemos colocar um preço sobre as emissões de carbono e adotar, até 2015, um instrumento universal e jurídico, de modo que todos os países adotem medidas adicionais para reduzir os efeitos da mudança climática”.
O que o Secretário-Geral da ONU deseja é a renovação do Protocolo de Kyoto, fortalecido.
É importante que se diga que a tese defendida pela ONU não é pacífica. Nos últimos anos, é cada vez maior o número de cientistas “céticos”, que se recusam a aceitar as teses catastróficas que estão sendo divulgadas, com base em exercícios de computador. Pelo contrário, dizem esses “céticos”, este foi o pior dos invernos na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, indicando uma real possibilidade de advento de um novo período frio. Segundo o climatologista Friedmann Schenk, do Instituto de Meteorologia da Freien Universität, não houve uma onda de frio tão intensa na Alemanha, desde 1895 (Jornal Tagesspiegel, 22/3/13). Recentemente, dois bioquímicos do Instituto de Pesquisa VNIPIGAZ, do Grupo russo Gazprom, revelaram que a atividade solar reduziu-se significativamente nos últimos anos, encontrando-se hoje em nível equivalente ao da “Pequena Idade do Gelo”, entre os séculos XVII e XIX. Em realidade, dizem esses cientistas, nos últimos 15 anos a temperatura esteve mais fria do que quente.
Na Inglaterra, também prevalecem as baixas temperaturas e neste ano registrou-se o inverno mais frio desde 1963. Apesar disso, o Governo inglês impôs a cobrança de uma taxa sobre o gás carbônico emitido pelas usinas elétricas a gás e a carvão, encarecendo progressivamente o custo da energia dessas fontes – £ 30 a £ 70/ton., em 2030, até torna-las economicamente proibitivas.
Em suma, a tese que vem sendo defendida pela ONU, com o respaldo de alguns países europeus, é exatamente equivalente à proposta do crescimento global zero. Ninguém responde, responsavelmente, porém, aonde irá parar o desemprego e quais as suas trágicas consequências, especialmente para esses adicionais dois bilhões de pessoas, quando chegarem ao mercado de trabalho.
Jornal do Commércio, 22 de março de 2013.