Sustentabilidade na gastronomia em debate

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O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recebeu, em 3 de abril, a chef Teresa Corção, presidente do Instituto Maniva, diretora de Sustentabilidade do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), chef e proprietária do restaurante O Navegador, que trabalha com saladas 100% orgânicas.

O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recebeu, em 3 de abril, a chef Teresa Corção, presidente do Instituto Maniva, diretora de Sustentabilidade do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), chef e proprietária do restaurante O Navegador, que trabalha com saladas 100% orgânicas. Teresa abordou exemplos e caminhos para levar a sustentabilidade para os restaurantes, discutindo questões como soberania alimentar, biodiversidade agrícola e um ponto-chave para o segmento, que é a necessidade de encurtar a cadeia produtiva do alimento, aproximando quem produz de quem consome.

A chef apresentou o trabalho feito à frente do Instituto Maniva, ONG fundada em 2007, que promove projetos nas áreas de educação, cultura e agricultura, para divulgar a gastronomia e a ecogastronomia brasileiras. Para Teresa, a gastronomia tem um papel fundamental na sociedade como parte da herança cultural. Por isso, incentiva a valorização dos produtos da agricultura e da culinária locais e o reconhecimento dos produtores e sua aproximação com chefs, restaurantes e hotéis da região. “Sustentabilidade, na gastronomia, é, também, promover uma relação entre quem produz e quem consome”, explicou Teresa.

Além da aproximação entre os agricultores e produtores locais de orgânicos – alimentos cultivados sem agrotóxicos – e os consumidores, Teresa lembrou a importância de pensar aspectos como a soberania alimentar que envolve a independência de um país na produção dos alimentos que consome, o que também gera independência econômica. Ela citou como exemplo de dependência alimentar o alto consumo do “pão francês” no Brasil, que tem apenas 20% de sua principal matéria-prima, o trigo, produzida no País, sendo os outros 80% importados de EUA, Canadá e Argentina. “É um caso de colonização alimentar e dependência de outras culturas”, afirmou a Chef.

Para ela, os empresários, donos de restaurantes e hotéis, já estão atentos à necessidade de se adequar aos padrões de sustentabilidade, por consciência ou por perceberem que essa é uma cobrança cada vez maior do mercado consumidor. Por isso, o instituto Maniva e o grupo EcoChefs se unem ao SindRio para transformar as ações já realizadas em um tecnologia social capaz de ser multiplicada entre os empreendimentos, ajudando-os a se adequar a padrões de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que oferecem soluções para problemas sociais. O projeto Parceiro do Agricultor, que surge dessa união, vai aproximar agricultores que produzem orgânicos dos restaurantes próximos. Assim, os empresários ajudam na sustentabilidade financeira desses produtores e oferecem alimentos de qualidade ao consumidor final.

O tema “Turismo e Sustentabilidade” é pauta de estudo estratégico do Conselho de Turismo da Confederação em 2013. Serão mais de dez palestras que vão gerar uma publicação com as conclusões do estudo.

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