Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Quando, devido ao mau tempo, sobe o preço dos legumes e hortaliças, para compensar a redução da quantidade ofertada, no momento seguinte, a situação se inverte. Diante de preços mais altos os consumidores compram menos e o lucro maior leva os agricultores a produzirem mais, refazendo logo adiante o equilíbrio dos preços.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Quando, devido ao mau tempo, sobe o preço dos legumes e hortaliças, para compensar a redução da quantidade ofertada, no momento seguinte, a situação se inverte. Diante de preços mais altos os consumidores compram menos e o lucro maior leva os agricultores a produzirem mais, refazendo logo adiante o equilíbrio dos preços.
O mesmo se dá na relação emprego/salário. Se há maior procura de mão de obra e os salários sobem, no momento seguinte vai haver maior oferta de trabalhadores, da mesma forma que haverá uma tendência a economizar mão de obra e substituí-la pela mecanização ou mesmo por métodos mais eficientes que aumentam a produtividade do trabalho. Assim, uma elevação temporária de salários tende a se corrigir, naturalmente, nos momentos seguintes.
O mesmo acontece com outros preços. Por exemplo, quando há forte procura de crédito e sobe a taxa de juros, a taxa mais alta inibe a procura de crédito para o consumo e para os investimentos, e a tendência é a queda da taxa, voltando ao nível anterior. Assim, também, acontece com a taxa de câmbio. Se as exportações (oferta) crescem muito mais que as importações (procura), a taxa de câmbio se valoriza. Com o tempo, a valorização do câmbio reduz as exportações e estimula as importações, corrigindo o desequilíbrio.
Tudo isso é compatível com a teoria do equilíbrio natural, do mercado livre, como sugerido por Adam Smith, em 1776. A teoria é válida por causa da lógica que preside a lei básica da oferta e procura. Entretanto, na prática, o retorno a uma situação de equilíbrio pode levar muito tempo e, nesse ínterim, produzir sérios danos ao mercado, às atividades econômicas e ao emprego.
Daí, a necessidade de se exercer uma política monetária e fiscal anticíclica ou prudencial, de estabelecer normas para a política salarial, assim como regras de intervenção no mercado cambial.
Em suma, o mercado perfeito existe na teoria e nos ajuda a raciocinar economicamente. Mas o mercado perfeito é uma construção da mente e no mundo real a regra são as imperfeições do mercado, como podemos observar na prática, todos os dias.
As maiores imperfeições, sabidamente, estão no sistema financeiro, no qual a liberdade operacional excessiva, estimulada pela informática, levou a grandes abusos e desvios de finalidade, que terminaram na insolvência e falência de importantes instituições financeiras, com enormes prejuízos para os depositantes e investidores. Daí que o sistema financeiro não pode ter liberdade incondicional, necessita ser fiscalizado e submetido a rígidos controles e limites operacionais. Como, aliás, recomendam os Acordos da Basiléia.
Jornal do Commércio, 7 de maio de 2012