Recuperação econômica (Jornal do Brasil, 15/01/2010)

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 Antonio Oliveira Santos

Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo


 Antonio Oliveira Santos

Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo


 A comunidade brasileira está otimista em relação à recuperação da economia, após a forte recessão do 3º trimestre de 2008, que se estendeu, em menor escala, aos 1º e 2º trimestres deste ano. Existem bons sinais de que as atividades econômicas estão sendo retomadas e que, embora no final do ano se possa registrar um crescimento próximo de zero, as perspectivas para 2010 são de uma alta do PIB da ordem de 4% a 5%, bastante viável, até mesmo porque a base de comparação (média de 2009) será baixa.


Dois fatores vão impulsionar a economia brasileira: 1) a retomada das exportações para a China (minério de ferro, complexo soja, celulose, etc) e 2) a expansão dos empréstimos do BNDES (favorecendo novos projetos industriais), do Banco do Brasil (agricultura) e da Caixa Econômica (mercado imobiliário).


Pouco se pode esperar das exportações para os Estados Unidos e para  a Europa, cujas economias vão levar mais tempo para sair da recessão. De janeiro a junho deste ano, enquanto as exportações brasileiras cresceram 64,4% para a China, caíram -52,7% para os Estados Unidos, -23,8% para a Europa e -35,5% para a Argentina.


Por outro lado, não se pode esperar muito mais da expansão do crédito, que até agora tem financiado as vendas de automóveis e de bens duráveis da linha branca, através dos bancos públicos. Forçar o crédito além de um certo limite vai gerar expansão monetária, com inevitáveis pressões inflacionárias. Da mesma forma, pouco se pode esperar do lado do Governo, que já usou, em 2009, de todos os recursos disponíveis possíveis (emissão de títulos, recursos do FAT e do FGTS, etc),  a não ser que o Banco Central venha a baixar a taxa Selic básica para algo como 6% a 7%  aa. (juro real de 2%), propiciando ao Tesouro Nacional uma economia de juros da ordem de R$ 40 bilhões, em 2010.


Visivelmente, existem dois pontos fracos no cenário brasileiro: o mais relevante é o permanente déficit público, o Governo sistematicamente, gastando mais do que arrecada; e o segundo, a taxa de câmbio valorizada, abaixo de dois reais por dólar, que desincentiva as exportações e cria uma posição favorável para as importações, em termos de competição com a produção nacional.


Examinados isoladamente, merecem destaquem nesse processo de recuperação econômica, a mineração, encabeçada pela VALE, cujas exportações estão retomando o ritmo anterior, embora a preços menores, assim como as  indústrias siderúrgica, de celulose, de carnes e outras. É de se citar, também, a Petrobrás, que vai comandar o curso dos investimentos,  no contexto do PAC, neste e nos próximos cinco ou dez  anos, dependendo do montante de recursos e financiamentos que possa obter.


Sem dúvida, o conjunto dessas observações aponta para o rumo da retomada do crescimento econômico e do emprego.


Publicado no Jornal do Brasil, 15/01/2010

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