Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O senador Aloísio Mercadante, em recente declaração a um importante jornal, assinalou sua preocupação com a hipótese, nada remota, de severas dificuldades no fornecimento de energia elétrica. A restrição poderia estar na volta esquina, contrariando declarações feitas nos altos escalões do Executivo, a garantir a segurança do suprimento.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O senador Aloísio Mercadante, em recente declaração a um importante jornal, assinalou sua preocupação com a hipótese, nada remota, de severas dificuldades no fornecimento de energia elétrica. A restrição poderia estar na volta esquina, contrariando declarações feitas nos altos escalões do Executivo, a garantir a segurança do suprimento. Por ser figura das mais eminentes no palco político, a declaração do Senador Mercadante tem de ser levada a sério e parece ser sintomática da decisão governamental de retomar a construção da usina nuclear de Angra III, há décadas interrompida sob o argumento, entre outros, dos graves riscos ambientais decorrentes do resíduo tóxico não degradável.
O episódio de Three Miles Island, o desastre de Tchernobyl e, agora, o grave acidente com a usina nuclear japonesa de Kasawasaki, colocaram a energia nuclear em quarentena; mas com o passar do tempo e os avanços tecnológicos, existem evidentes sinais de retomada da construção desse tipo de usina. Estados Unidos, Rússia, China, Coréia e Japão planejam aumentar substancialmente a criação de novas usinas nucleares, até o ano 2020.
As usinas nucleares têm importante papel na matriz energética dos países europeus, como a França, com 59 reatores que geram 78% da energia elétrica total do país, e a Lituânia, com um único reator, que fornece mais de 80% da energia que consome. Países como a Suécia, com 10 reatores, a Espanha com 9, a República Tcheca e Eslováquia com 6 têm na energia nuclear uma presença importante em suas matrizes energéticas. No Reino Unido, 24 usinas nucleares geram 20% da eletricidade consumida.
Fontes oficiais e institutos de pesquisa indicam que o Brasil necessitará de um aumento da potência instalada, de origem hídrica, ao ritmo de 4 mil MW anuais, até 2030. A questão ambiental para a construção das duas usinas no Rio Madeira parece estar resolvida, porém, elas só estarão operativas, com 6.200 MW instalados, por volta de 2012/13; isso sem que aconteçam maiores percalços, prováveis em grandes obras levadas a cabo em regiões sujeitas a períodos longos de chuvas.
A construção de hidrelétricas, dizem autoridades do Governo, não elide a necessidade de instalar, até 2030, 8 mil MW provenientes de usinas nucleares.Com a retomada das obras de Angra III e a instalação do reator pela Framatome, braço do consórcio franco alemão Areva/Siemens., tudo parece indicar que na esteira dessa retomada novas centrais nucleares venham a ser em breve instaladas em nosso País. Presentemente, esse consórcio instala uma usina na Finlândia e outra na França, com reatores de terceira geração (EPWR), que se beneficiam da experiência francesa e alemã, em relação às versões anteriores.Os novos reatores têm blindagem reforçada em torno do equipamento e quatro sistemas integrados de segurança.
Apesar das fortes objeções que ainda permanecem por parte dos defensores do meio ambiente, dois argumentos poderosos falam em favor das usinas nucleares. Em primeiro lugar, por uma questão de segurança energética, face à tendência de constante aumento no preço dos combustíveis fósseis; em segundo lugar, pela consciência ecológica de que a sustentabilidade do desenvolvimento econômico depende do ritmo de redução do aquecimento global, provocado pelo uso de combustíveis fósseis, como petróleo e gás.
Publicado no Jornal do Brasil de 13/09/2007, pág. A-11 (2ª edição)