Depois de responder questões sobre a política monetária e a esperada adoção de regras para a remuneração dos executivos do mercado financeiro, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo teve aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (23), sua indicação para ocupar o cargo de diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC). Sem abstenções, a votação foi encerrada com 23 votos favoráveis e apenas um contrário. Ele é servidor de carreira e vinha chefiando o Departamento de Estudos e Pesquisas da instituição.
Depois de responder questões sobre a política monetária e a esperada adoção de regras para a remuneração dos executivos do mercado financeiro, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo teve aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (23), sua indicação para ocupar o cargo de diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC). Sem abstenções, a votação foi encerrada com 23 votos favoráveis e apenas um contrário. Ele é servidor de carreira e vinha chefiando o Departamento de Estudos e Pesquisas da instituição. A mensagem presidencial com a indicação agora irá a Plenário, para decisão final.
Na sabatina, Carlos Hamilton confirmou que a proposta do BC para regular a remuneração dos executivos e agentes da área financeira está em elaboração, devendo ficar aberta a consulta pública até o início de maio. Segundo ele, a intenção não é impor limites aos ganhos, mas buscar formas de remuneração que reflitam os riscos de longo prazo das atividades. Por enxergar riscos à segurança dos dirigentes, ele foi reticente quanto à ideia de que os salários e bonificações sejam publicamente divulgados.
– É um ponto em aberto da proposta, mas há a questão da segurança das pessoas e o Banco Central tem que estar atento a esse ponto. Nós não podemos colocar em risco a segurança dos executivos e de suas famílias – disse.
Estudos sobre as causas da crise financeira mundial de 2008, marcada pela quebra de bancos, apontam entre os fatores a ausência de controles sobre os ganhos de executivos e operadores do mercado. A atratividade dos bônus sobre ganhos de curto prazo teriam servido de estímulo a operações de risco cada vez maior. Segundo Carlos Hamilton, o Brasil decidiu adotar regras de controle como parte de compromisso assumido no âmbito do G-20 (grupo dos países mais ricos e emergentes).
Os esclarecimentos sobre o tema foram solicitados pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o relator da mensagem com a indicação de Carlos Hamilton. Suplicy, no entanto, minimizou a idéia de que a divulgação dos ganhos possa implicar riscos à segurança dos executivos. Como argumento, ele lembrou que os salários dos grandes craques de futebol são amplamente divulgados, sem que os atletas deixem de ser “pessoas muito queridas pelo povo”.
– Quem sabe um dia ainda se poderá chegar à transparência na divulgação da remuneração dos altos executivos financeiros – defendeu Suplicy.
Conquista
Carlos Hamilton deverá substituir Maria Celina Berardinelli Arraes, que deixou a Diretoria de Assuntos Internacionais para reassumir suas funções no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), seu órgão de origem. O indicado defendeu o sistema de metas de inflação e o câmbio flutuante, políticas que, como afirmou, ao lado do equilíbrio das contas públicas, formam o tripé que explica a boa situação da economia do país em relação ao passado. Como disse, essa foi uma conquista de toda a sociedade.
– Dessa Casa mesmo vinham apelos dos que não aceitavam mais conviver com a inflação e que pediam uma política comprometida com a estabilidade. Resta ao Banco Central manter-se continuamente vigilante e pronto para agir que os ganhos obtidos sejam permanentes – disse.
Cobrado a explicar porque os juros ainda são tão altos no Brasil, ele disse que a comparação com o passado revela avanços e que, a médio prazo, as taxas devem cair ainda mais. Sobre a alta e persistente diferença entre os juros cobrados pelos bancos e as taxas que as instituições pagam aos aplicadores (spreads), ele disse que é preciso ter cuidado com essas comparações feitas com outros países. Conforme assinalou, as estatísticas lá fora muitas vezes só consideram operações de menor risco, com juros menores.
Em resposta a Jefferson Praia (PDT-AM), o sabatinado assegurou ainda que o ano eleitoral em nada influirá sobre a condução da política monetária.
– A experiência tem mostrado que o Banco Central atuando de forma autônoma tem permitido manter a inflação em níveis baixos e relativamente estáveis, o que tem contribuído para o recente processo de crescimento econômico. Entendo que a manutenção dessa linha só ajudará o país – disse. (Agência Senado)