CNC participa de seminário sobre desdobramento da crise financeira global

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Os desdobramentos da crise financeira global foram discutidos nesta terça-feira (17), no auditório da TV Câmara, durante o Seminário Internacional – Desdobramento da Crise Financeira Global, promovido pelas comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, com apoio do Sistema CNC-SESC-SENAC, CNI e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


O vice-presidente da CNC, Luiz Gil Siuffo, presente na mesa de abertura do evento, declarou que a forma como o governo se posicionou durante a crise ajudou o país a ser um dos pr

Os desdobramentos da crise financeira global foram discutidos nesta terça-feira (17), no auditório da TV Câmara, durante o Seminário Internacional – Desdobramento da Crise Financeira Global, promovido pelas comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, com apoio do Sistema CNC-SESC-SENAC, CNI e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


O vice-presidente da CNC, Luiz Gil Siuffo, presente na mesa de abertura do evento, declarou que a forma como o governo se posicionou durante a crise ajudou o país a ser um dos primeiros a sair dela. “O governo acreditou na força do mercado interno e foi essa força que manteve a produção ativa, permitindo que o Brasil recuperasse rapidamente os empregos que se perdiam a cada informe de ‘agências de risco’, que só afastavam os novos investidores”.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, acredita que o país está passando por um momento positivo. Segundo ele, o quadro atual revela um esgotamento de um passado e um início de algo novo. “As ações governamentais realizadas durante essa crise foram decisivas para superar o momento e não resultaram em aumento do desemprego e da pobreza, o que comprova que as decisões abriram novas perspectivas de o Brasil construir um quadro melhor do que estava no período pré-crise”, explicou. Contudo, Pochmann afirmou que a crise financeira mundial ressaltou problemas que ainda não foram solucionados pela comunidade internacional. 


O Setor Privado

Para o economista-chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, o país está vivendo um momento de euforia econômica. Ele afirma que o Brasil foi um dos últimos países a entrar e um dos primeiros a sair da crise. Além disso, hoje o país apresenta, em alguns setores, como o comércio, resultados melhores do que os registrados no período pré-crise. No comércio, a expectativa de crescimento para o PIB, em 2010, é de cerca de 6%. Um bom resultado, de acordo com o economista. Mas, segundo Freitas, ainda há uma pendência, “Dependemos agora de como o governo americano vai baixar as taxas de juros. E essas incertezas estão desfavorecendo o crédito”, afirmou. O problema é que as altas taxas de juros fazem com que o crédito fique mais caro. “As altas taxas de juros geram spreads bancários muito altos e impedem o pleno desenvolvimento da economia”, explicou. No geral, a avaliação de Carlos Thadeu é positiva. “O país vai continuar a crescer, as operações de crédito estão aumentando e também o mercado consumidor, assim como o equilíbrio do câmbio, o que ajuda o desenvolvimento do país e atrai investidores”, finalizou.


A regulação nos EUA e no Brasil

O convidado norte-americano, vice-presidente do Banco Central norte-americano de Atlanta, John Robertson, que também participou do seminário, explicou que seu país desencadeou a crise porque a regulação existente não ofereceu liquidez suficiente ao sistema financeiro. Além disto, várias instituições que atuavam como bancos não eram supervisionadas e não houve um controle efetivo sobre as operações com títulos derivados do mercado imobiliário.

No Brasil, isso é diferente: todas as operações com derivativos são registradas e são restritas ao sistema financeiro. E os bancos têm de obedecer limites rígidos para o total de empréstimos em relação ao seu capital.


Já o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, deputado Edmilson Valentim (PCdoB-RJ), elogiou a situação do Brasil no enfrentamento da crise internacional, mas alertou que o quadro geral não é satisfatório. “O Brasil, de forma geral, é visto como experiência positiva, mas não nos basta contemplar essa realidade diante das diferenças sociais enormes que temos, que vai do trabalho escravo à tecnologia de ponta, como é o caso da Petrobras”, comentou.

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