Audiência debate concentração e custos dos cartões

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O chefe do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central (BC), José Antônio Marciano, defendeu, nesta quinta-feira (8/10), a possibilidade de os lojistas oferecerem preços diferenciados segundo o meio de pagamento.

O chefe do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central (BC), José Antônio Marciano, defendeu, nesta quinta-feira (8/10), a possibilidade de os lojistas oferecerem preços diferenciados segundo o meio de pagamento. Na prática, ele reivindicou a oferta de desconto para quem pagar em dinheiro em vez de cartão de crédito.


Em audiência pública das comissões de Finanças e Tributação; e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, ele disse que cada meio de pagamento (dinheiro, cheque ou cartão) tem “custos e benefícios” específicos e cabe aos lojistas e aos consumidores negociarem a melhor forma de pagamento. A negociação seria livre, não sendo, necessariamente, determinada pela regulamentação do setor.


Segundo Marciano, o Banco Central; a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda; e a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, concluíram um relatório sobre os custos do uso do cartão de crédito que identificou a concentração dos credenciadores no mercado de cartão de crédito como um dos pontos que dificultam a livre negociação entre as partes.


As duas principais bandeiras do mercado brasileiro, Visa e Mastercard – que respondem por 89% das transações de crédito -, têm contratos de exclusividade com as credenciadoras Visanet e Redecard, respectivamente. Na avaliação do funcionário do Banco Central, essa estrutura impede negociações entre os lojistas e as bandeiras de cartão. “Seria muito adequado que essa predominância fosse diminuída”, declarou.


Uma eventual regulamentação sobre esse assunto, destacou Marciano, não iria afetar o funcionamento da indústria de cartões no País. “Ninguém aqui está falando que somos contrários às vendas com cartões. Queremos é melhorar sua eficiência. A indústria vai continuar forte, e qualquer medida que venha a ser tomada vai preservar o funcionamento normal da indústria”, afirmou.


Custos

Durante a audiência, diversos deputados – como o autor do requerimento para a realização do evento, Guilherme Campos (DEM-SP) – cobraram a otimização dos serviços prestados pelo setor para que os custos, especialmente dos lojistas, sejam reduzidos. Uma dessas demandas foi justamente a unificação dos POS (as máquinas em que os cartões são conectados para registro do débito), para que um equipamento possa atender a usuários de todas as bandeiras.


Diante da cobrança, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Paulo Rogério Caffarelli, afirmou que isso será possível a partir de junho de 2010, quando a mesma máquina poderá processar compras efetuadas com qualquer marca de cartão de crédito. Ele também lembrou que hoje, em alguns grandes estabelecimentos, como supermercados, essa operação conjunta já é possível.


Guilherme Campos também pediu a livre negociação na oferta de descontos segundo a forma de pagamento escolhida. “Eu sou favorável a que a transação permita que as partes cheguem a um acordo na oferta de descontos segundo o meio de pagamento escolhido, que o consumidor tenha claro os custos referentes a cada meio de pagamento possível”, declarou.


Vantagens e desvantagens

Numa comparação entre os três principais meios de pagamento utilizados no Brasil, o BC enumerou as seguintes vantagens e desvantagens de cada um:


Vantagens:

Dinheiro – todos os comerciantes são obrigados a aceitar, liquidez;

Cheque – parcelamento, liquidez;

Cartão de crédito – parcelamento, garantia de recebimento e facilidades no gerenciamento de caixa.


Desvantagens:

Dinheiro – segurança, manuseio e transporte (para levar aos bancos);

Cheques – inadimplência, manuseio e transporte;

Cartão de crédito – aluguel de POS e telefone.


“Os estabelecimentos devem ter consciência dos meios que têm para definir o melhor instrumento”, declarou Marciano. “No caso do consumidor, há outras variáveis, como o dia da compra e do crédito disponível para saber qual a melhor forma de pagamento”, acrescentou.


Baixa renda

Outra crítica feita por Campos ao setor foi o nível das taxas cobradas pelos contratos com as operadoras. O diretor da Área Fiscal e Tributária da Abecs, Ivo Vieitas, afirmou que as taxas cobradas pela indústria de cartão de crédito no Brasil são mais elevadas para garantir o acesso da população de menor renda ao sistema.


“O Brasil tem aumentado a concessão de crédito em cerca de 45% ao ano, e isso não se faz entre os mais ricos”, declarou ele. “Aumentamos a tolerância a sinistro, já que a camada da base da população é mais instável e apresenta maior inadimplência. Para ela ter cartão de crédito, é necessário que uma parte das taxas garanta o equilíbrio”, acrescentou. Ele afirmou, no entanto, que o objetivo do setor é ampliar ainda mais a quantidade de pessoas que usam o cartão.


 


 

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