O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira para 8,75% – um corte que ficou em linha com as expectativas da maior parte dos analistas de mercado. A redução de 0,5 ponto percentual, entretanto, mantém o Brasil no quinto lugar do ranking das economias com as maiores taxas de juros reais do mundo, o que motivou reações por parte dos empresários em favor de reduções nas próximas reuniões do Comitê, em setembro e dezembro deste ano.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira para 8,75% – um corte que ficou em linha com as expectativas da maior parte dos analistas de mercado. A redução de 0,5 ponto percentual, entretanto, mantém o Brasil no quinto lugar do ranking das economias com as maiores taxas de juros reais do mundo, o que motivou reações por parte dos empresários em favor de reduções nas próximas reuniões do Comitê, em setembro e dezembro deste ano.
Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), não há pressões inflacionárias que possam recomendar a interrupção do ciclo de queda da Selic. Para a Entidade, a expectativa, baseada na fraca demanda interna no País, é de que a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência para o regime de metas de inflação do governo – encerre o ano em 3,7%. “O consumo está fraco, e mesmo a demanda por serviços, que tem se mantido alta, tende a enfraquecer nos próximos meses”, afirma o chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes. Para o consultor econômico da entidade, o ex-ministro da Fazenda Ernane Galvêas, “considerando o elevado montante das reservas cambiais, não há necessidade de manter alta a taxa Selic, nem como elemento de equilíbrio do balando de pagamentos, nem como instrumento de prevenção contra a inflação”.
As Federações estaduais filiadas à CNC também defendem a continuidade de cortes na taxa Selic. Para o presidente da Fecomercio-RJ, Orlando Diniz, a redução de meio ponto representa o mínimo necessário para gerar empregos. “Esse recuo já é capaz de reduzir o custo de crédito, demandando um menor esforço fiscal para o pagamento de juros e o governo ganha margem para aliviar em 2% a carga tributária das empresas”. O presidente da Fecomercio-MG, Renato Rossi, afirma que a redução da Selic contribui para a recuperação da economia e para o fortalecimento do mercado interno. “O País só sairá da crise por meio do dinamismo de sua economia interna, haja vista as dificuldades do mercado externo. Além disso, juros menores contribuem para potencializar a competição de nossos produtos exportáveis.”, diz o empresário mineiro, para quem as empresas, neste momento, precisam de capital de giro mais barato para garantir a atividade, já que as margens de rentabilidade estão muito estreitas e isto coloca em risco a sua capacidade de manter empregos.
Segundo a Fecomercio de São Paulo, a redução de 0,5 ponto percentual está no caminho certo, mas o ciclo de queda da taxa está atingindo o limite. A entidade reforça que, com a redução da taxa, o governo deve criar oportunidades para que os juros também baixem para o consumidor. “A batalha agora está no campo das administradoras de cartão, dos bancos para reduzir o spread e das financeiras e não mais no Banco Central”, afirmou o presidente da Federação, Abram Szajman.