Cheques sem fundo batem recorde em maio

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Um recorde histórico. De acordo com o indicador Serasa Experian, divulgado hoje, o número de cheques sem fundo em maio é maior desde 1991: foram registradas 25,2 devoluções de cheques a cada mil compensações no mês.

Um recorde histórico. De acordo com o indicador Serasa Experian, divulgado hoje, o número de cheques sem fundo em maio é maior desde 1991: foram registradas 25,2 devoluções de cheques a cada mil compensações no mês. Ao todo, foram devolvidos 2,49 milhões de cheques em maio deste ano e compensados 98,74 milhões.


Para o economista Antonio Everton Chaves Junior, da Divisão Econômica da Confederação  Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos quatro primeiros meses do ano a crise internacional atingiu fortemente o Brasil, causando impacto sobre a produção e gerando desemprego, fatos que podem explicar a alta do número de cheques sem fundo registrada em maio. Por outro lado, no período também houve alta no consumo, incentivada pela oferta de produtos isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pelas vendas relativas a feriados e datas festivas, como a Páscoa e o Dia das Mães. “Não bastassem estes motivos, o consumidor, na hora da compra do bem, está mais preocupado com o comprometimento da prestação sobre o seu orçamento do que com o total de juros que irá desembolsar”, acrescenta.


A prorrogação da isenção do IPI para carros vai influenciar positivamente o cenário de consumo, mesmo com inadimplência em alta. Antonio Everton explica que o consumidor se beneficiará com o repasse para os preços. “Aliado ao cenário de estabilidade, pode-se estimar que o consumo tenderá a crescer nos próximos meses”. Segundo ele, o sistema de crédito através do parcelamento das compras vem dando suporte à demanda, propiciando grande parte das vendas do comércio.


Ao todo, foram devolvidos 12,11 milhões de cheques de janeiro a maio deste ano, e compensados 512,73 milhões. Na relação dos cinco primeiros meses de 2009 sobre igual período de 2008, o número de cheques devolvidos a cada mil compensados cresceu 16,3%. 


Crédito


Outra pesquisa da Serasa Experian chama a atenção: a procura das empresas por crédito registrou alta de 5,5% em maio, na comparação com abril, aponta o Indicador Serasa Experian de Demanda. É a terceira alta mensal consecutiva na comparação mês a mês. Na classificação por porte, a procura das micro e pequenas empresas cresceu 5,9%. No acumulado do ano, porém, o segmento mantém a liderança na queda da demanda por crédito: -7,8%, ante 4,8% das médias empresas e -1,2% das grandes. “A expansão do crédito exerce função preponderante tanto para o consumo quanto para o investimento. No caso das microempresas, as barreiras para o empresário obter recursos são inúmeras, sendo as maiores a burocracia, as taxas cobradas e as garantias exigidas. Para muitas destas empresas, a  vigência do cadastro positivo deverá facilitar  a obtenção de capital”, detalha Antonio Everton.


A queda dos juros para a concessão de empréstimos nos segundo semestre do ano está acontecendo, mas de forma gradual, ainda muito pouco sentida pelo tomador, afirma o economista: “Como os spreads e os juros reais ainda são altos devido à inadimplência, risco, recolhimento compulsório, dentre outros fatores, a tendência de queda da taxa Selic tem motivado os setores produtivos a pressionarem os agentes financeiros para reduzirem a taxa de juros. Assim, há espaço para os juros declinarem. Todavia, a inadimplência observada no volume de cheques sem fundos contribui para que o processo seja lento”.


Parceria CNC Equifax


Em tempos de inadimplência, todo cuidado é pouco. Para diminuir os riscos dos empresários, a CNC e a Equifax mantém uma parceria para oferecer e produtos para análise e informação de crédito, com possibilidade de consulta ao banco de dados Equifax, com informações sobre o comportamento comercial de pessoas físicas e jurídicas, 24 horas por dia, e uma avaliação sobre o real potencial de crédito de seus clientes.

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