CNC participa de audiência pública sobre crise econômica na Câmara dos Deputados

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O chefe da Divisão Econômica da CNC e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, compareceu no dia 27 de maio à audiência pública de uma das comissões especiais da Câmara dos Deputados destinadas a examinar e avaliar a crise econômico-financeira – a criada com o objetivo de formular propostas ao poder Executivo no que diz respeito ao sistema financeiro e mercado do país.


As comissões especiais possuem caráter temporário e são criadas para examinar e dar parecer sobre variadas proposições, apresentando, quando necessário, projetos de Lei sobre eles.

O chefe da Divisão Econômica da CNC e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, compareceu no dia 27 de maio à audiência pública de uma das comissões especiais da Câmara dos Deputados destinadas a examinar e avaliar a crise econômico-financeira – a criada com o objetivo de formular propostas ao poder Executivo no que diz respeito ao sistema financeiro e mercado do país.


As comissões especiais possuem caráter temporário e são criadas para examinar e dar parecer sobre variadas proposições, apresentando, quando necessário, projetos de Lei sobre eles. Nessa 53ª legislatura, existe uma comissão especial sobre a crise econômica para cada setor: indústria, comércio, agricultura, serviço e emprego e sistema financeiro e mercado. Esta última contou, em sua terceira seção legislativa, com a participação dos dois principais setores produtivos do país: comércio e indústria. 


Representante do setor terciário, Thadeu de Freitas fez uma exposição aos deputados Leonardo Quintão (PMDB/MG), presidente da Comissão, Simão Sessim (PP/RJ) e Celso Maldaner (PMDB/SC) sobre como o sistema financeiro e o mercado do Brasil estão reagindo diante da crise. Como principais fatores de agravamento do cenário atual, Thadeu de Freitas apontou a restrição de crédito para as empresas e as famílias, levando à redução do consumo e investimentos; o aumento do desemprego, com queda na renda e na confiança do consumidor; e medidas protecionistas e preventivas, com contração dos fluxos de comércio exterior, entre outros. Para o economista, os principais impactos causados pela crise no Brasil foram a queda da Balança Comercial, devido à queda das transações comerciais pelo mundo, e os problemas da escassez de crédito, o qual ele acredita estar ligado à lentidão na resposta do Banco Central ao reagir à elevação do spread bancário no final de 2008, e da taxa de juros futura.


Assim como André Marques Rebelo, palestrante do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da FIESP, Carlos Thadeu apresentou dados do IBGE que demonstram a atividade econômica do Brasil nos últimos anos e a queda da indústria. No Comércio, os reflexos não foram tão graves, já que o consumo ainda resiste à crise. “A queda na taxa real de juros, a elevação da liquidez e a recuperação do crédito à pessoa física são alguns dos parâmetros positivos que demonstram a resistência do comércio à crise, diferentemente da indústria, que tomou um tombo muito forte e não deve levantar tão cedo”, afirmou. Os gráficos apresentados na audiência demonstraram que o volume de vendas no comércio varejista mantém-se num patamar razoável, apesar de sofrer forte variação. Na comparação de março de 2009 frente a maio de 2008, houve queda de cerca de 3,2 pontos, em uma escala de zero a 12.


Outro bom sintoma, segundo Carlos Thadeu, é a melhora da confiança do consumidor. O Índice de Confiança do Consumidor, da Fecomércio/ SP, demonstrou aumento da confiança de abril para maio de 2009.  Há aumento também do investimento estrangeiro em carteira. Ainda assim, pondera o economista, “ainda há incertezas no mercado. Um exemplo é o aumento da inadimplência da pessoa jurídica e da deterioração da qualidade de crédito”. Além disso, o crescimento do spread é a principal conseqüência da inadimplência. Thadeu demonstrou, numa perspectiva positiva, que o spread está caindo, porém muito lentamente. Ele acredita que a recuperação da economia ainda depende de uma política monetária mais contundente, no que diz respeito às taxas de juros. “No Brasil, o corte foi de apenas 25%, enquanto diversos país cortaram em mais de 50% as suas taxas. O Chile, por exemplo, cortou 85%. Acredito que a Selic possa chegar a 7%”, finalizou Thadeu.

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