Ampliação do crédito pode ser saída para crise no Brasil

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A ampliação da oferta de crédito em tempos de crise financeira mundial, especialmente às pequenas e médias empresas, poderá ser a saída para a retomada do crescimento da economia brasileira, já que o setor exportador não vem esboçando sinais de reação.

A ampliação da oferta de crédito em tempos de crise financeira mundial, especialmente às pequenas e médias empresas, poderá ser a saída para a retomada do crescimento da economia brasileira, já que o setor exportador não vem esboçando sinais de reação. A medida deverá constar do relatório a ser elaborado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) no âmbito da Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e de Empregabilidade e foi suscitada, nesta terça-feira (5), durante audiência pública com representantes das federações das indústrias dos estados de São Paulo (Fiesp) e do Rio Grande do Sul (Fiergs).


O diagnóstico traçado por Jereissati foi confirmado pelo representante da Fiesp, o economista Paulo Francini, que revelou queda de 15% na oferta de crédito a empresas no primeiro trimestre de 2009 (em comparação com o período de julho a setembro de 2008, quando começou a crise). Conforme observou, a inadimplência contribui para a retração dessas operações, embora pesquisa da Fiesp com 150 empresas tenha revelado que, em meio a dificuldades financeiras, só 20% cogitem suspender o pagamento de compromissos bancários. Para desafogar as finanças, 52% preferem adiar o pagamento de impostos.


O presidente da comissão, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), indagou sobre a existência de divergências entre a Fiesp e os bancos sobre o cálculo do spread bancário, que é influenciado pelo risco de inadimplência do tomador. Paulo Francini expressou uma posição de respeito à política dos bancos nessa área, ponderando que o atual patamar da taxa de juros básica (Selic) “é um potente estimulante ao não-crédito”.


Ainda sobre os juros, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) questionaram o representante da Fiesp sobre a tendência a ser assumida pela Selic durante a crise mundial. O economista acredita que a taxa continuará a ser reduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e deveria se situar, na sua opinião, em 7% ao ano para atuar como estímulo à oferta de crédito.


O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), perguntou a posição da Fiesp em relação a mudanças na caderneta de poupança destinadas a evitar uma eventual migração maciça de investidores de títulos públicos, muitos deles remunerados pela Selic. Sem uma resposta pronta, Paulo Francini se comprometeu a enviar para o senador estudo da entidade sobre o assunto.


O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) compartilhou da mesma opinião de Paulo Francini e de Paulo Fernandes Tigre, presidente da Fiergs, a respeito da necessidade de se equilibrar as finanças públicas a partir do corte de despesas correntes.


– Se o Estado fosse uma empresa já teria quebrado. Falta capacidade de gestão. É preciso cortar gastos para poder elevar a capacidade de investimento – argumentou Paulo Francini.


Por fim, a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) apontou a importância de se atrelar o investimento aos seus resultados e lamentou que o projeto que institui o cadastro positivo de contribuintes, que também influenciaria o spread bancário, esteja tramitando há dois anos na Câmara dos Deputados. Paulo Francini também disse não entender a demora para a votação da matéria.


Agência Senado, 5 de maio de 2009.


 

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