O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira que o governo está elaborando um fundo garantidor de empréstimos feitos às pequenas e médias empresas para aumentar a oferta de crédito ao setor.
Ele não informou quando o instrumento estará disponível, mas afirmou que há uma demanda reprimida de até 50% na oferta de crédito para essas empresas.
Essa situação, acredita o ministro, foi motivada pelo aumento na quantidade de tomadores de crédito nos bancos e a maior restrição na concessão por parte dessas instituições financeiras, motivada pela crise econômica mun
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira que o governo está elaborando um fundo garantidor de empréstimos feitos às pequenas e médias empresas para aumentar a oferta de crédito ao setor.
Ele não informou quando o instrumento estará disponível, mas afirmou que há uma demanda reprimida de até 50% na oferta de crédito para essas empresas.
Essa situação, acredita o ministro, foi motivada pelo aumento na quantidade de tomadores de crédito nos bancos e a maior restrição na concessão por parte dessas instituições financeiras, motivada pela crise econômica mundial.
“As pequenas e médias empresas foram sacrificadas porque houve um aumento no número de clientes, e os bancos puderam optar melhor para quem emprestar, daí as menores foram excluídas”, disse Mantega durante audiência pública na Câmara sobre a crise ecônomica mundial.
Lastro de crédito
A medida foi saudada pelos parlamentares que participaram da audiência. O deputado Vignatti (PT-SC), por exemplo, considera que a medida vai permitir “um lastro de crédito extraordinário” para esse segmento econômico, uma vez que o próprio Tesouro Nacional será o avalista desses empréstimos. Ele lembrou que o fundo garantidor era uma reivindicação da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, que ele coordena.
O deputado Armando Monteiro (PTB-PE), que também preside a Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que o problema do crédito é o que “mais inquieta” o setor produtivo de uma maneira geral.
“Há uma grande dificuldade em fazer o crédito chegar a quem precisa, pois é caro, escasso, e as médias e pequenas empresas estão muito sacrificadas”, declarou.
Pior já passou
Durante a audiência, Guido Mantega afirmou que o pior período da crise econômica “já passou” e que os indicadores apurados nas últimas semanas demonstram melhora no sistema de crédito internacional, foco inicial da crise mundial.
“Nós notamos algumas melhorias nesse segmento, embora ainda não tenha sido equacionado o problema dos ativos tóxicos, lastreados em hipotecas e em outras aplicações temerárias. Porém, o mercado está mais calmo, o crédito interbancário está melhor e começa a financiar a produção”, ressaltou o ministro.
Essa suposta mudança nos rumos da crise, destacou Mantega, não deverá impedir que “a maioria dos países avançados e alguns países emergentes” passem por um período de recessão em 2009.
“O que eu posso ver é o encurtamento da crise a partir de medidas fortes que vêm sendo tomadas pelos países, com uma intervenção forte do Estado”. Para ele, é provável que, já no último trimestre do ano, algumas economias, como a americana, apresentem índices positivos de crescimento com repercussão favorável sobre o Brasil a partir de 2010.
Medidas
Mantega reiterou ainda que o Brasil deverá ser um dos primeiros países a superar os efeitos da crise econômica, por conta das medidas “anticíclicas” adotadas pelo governo – como a redução nos juros básicos, flexibilização da política monetária motivada pelo aumento da oferta de crédito e medidas fiscais como a redução de tributos e aumento de investimentos.
Segundo ele, nas crises anteriores, a economia do País era mais frágil e agravava a crise, pois provocava fuga de capitais dos investidores internacionais.
“Com isso, o governo elevava a taxa de juros para segurar a fuga de capitais, a dívida pública subia e, para compensar, o governo cortava gastos e investimentos, derrubando a atividade e o PIB”.
Geração de empregos
Como indicadores de que a crise estaria afetando o Brasil de maneira “mais tênue”, Mantega destacou que o Ministério do Trabalho apurou que, em março, o saldo na geração de empregos formais atingiu 34,8 mil vagas.
“As admissões superaram as demissões, isso é sinal que a crise está mais tênue no Brasil”, declarou. O ministro disse ainda “ter informações” de que o nível de inadimplência está menor neste mês do que o verificado em março, o que também indicaria um arrefecimento da crise.
Agência Câmara, 16 de abril de 2009.