O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, afirmou que Nordeste não pode cair na ilusão do “pobrismo”, que seria resolver os problemas com iniciativas de caráter artesanal, nem no “são-paulismo”, que seria desenvolver a região instalando uma versão tardia do modelo de industrialização de São Paulo.
O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, afirmou que Nordeste não pode cair na ilusão do “pobrismo”, que seria resolver os problemas com iniciativas de caráter artesanal, nem no “são-paulismo”, que seria desenvolver a região instalando uma versão tardia do modelo de industrialização de São Paulo. Ele também criticou o “pontilhismo” político, ou as inciativas pontuais, que seria “cada um defender o seu buscando incentivos e subsídios”.
Durante café da manhã com a bancada nordestina, o ministro propôs a concentração de esforços no empreendedorismo emergente e na inventividade técnica popular. Ele afirmou que o foco deve ser as pequenas e médias empresas, organizadas em cooperativas, em uma empresa âncora ou pelo próprio governo. Na agricultura, disse que é preciso reorganizar o mercado, libertando os produtores dos atravessadores e resguardando a agricultura contra o risco, entre outros pontos.
Afirmou que já vem trabalhando com o Ministério da Educação em uma nova escola média, que deverá ser implementada primeiramente no Nordeste. Segundo ele, trata-se de um novo ensino geral, que priorize a análise, sem o “decoreba”, e um ensino técnico voltado para o domínio de práticas.
Na área de infraestrutura, disse que o governo já vem trabalhando na integração de bacias e na ligação ferroviária. “O Nordeste pode ser a nossa China, no sentido da inovação”, disse.
Segundo Mangabeira, a construção de uma estratégia que seja ao mesmo tempo produtivista e democratizante para o Nordeste, sobretudo para o semi-árido, onde vive mais da metade da população Nordestina, é extremamente necessária para que a região não fique restrita a uma dinâmica concentradora de renda, de riqueza e de poder.
“O Nordeste brasileiro, hoje, conta com muita ação empreendedora e cultural, mas falta um grande projeto capaz não só de resolver os problemas do Nordeste, mas de resolvê-los de uma maneira que aponte caminhos para o Brasil. Precisamos aproveitar essa imensa vitalidade, esse acúmulo de vínculos associativos, esse dinamismo inventivo. Essa é uma grande questão nacional. Não é apenas uma questão regional”, destaca o ministro.
No dia 24 de abril, o ministro vai se reunir com governadores do Nordeste em Natal, para a discussão desses assuntos. Ele manifestou a preocupação em dar andamento aos projetos neste ano, porque no ano há eleições gerais.
Agência Câmara, 1 de abril de 2009.