Mesa Brasil Sesc é citado como referência entre os programas mais eficazes de combate à fome

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O primeiro painel realizado na manhã desta quarta-feira (8) teve como título O Cenário da Pobreza e da Fome, e contou com os conferencistas Ricardo Paes de Barros, do IPEA, e Carlos Monteiro, da USP.

O primeiro painel realizado na manhã desta quarta-feira (8) teve como título O Cenário da Pobreza e da Fome, e contou com os conferencistas Ricardo Paes de Barros, do IPEA, e Carlos Monteiro, da USP. Ambos abordaram a eficácia dos programas de transferência de renda na erradicação da fome no Brasil.


Paes de Barros iniciou sua palestra afirmando que a produção brasileira de alimentos é suficiente para alimentar com folga toda a população, e citou números que comprovam que o país atingiu, em 2006, a meta estipulada na Declaração do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU), de reduzir a extrema pobreza à metade até 2015. “Apesar disto, ainda há fome no país”, disse, creditando o fato à desigualdade social e afirmando que, ao contrário do que as pessoas costumam pensar, a questão não é tão grave por conta dos programas desenvolvidos pelas redes de solidariedade, como o Mesa Brasil Sesc, que combatem a insegurança alimentar ao realizar redistribuições de alimentos. “Estas redes de solidariedade são mais eficientes do que as de distribuição de renda e, graças à sua atuação, 92% das famílias de baixa renda não estão em condições de subnutrição”, afirmou.


Para Carlos Monteiro, erradicar a fome através da distribuição de renda requer volume bem maior de recursos do que os utilizados, por exemplo, pelo Bolsa Família. Para ele, é preciso associar o acesso à alimentação aos programas de saúde: “O melhor indicador da boa nutrição da população é a altura alcançada pelas crianças até 5 anos de idade. Em 2007, 6,8% das nossas crianças possuíam déficit de altura para a sua idade. É um percentual alto, mas, em 1975, ele chegava a 37,1%”, disse.


A eficácia dos programas de combate à fome também foi tema do palestrante Eduardo Rio Neto, da Cadeplar, que falou sobre A Dimensão Nutricional do Bolsa Família. Para ele, o programa do governo federal tem a vantagem de focar diretamente um público bastante necessitado, o que contribui para o aumento da segurança alimentar. “De 1996 a 2007, houve uma queda de 50% nos índices de desnutrição”, completou.


O economista Pedro Olinto, responsável pela América Latina e Caribe do Banco Mundial, concorda que as redes de solidariedade são mais eficientes no combate à fome do que os programas de distribuição de renda. Embasado em números registrados por outros países da América Latina, Olinto abordou o tema Experiência Internacional na Avaliação de Programas de Transferência de Renda, e sugeriu que as alternativas, como o Mesa Brasil Sesc, sejam avaliadas como mais eficazes na erradicação da fome.


Walter Belik, da Unicamp, apresentou o tema “Há uma crise de segurança alimentar no Brasil?”, e afirmou que “programas de combate à pobreza devem ser complementados por programas específicos e locais de promoção de segurança alimentar, como o Banco de Alimentos”. Segundo ele, o Brasil vive um momento propício para a implantação de políticas públicas de gasto social, visto que o Produto Interno Bruto do país vem apresentando crescimento ao longo dos últimos anos: “Entre 1999 e 2007, a elevação do salário mínimo foi de 56,7%”, concluiu.

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