Armínio Fraga defende maior controle dos gastos públicos

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O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que o governo precisa consolidar com urgência as políticas de responsabilidade fiscal, controlando o crescimento do gasto público. Segundo ele, a falta de controle desses gastos tem sido um obstáculo ao crescimento do País. “Não há Banco Central que consiga entregar o que se pretende sem apoio fiscal”, disse. Fraga participou de seminário sobre política monetária e taxa de juros, no plenário 2, realizado na manhã de hoje.


O economista disse também que o País já está maduro para formalizar a autonomia do Banco Central.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que o governo precisa consolidar com urgência as políticas de responsabilidade fiscal, controlando o crescimento do gasto público. Segundo ele, a falta de controle desses gastos tem sido um obstáculo ao crescimento do País. “Não há Banco Central que consiga entregar o que se pretende sem apoio fiscal”, disse. Fraga participou de seminário sobre política monetária e taxa de juros, no plenário 2, realizado na manhã de hoje.


O economista disse também que o País já está maduro para formalizar a autonomia do Banco Central. Segundo ele, a autonomia é necessária para evitar ingerência política no banco em momentos de crise, o que já ocorreu em outros países sul-americanos.


Em relação à atuação do Banco Central, Armínio Fraga disse que há consenso de que o órgão precisa focar sua atenção na inflação e na suavização das flutuações da atividade econômica. O economista também elogiou as conquistas recentes do País em relação à credibilidade econômica e a manutenção do sistema de metas de inflação.


Segundo Fraga, a criação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central qualificou o processo de tomada de decisões sobre as diretrizes da política monetária e sobre a taxa básica de juros. Ele lembrou que, antes da existência do Copom, essas decisões eram tomadas nos finais de reuniões normais de diretoria.


Metas de inflação

O diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Alexandre Antonio Tombini, disse que o sistema de metas de inflação é transparente e inteligível para a sociedade, sendo adotado por 24 países, entre eles o Brasil.


Tombini lembrou que, entre os países que adotam esse sistema, a Nova Zelândia define uma meta de inflação entre 1% e 3% no médio prazo, enquanto a Indonésia tem uma meta de inflação anual de 5%, que pode variar em 1 ponto para cima ou baixo. No Brasil, a meta é de 4,5%, podendo variar 2%.


Em relação aos bancos centrais dos Estados Unidos e de Israel, Tombini lembrou que eles não têm como objetivo apenas a estabilidade de preços, mas têm autonomia. Nos Estados Unidos, além do controle da inflação, o banco central (Federal Reserve) busca assegurar o nível máximo de emprego e taxas de juros de longo prazo moderadas.


Empréstimos consignados

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) criticou a política de concessão de empréstimo consignado aos aposentados. Segundo o parlamentar, o teto de 2,5% de juros ao mês nesses empréstimos é um “assalto” ao aposentado. Além disso, Rodrigo Maia disse que há um descontrole do governo em relação a esse tipo de empréstimo.


O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), presidente da Comissão de Finanças, que promoveu o seminário, discordou. Ele disse que o crédito consignado foi um avanço e que seria preconceito afirmar que as pessoas pobres não têm condições de gerenciar seus recursos.


O diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Alexandre Antonio Tombini, tranqüilizou os deputados e afirmou que o Banco Central está acompanhando as carteiras de crédito consignado oferecidas pelas instituições financeiras. Na avaliação de Tombini, em termos de volume ainda há espaço para o crescimento desse tipo de empréstimo.


Ao fim do seminário, o deputado Pedro Eugênio sugeriu a realização de um novo evento só para discutir os gastos públicos. Mais cedo, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga havia afirmado que a falta de controle desses gastos tem prejudicado o crescimento do País.


CNC, 12 de junho de 2008.


 


 

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