Inflação da baixa renda cresce e freia redução da pobreza no país

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Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-5


Puxada pela forte alta dos alimentos, a inflação sobe neste ano com mais intensidade para as famílias de baixa renda. O fenômeno colocou um freio na tendência de redução da pobreza registrada nos últimos anos no país, segundo especialistas.


Divulgado ontem pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1), que apura a inflação para a renda de 1 a 2,5 salários mínimos, saltou de 0,66% em março para 0,97% em abril.

Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-5


Puxada pela forte alta dos alimentos, a inflação sobe neste ano com mais intensidade para as famílias de baixa renda. O fenômeno colocou um freio na tendência de redução da pobreza registrada nos últimos anos no país, segundo especialistas.


Divulgado ontem pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1), que apura a inflação para a renda de 1 a 2,5 salários mínimos, saltou de 0,66% em março para 0,97% em abril. No acumulado do ano, ficou em 3,19% -acima dos 2,26% de janeiro a abril de 2007. Em 12 meses, a alta chegou a 6,84%, a maior da série do indicador, iniciada em 2005.


O índice geral, pesquisado entre famílias de renda de até 33 salários mínimos, subiu menos -0,72% em abril e 2,16% no acumulado do ano.


A pressão dos alimentos, que subiram 6,27% em 2008, aponta para o recrudescimento da pobreza. “Certamente, a alta dos alimentos coloca um freio na redução do número de pobres e indigentes”, diz Lena Lavinas, economista da UFRJ.


Quanto mais pobres as famílias, diz, mais elas gastam proporcionalmente com alimentos -segundo a FGV, o peso do grupo alimentação é de 40% no IPC-C1, maior do que os 30% do índice geral da instituição.


Essa elevação, diz Lavinas, afeta tanto a diversificação como a qualidade e as quantidades dos alimentos comprados.


Trata-se, afirma, de um movimento às avessas do registrado no Plano Real, quando as famílias ampliaram o número de produtos alimentares.


Para o economista Marcelo Neri, da FGV, o comportamento dos preços dos alimentos “tem um papel importantíssimo” na evolução da pobreza. A situação, diz, apenas é amenizada por causa do aumento do emprego e do salário mínimo.


De 2004 a 2006, a situação era inversa: os alimentos subiram abaixo da média e contribuíram para a redução da pobreza. Segundo o Centro de Políticas Sociais da FGV, o total de pessoas abaixo da linha da pobreza caiu continuamente de 2003, quando bateu no pico recente (28,17%), a 2006 (19,31%). Não existem ainda dados para 2007, pois os cálculos são feitos a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a ser divulgada em setembro.


Tanto Neri como Lavinas dizem que todos os indícios sinalizam estagnação no processo de redução da pobreza. O economista da FGV ressalta que a alta dos alimentos terá ainda maior impacto na queda da desigualdade -que melhora progressivamente desde 2001.


Escalada


Segundo o economista André Braz, da FGV, a pressão dos alimentos se concentra, neste ano, em produtos essenciais e de difícil substituição. “O consumidor não consegue driblar essas altas.” Destacam-se os aumentos do pão francês (8,45%), óleo de soja (32,31%), leite (8,01%) e ovos (8,45%).


A escalada dos preços, diz, deve se manter, ao menos, neste mês -os dados da FGV já apontam fortes altas do pão, carne, arroz, leite e macarrão.


 


 


 


 


 


 

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