O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-17
A aposta em um cenário de juros mais altos com inflação elevada nos próximos meses puxou para baixo as intenções de compra de bens duráveis do consumidor, que se mostrou mais cauteloso e menos otimista em abril. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) despencou 7% em abril ante março. No mês passado, havia subido 3,5% ante fevereiro. Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi a maior queda da série histórica do indicador, iniciada em setembro de 2005.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-17
A aposta em um cenário de juros mais altos com inflação elevada nos próximos meses puxou para baixo as intenções de compra de bens duráveis do consumidor, que se mostrou mais cauteloso e menos otimista em abril. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) despencou 7% em abril ante março. No mês passado, havia subido 3,5% ante fevereiro. Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi a maior queda da série histórica do indicador, iniciada em setembro de 2005. Mas é cedo para saber se o mau humor vai perdurar.
A pesquisa abrange amostra de mais de 2 mil domicílios, com entrevistas entre os dias 1º e 21 deste mês, em sete capitais. A FGV apurou que, em abril, houve piora tanto nas avaliações sobre a situação atual, quanto nas expectativas para os próximos meses. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual (ISA), que caiu 5,9% em abril, em comparação com a alta de 5,2% em março; e o Índice de Expectativas (IE), que teve queda de 7,5% em abril, ante aumento de 2,6% em março.
Com o resultado, o desempenho do ICC, calculado com base numa escala de pontuação de 0 a 200 pontos (quanto mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor), passou de 120,8 pontos em março para 112,4 pontos em abril, o menor nível em sete meses.
Foram as respostas sobre o futuro que mais influenciaram o resultado negativo do índice. De acordo com o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo, o consumidor parece menos disposto a arriscar compras de bens duráveis. De março para abril, a parcela dos entrevistados que prevêem gastar mais com itens desse tipo nos próximos seis meses caiu pela metade: de 24,4% para 12,7%. No mesmo período, o porcentual de pesquisados que prevêem gastar menos aumentou de 19,8% para 24,1%. Esse desempenho foi o que mais influenciou a queda do índice de expectativas.
Para Campelo, é difícil afirmar se o consumidor percebe mudanças na oferta de crédito, como aumento de impostos por exemplo, a ponto de mudar a decisão de compra. Para ele, a questão está mais voltada para os juros. Ou seja: se o consumidor está sentindo a possibilidade de juros mais elevados no futuro, é possível que pense duas vezes antes de comprar a prazo. ”O que sentimos, pela pesquisa, é que ele pode comprar menos do que pretendia, porque está mais cauteloso”, disse o economista.
Outro fator apontado por Campelo foi a cautela do consumidor quanto aos rumos da economia. Na avaliação do economista, entre os entrevistados, há incerteza se a economia conseguirá não desacelerar, nos próximos meses, tendo em vista as perspectivas negativas nos cenários interno e externo.