Jornal do Commercio Editoria: Opinião Página: A-18
As manifestações das principais entidades empresariais do País diante da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), aumentando, como o fez nesta quarta-feira, a taxa básica de juros em 0,50% ponto percentual, elevando-a, portanto, para 11,75% ao ano e interrompendo um ciclo de três anos sem altas, refletem o pensamento das lideranças do setor produtivo ante uma medida que vinha sendo ultimamente sinalizada, mas cuja dosagem foi, efetivamente, maior que a esperada.<
Jornal do Commercio Editoria: Opinião Página: A-18
As manifestações das principais entidades empresariais do País diante da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), aumentando, como o fez nesta quarta-feira, a taxa básica de juros em 0,50% ponto percentual, elevando-a, portanto, para 11,75% ao ano e interrompendo um ciclo de três anos sem altas, refletem o pensamento das lideranças do setor produtivo ante uma medida que vinha sendo ultimamente sinalizada, mas cuja dosagem foi, efetivamente, maior que a esperada.
A nota do Copom, divulgada após a reunião em que se optou pelo referido percentual, explicitou o entendimento do referido comitê de que “a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros vai contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado”.
Em outras palavras, e na avaliação de analistas autorizados, a intenção do BC foi mostrar aos agentes econômicos que está no controle da situação e, por isso, terá deliberado agir preventivamente para conter as expectativas inflacionárias e não ter que adotar, adiante, medidas ainda mais severas para recuperar o tempo perdido. Na visão, por exemplo, de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, “o BC parece mais convencido de que está agindo de maneira preventiva, tentando estruturar uma aterrissagem suave da economia, ao mesmo tempo em que garante que a deterioração das expectativas de inflação das últimas semanas não se prolongue”.
Não obstante, exprimindo a perplexidade que a decisão do BC não deixou de suscitar em diferentes esferas, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, afirmou que “a alta dos juros não se justifica, porque a trajetória atual da inflação permanece dentro da meta estabelecida, não havendo sinais de alastramento da pressão inflacionária”. Já o Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), considerou que a decisão de elevar a taxa Selic é mais custosa do que benéfica ao País: “de um lado, implica em aumento do custo de carregamento da dívida pública e piora do ambiente de negócios para o investimento privado. De outro, é discutível o efeito direto dos juros mais elevados sobre os preços dos alimentos”. Já para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não há motivo para impedir o crescimento com aumento de juros: “demanda gera investimento, que gera produção, que gera crescimento. Este é o círculo virtuoso que desejamos para o Brasil”.
Na ciranda de avaliações, em grau maior ou menor diferenciadas, projetam-se o velho dilema e o imperativo da conciliação do desenvolvimento com a estabilidade monetária, esta conferindo àquele o necessário teor de sustentação.