Para Lula, crédito e consumo devem continuar a crescer

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Valor Econômico   Editoria: Brasil  Página: A-4


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, um discurso bem mais cauteloso do que os anteriores em relação à crise americana. Uma semana depois de revelar ter dito ao presidente americano “Bush, resolve sua crise”, Lula disse, diante de empresários e sindicalistas, que o “Brasil não ficará imune” caso a crise americana se prolongue por muito tempo. 


As incertezas sobre a dimensão dos estragos levaram o presidente a uma comparação.

Valor Econômico   Editoria: Brasil  Página: A-4


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, um discurso bem mais cauteloso do que os anteriores em relação à crise americana. Uma semana depois de revelar ter dito ao presidente americano “Bush, resolve sua crise”, Lula disse, diante de empresários e sindicalistas, que o “Brasil não ficará imune” caso a crise americana se prolongue por muito tempo. 


As incertezas sobre a dimensão dos estragos levaram o presidente a uma comparação. Para ele, a crise americana assemelha-se a uma comissão parlamentar de inquérito. “Essa crise, diferentemente de outras crises, é uma crise que a gente vai tomando pílulas, todo santo dia, porque ela não aparece na sua totalidade. Todo dia aparece uma notícia, uma denúncia, uma coisa”, afirmou o presidente. 


Para o presidente Lula, mesmo ainda sem estar vislumbrada em sua totalidade, não há como negar que a crise é grave, “pelas proporções das exigências que o governo americano já teve que participar, e por conta da participação dos bancos centrais europeus, tendo que enxertar dinheiro e criando alguns Proer para evitar que instituições que pareciam inatingíveis fosse atingidas”. 


Segundo ele, o cenário atual da economia mundial permite diferenciar a crise americana da crise asiática, lembrando que, hoje, existem os BRICs, aliados a uma capacidade de crescimento de países que há muito tempo não cresciam, somado à consolidação do processo democrático na África. “É verdade que o chamado mundo desenvolvido, via Estados Unidos, tem uma crise, mas é verdade que outros países estão em situações que não estavam em outros momentos de crise no mundo”. 


Por isso, na visão do presidente, o Brasil precisa acompanhar “direitinho para tomar as medidas que tiver que tomar”. E, no caso do Brasil, esse cuidado tem que ser muito maior pois, apesar do Brasil estar em uma situação infinitamente melhor, “nós precisamos saber que ainda estamos consolidando determinado jeito de governar este País e nós pretendemos não facilitar um milímetro sequer”, completou. Para o presidente, “é muito importante o crédito continuar crescendo, é muito importante o consumo continuar crescendo, mas todo mundo sabe que é importante que cresçam os espaços nas fábricas para produzir”, afirmou. 


Lula explicou que o crescimento simultâneo de consumo, crédito e produção é importante, pois “na hora que houver descompasso [entre a demanda e a oferta], todos nós sabemos que o risco é muito grande e já vivemos isso em outras vezes. Vamos descobrir quais os gargalos e incentivar”, disse. 


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que as medidas anunciadas na segunda pelo governo norte-americano para reformar o sistema de supervisão do seu mercado financeiro “são positivas”, mas “não têm eficácia para debelar a crise atual”. Segundo ele, as medidas foram tomadas com atraso “de 10 ou 15 anos” e só deverão servir “para o futuro, para as próximas crises”. 


Mantega criticou o governo americano pela “ausência de qualquer regulação” anterior sobre as operações de derivativos, “que ficaram foram de controle” e geraram os “abusos” que geraram a crise atual. O titular da Fazenda apontou alguns efeitos da crise americana na economia real brasileira. “Os juros no mercado subiram um pouco, subiram os spreads e há volatilidade no mercado de renda variável”, afirmou Mantega. “Mas nada mais”, completou. “Nosso crescimento não foi afetado, é robusto e sustentado, porque não gera desequilíbrios como aumento de inflação ou do déficit público”. 


Ele aproveitou a reunião do Conselhão para criticar a preocupação do Banco Central com o risco de aumento da inflação. Sem citar diretamente a autoridade monetária, ele afirmou que os “ortodoxos” têm medo do crescimento e desmistificou o que os economistas chamam de PIB potencial. “Até recentemente, alguns analistas diziam que a economia brasileira não tinha condições de crescer mais que 3%, depois mais que 3,5%, depois mais que 4%. Fomos desmontando este mito da impossibilidade com um crescimento robusto da economia brasileira”. 




 


 

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