Projeto do Sebrae amplia crédito para microempresa

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O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4 


Micro e pequenos empresários podem ter acesso a até R$ 300 milhões em novos empréstimos até o fim de 2009, se tiver sucesso um projeto do Sebrae que está sendo colocado em prática.


A instituição pretende desenvolver no País as sociedades de garantia de crédito, entidades que podem reduzir os obstáculos que os pequenos negócios enfrentam para tomar recursos nos bancos.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4 


Micro e pequenos empresários podem ter acesso a até R$ 300 milhões em novos empréstimos até o fim de 2009, se tiver sucesso um projeto do Sebrae que está sendo colocado em prática.


A instituição pretende desenvolver no País as sociedades de garantia de crédito, entidades que podem reduzir os obstáculos que os pequenos negócios enfrentam para tomar recursos nos bancos.


A idéia é constituir sociedades entre os próprios empresários e entidades de fomento com a finalidade de oferecer garantias reais exigidas nas operações bancárias. Empresas de pequeno porte têm poucos ativos, como prédios e terrenos.


Sem eles, tomar recursos nos bancos para comprar uma máquina ou reforçar o capital de giro costuma ser difícil e caro, já que ativos desse tipo são normalmente exigidos pelos bancos como garantia real da operação.


Para mudar o quadro, o Sebrae está convidando empresas interessadas em tomar crédito em um sistema diferente. O plano é juntar os empresários e entidades como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o próprio Sebrae nas sociedades de garantia de crédito, entidades bastante desenvolvidas em países como Itália, Alemanha e Espanha.


As garantias serão prestadas após a constituição de um fundo com recursos dos próprios empresários e, principalmente, das entidades. Em caso de inadimplência de alguma empresa participante, o dinheiro será usado para quitar a dívida com o banco e o empresário passa a ser devedor do grupo.


Esse tipo de garantia reduz o risco do banco. Com risco menor, o juro dos empréstimos tende a cair. As sociedades também facilitarão o fornecimento de informações cadastrais das pequenas empresas para as instituições financeiras.


“Os pequenos têm muita dificuldade em tomar crédito mais longo para investimento na produção ou inovação. As operações sempre esbarram na avaliação de risco e na ausência de ativos reais para a realização do empréstimo”, diz o diretor financeiro do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos.


O plano é constituir 10 sociedades de garantia de crédito nos próximos meses. A estimativa é que esses grupos possam reunir entre 3 mil e 5 mil empresários, que devem tomar empréstimos de R$ 300 milhões até o fim de 2009.


Santos ressalta que as projeções levam em conta apenas o aporte de R$ 30 milhões que o próprio Sebrae fará nos fundos de garantia. O valor pode crescer com a participação de entidades como o BNDES e o BID.


No Rio Grande do Sul, um programa-piloto funciona há dois anos. Com 328 empresas, a Associação de Garantia de Crédito da Serra Gaúcha já intermediou empréstimos que somam R$ 8,1 milhões. O diretor-executivo da entidade, Fernando Vial, avalia que o teste tem sido um sucesso.


Além de alcançar micro e pequenos empresários de vários setores, ele diz que o juro praticado pelos bancos é menor porque há a garantia. No capital de giro, associados têm conseguido empréstimos com juro de 1,5% ao mês. Vial diz que, na média, os bancos da região cobram taxa mínima de 2,5% nessas operações.

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