Mercado aposta em Selic a 12% após relatório do BC

Compartilhe:

Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-8


O mercado financeiro mudou de opinião e passou a acreditar que o juro básico da economia vai subir 0,75 ponto percentual até o final do ano. A previsão consta da pesquisa Focus divulgada ontem, a primeira após a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação do BC. Para analistas, a Selic deve terminar o ano em 12%. Até a semana passada, prevalecia a expectativa de que a taxa permaneceria estável em 11,25% ao longo de 2008.


O Relatório de Inflação apresentado na última quinta-feira mudou o tom do mercado.

Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-8


O mercado financeiro mudou de opinião e passou a acreditar que o juro básico da economia vai subir 0,75 ponto percentual até o final do ano. A previsão consta da pesquisa Focus divulgada ontem, a primeira após a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação do BC. Para analistas, a Selic deve terminar o ano em 12%. Até a semana passada, prevalecia a expectativa de que a taxa permaneceria estável em 11,25% ao longo de 2008.


O Relatório de Inflação apresentado na última quinta-feira mudou o tom do mercado. O discurso conservador do documento e a preocupação do diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, com um eventual descompasso entre a demanda interna e a oferta consolidaram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai aumentar o juro. Agora, resta saber quando.


Na pesquisa Focus, a maior parte das apostas é de três altas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, começando na reunião do Copom de junho. A estimativa das instituições classificadas como Top 5 pelo BC – as que mais acertam na Focus – é ainda mais agressiva e indica que a taxa básica de juros chegue a 13% no final do ano. A anterior era de 12,25%. As Top 5, no entanto, vêem a primeira alta da Selic já na reunião deste mês, para 11,5%.


Prevenção


“O BC deixou claro que deve agir de forma preventiva para manter a inflação dentro da meta”, diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Para ele, o juro sobe 1 ponto até dezembro e a primeira elevação acontece ainda este mês, na reunião dos dias 15 e 16.


Marcelo Paixão, gestor da Princípia Capital Management, acredita que uma eventual alta do juro pode acontecer de forma mais agressiva. “Aumenta a chance de uma alta entre 1 e 1,5 ponto. Se o juro subir, acho que será em poucas doses, porém maiores. Isso é mais eficiente para levar a inflação mais perto da meta”, diz, ao citar que as altas poderiam ser, por exemplo, de 0,5 ponto.


Tanta preocupação com a inflação acontece porque a demanda interna tem apresentado fortes taxas de expansão. Esse ritmo não tem sido acompanhado pelo aumento da capacidade das fábricas, segundo a leitura do Banco Central.


Marcelo Paixão observa que esse cenário não tem muitas perspectivas de melhorar no curto prazo. “O consumo interno tem evoluído fortemente com ajuda do crédito e da renda, ambos em crescimento. Isso tem aumentado o consumo e reforça a pressão inflacionária. Do outro lado, o governo não dá sinais de que pode fazer o trabalho dentro de casa ao cortar gastos”, diz.


Esse quadro tem feito o mercado revisar as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado no regime de metas de inflação. Na pesquisa, a projeção para 2008 subiu de 4,44% para 4,47%, próximo do centro da meta de 4,5%. Entre as Top 5, a previsão para este ano já é maior que o centro da meta: 4,7%.




 


 

Leia mais

Rolar para cima