Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O nível de formalização da mão-de-obra metropolitana do País chegou a um patamar recorde em fevereiro, segundo divulgou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento da formalidade foi a melhor notícia do mês em que a taxa de desemprego subiu para 8,7% (ante 8% em janeiro), refletindo a queda no número de ocupados e o aumento da procura por trabalho.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O nível de formalização da mão-de-obra metropolitana do País chegou a um patamar recorde em fevereiro, segundo divulgou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento da formalidade foi a melhor notícia do mês em que a taxa de desemprego subiu para 8,7% (ante 8% em janeiro), refletindo a queda no número de ocupados e o aumento da procura por trabalho. Em fevereiro do ano passado, a taxa havia sido de 9,9%.
“Não houve, de forma alguma, piora no quadro do mercado de trabalho. O que está ocorrendo agora é um movimento sazonal”, disse o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo. Para ele, haverá novo aumento da taxa em março, e pelos resultados apresentados até o momento, o mercado de trabalho este ano poderá apresentar um comportamento tão favorável como o do ano passado. Azeredo lembrou que essa foi a taxa mais baixa da série (iniciada em março de 2002) para um mês de fevereiro. “A desocupação está em patamar mais baixo”, sublinhou.
A analista Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, também destacou a queda da taxa de desemprego em relação ao patamar de fevereiro do ano passado. “O bom ritmo de atividade econômica no início deste ano tem propiciado essa robusta melhora dos indicadores de mercado de trabalho. O recuo da taxa de desemprego em relação a fevereiro de 2007 resultou do aumento de 3,6% do número de ocupados e queda de quase 10% da desocupação (número de pessoas procurando trabalho)”, frisou ela, acrescentando que “a alta da taxa de desemprego em relação a janeiro é sazonal”.
Crescimento
Segundo Azeredo, “só um crescimento estrondoso, extraordinário da economia, evitaria um aumento da taxa em fevereiro”. Ele explica que em dezembro a taxa cai porque há geração de muitos postos de trabalho temporários no final do ano e, além disso, muita gente deixa de procurar emprego. Em janeiro, há dispensa dos temporários e um retorno lento à procura, o que infla a taxa. Em fevereiro, há novas dispensas, ainda de temporários, e a procura já é ainda maior, e por isso a taxa – puxada para cima pela queda na ocupação e/ou pelo aumento na desocupação – é pressionada novamente.
Por outro lado, a formalidade alcançou o patamar mais elevado. O percentual de trabalhadores formais no total de ocupados, somando empregados com carteira assinada e funcionários públicos, chegou a 54,6%. O percentual é o maior de toda a série e também o maior entre os meses de fevereiro de 2007 (52,9%); 2006 (52,2%); 2005 (50,7%); 2004 (50,0%); 2003 (51,6%) e 2002 (52%). Segundo Azeredo, a formalização recorde reflete a melhoria no cenário econômico e a mudança da estrutura no mercado de trabalho.
A pesquisa do IBGE revelou também que o rendimento médio real de R$ 1.189,90 dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País em fevereiro de 2008 é o maior para um mês de fevereiro na série histórica iniciada em março de 2002, mas ainda não atingiu o nível de renda registrado em março daquele ano, quando era de R$ 1.212,30. Segundo Azeredo, o aumento da renda apurado em fevereiro de 2008 (1,1% ante janeiro e 2,5% ante fevereiro de 2007) responde à inflação controlada, ao aumento do poder de compra dos trabalhadores e à maior formalização do mercado de trabalho.