Crise não reduz “apetite” de estrangeiro por títulos do país

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Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: B-3


A crise financeira internacional não reduziu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. Tanto que, no mês passado, a dívida pública cresceu 2,6%.


O estoque da dívida total somou R$ 1,3 trilhão.

Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: B-3


A crise financeira internacional não reduziu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. Tanto que, no mês passado, a dívida pública cresceu 2,6%.


O estoque da dívida total somou R$ 1,3 trilhão. A explicação do Tesouro Nacional para esse aumento foi o volume maior de emissões no mês, contra o valor baixo dos vencimentos dos títulos no período.


Os juros pagos pela dívida também contribuíram para esse resultado.


O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Guilherme Pedras, afirmou que o pacote cambial anunciado pelo governo no último dia 13 não deverá desestimular a procura dos estrangeiros por títulos da dívida interna brasileira.


Para ele, a maioria desses investidores costuma aplicar a longo prazo e, por isso, o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para 1,5% seria diluído nos vários anos de rendimento.


Quando o pacote foi anunciado, o objetivo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, era tentar reduzir a procura dos estrangeiros pelos investimentos em renda fixa no Brasil, principalmente de curto prazo.


“Do ponto de vista de desestimular a demanda no longo prazo, felizmente [o pacote cambial] não surte efeito”, disse Pedras.


Ele, porém, não apresentou estatísticas que comprovem a preferência dos estrangeiros por títulos de longo prazo nem a garantia de que os investidores não vendem os títulos antes do seu vencimento.


Em janeiro, do total da dívida interna, 4,96% estavam nas mãos de estrangeiros. Há um ano, esse percentual era de cerca de 2%.


Taxa elevada


Maurício Oreng, economista-sênior da Itaú Corretora, concorda com que o aumento do IOF não é suficiente para reduzir a atratividade dos títulos da dívida brasileira.


Oreng lembra que a taxa de juros paga no país ainda é uma das mais altas do mundo. Mas essa lógica vale tanto para as aplicações de longo prazo como para as de curto prazo.


O economista do grupo Itaú avalia que as estatísticas do Tesouro Nacional sobre a dívida pública mostram que o Brasil não sofreu os efeitos da crise internacional.


O estoque da dívida interna cresceu 3,1% no mês passado, somando R$ 1,2 trilhão. E a externa caiu 3,9%, para R$ 103,2 bilhões. Do total da dívida, a maior parte é prefixada (32,9%).


Estão indexados à Selic 31,8% dos títulos, e outros 25% são atrelados à inflação.

A redução da dívida externa foi motivada principalmente pelo pagamento de R$ 1 bilhão em juros, o que amortizou o estoque.


No mês passado, foram recomprados R$ 629 milhões em títulos que venceriam em 2040. Com isso, o governo economizou R$ 1,6 bilhão em juros que pagaria nesse período.


Desde o início do programa de recompra da dívida interna, no ano passado, a economia com juros que seriam pagos já é de R$ 18,3 bilhões.


 




 


 

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