Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê desaceleração no crescimento da economia brasileira para este ano. Depois de avançar 5,4% no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer entre 4,2% e 5,2%, segundo projeção do instituto. O “ponto médio” da projeção é 4,7% e leva em conta uma desaceleração da economia americana e global, além de impacto negativo maior do setor externo para o avanço do Brasil.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê desaceleração no crescimento da economia brasileira para este ano. Depois de avançar 5,4% no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer entre 4,2% e 5,2%, segundo projeção do instituto. O “ponto médio” da projeção é 4,7% e leva em conta uma desaceleração da economia americana e global, além de impacto negativo maior do setor externo para o avanço do Brasil.
O coordenador do Grupo de Análise e Previsões (GAP) do Ipea, Marcelo Nonnemberg, explica que as projeções do instituto estão sendo divulgadas levando em conta um intervalo de variação e não uma taxa específica, como era feito até o ano passado. O GAP foi reorganizado no último trimestre de 2007, com a chegada do novo diretor de macroeconomia, João Sicsú, em substituição a Paulo Levy. O então coordenador Fabio Giambiagi foi afastado. Além de Nonnemberg, o economista Miguel Bruno também ocupa a coordenação.
O cenário base do Ipea leva em conta que a economia americana vai desacelerar e crescer apenas 0,5% este ano, gerando desaquecimento da economia mundial, que avançaria 3,5%. Além disso, a contribuição da demanda interna para o “ponto médio” de 4,7% será de 7,3 pontos percentuais enquanto o setor externo geraria contribuição negativa de 2,6 pontos percentuais. Na Carta, o Ipea explica que o desempenho da economia brasileira dependerá da evolução da crise americana e um “possível excesso de demanda sobre a oferta”. Uma recessão americana afetaria o Brasil com a queda da atividade mundial, redução da demanda pelas exportações do País, e aversão global ao risco, o que inverteria o fluxo de capitais e geraria uma desvalorização.
A Carta também alerta para os efeitos do forte ritmo da demanda interna. “Os níveis de utilização de capacidade atingiram valores acima de seu pico histórico, o que pode ser reflexo da incapacidade da oferta em atender aos níveis atuais de demanda, pressionando, dessa forma, os preços”, registra o documento. O Ipea estima que o IPCA ficará entre 4% e 5% este ano, sendo que o “ponto médio” é justamente o centro da meta de inflação, de 4,5%. Apesar dos bons resultados do IPCA-15 divulgado ontem, Nonnenberg afirma que algumas pressões de preços de alimentos ao produtor não chegaram ao consumidor final.
Selic
Já o outro coordenador do GAP, Miguel Bruno, afirma que seria “algo precipitada” eventual elevação da taxa Selic pelo Banco Central (BC), na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele explica que o Fed (banco central americano) está cortando juros e, com o diferencial maior comparado aos juros no Brasil, entrariam mais recursos no País e o câmbio valorizaria ainda mais. Além disso, juros mais altos, prossegue Bruno, desestimulariam o empresário a investir. Lembra, ainda, que o uso da capacidade avançou mas houve também ganhos de produtividade.
Diferente dos boletins conjunturais que vinham sendo divulgados pelo instituto até setembro, não há alertas sobre a velocidade do crescimento dos gastos públicos e nem sobre a dificuldade de o País avançar sustentadamente acima de 5%, caso não fosse revertido o ritmo de crescimento destes gastos e reformas fossem.
O Ipea informou que não trabalha com previsões de longo prazo. Na parte fiscal da atual Carta, o GAP informa que “a política fiscal no governo Lula tem sido pautada pelo comprometimento com as metas propostas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)”. Registra, também, que “sem subestimar a importância do superávit primário, ressalta-se aqui o relevante papel desempenhado pelo crescimento econômico para se alcançar o equilíbrio das contas públicas com menor custo de ajustamento para a sociedade”.