Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
O volume de vendas do comércio cresceu 11,8% em janeiro em relação a igual mês do ano passado. O melhor resultado para os meses de janeiro desde o início da série histórica em 2001 surpreendeu analistas, que previam taxas menores de expansão. Na comparação com dezembro, o varejo avançou 1,8% (sem ajuste sazonal), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na última sexta-feira.
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
O volume de vendas do comércio cresceu 11,8% em janeiro em relação a igual mês do ano passado. O melhor resultado para os meses de janeiro desde o início da série histórica em 2001 surpreendeu analistas, que previam taxas menores de expansão. Na comparação com dezembro, o varejo avançou 1,8% (sem ajuste sazonal), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na última sexta-feira.
A Gouvêa de Souza & MD projetava crescimento de 10,8% na comparação anual e de 1,6% em relação ao mês anterior. Para 2008, a consultoria prevê que a expansão possa até superar 9%, ante 7,2% estimados anteriormente, e se aproximar do desempenho recorde do ano passado (9,6%). Segundo o economista-chefe, Cesar Fukushima, o número foi revisto antes da divulgação do IBGE. “Já havíamos registrado um aumento no fluxo de pessoas no varejo. E conversando com os lojistas, observamos que todos os setores estão crescendo”, diz.
Surpresa
Em fevereiro, uma das surpresas, na avaliação de Fukushima, foi o crescimento de 29,6% nas vendas de “outros artigos de uso pessoal e doméstico” em relação ao mesmo período do ano passado. Os destaques no segmento são joalherias, brinquedos e artigos esportivos, “todos os produtos supérfluos”. “É um indício de que a massa salarial está crescendo e deve continuar em expansão neste ano”, afirma o economista.
No primeiro mês do ano, nove das dez atividades pesquisadas apresentaram resultados positivos para o volume de vendas, na série com ajuste sazonal em relação a dezembro. As maiores altas foram de móveis e eletrodomésticos (9,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,7%); tecidos, vestuário e calçados (3,7%) e veículos e motos, partes e peças (2,6%). O único resultado negativo ficou com material para escritório, informática e comunicação, com queda de 4,1%.
Conjuntura favorece
Na comparação com janeiro de 2007, todas as atividades do varejo obtiveram aumento. O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ampliou o volume de vendas em 8,4%, contribuindo com 35% da taxa global. “Mais uma vez a conjuntura econômica favoreceu o comércio através do aumento da massa salarial, do emprego, da renda, do crédito e do dólar baixo”, disse Reinaldo Pereira, técnico do IBGE para pesquisa de comércio.
A receita do comércio subiu 2,3% em relação a dezembro. Na comparação com 2007, a taxa de crescimento foi de 16,5%.
Vendas das lojas pequenas também crescem
As vendas no pequeno varejo aumentaram 3,2% em janeiro, em relação ao mesmo período do ano passado, é o que informa a Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). A pesquisa é desenvolvida uma vez por mês pela entidade num universo de cerca de 600 empresas comerciais no Estado de São Paulo.
O desempenho alcançado no primeiro mês do ano foi mantido pelo crescimento da renda, que conseqüentemente mostra que a confiança do consumidor melhorou, e também pela flexibilidade no financiamento.
O melhor resultado
As lojas de materiais de construção apresentaram o melhor resultado na pesquisa, com alta de 29,9%, comparado com janeiro do ano passado. O estudo da Fecomercio informa que a tendência é que nos próximos meses os bons resultados continuem, devido ao crescimento na área de construção civil.
As lojas de móveis e decorações também iniciaram o ano em alta – o crescimento foi de 4,6%. Os lojistas deste segmento atribuem o resultado ao grande volume de crédito e à ampliação do mercado imobiliário.
Por sua vez, as lojas de vestuário, tecidos e calçados apresentaram alta de 3,5%, porém os proprietários acreditam que o crescimento neste ano seja modesto por causa do efeito-base.
O segmento de farmácias e perfumarias foi afetado pela concorrência do grande varejo, por isso registrou baixa de 4,4% em janeiro, e não há perspectivas de melhora, segundo a opinião dos empresários.
As lojas de eletroeletrônicos registraram queda no faturamento de 4,6%, em relação ao mesmo período do ano passado. Um dos fatores para essa diminuição foi a concorrência dos produtos piratas.
Na visão da PCPV, o setor de alimentos e bebidas é o mais significativo devido à participação do orçamento da família. A redução foi de 6,2%, quadro inalterado em relação a 2007.
E por último, as lojas de autopeças e acessórios tiveram queda de 21,4%. Isso se deve ao aumento nas vendas de veículos novos e à entrada de peças da China.