O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,49% em fevereiro. Em janeiro, foi de 0,54% e em fevereiro de 2007, de 0,44%. O reajuste nas mensalidades escolares impediu o recuo mais forte do índice, que em 12 meses acumula 4,61%, maior variação desde abril de 2006.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,49% em fevereiro. Em janeiro, foi de 0,54% e em fevereiro de 2007, de 0,44%. O reajuste nas mensalidades escolares impediu o recuo mais forte do índice, que em 12 meses acumula 4,61%, maior variação desde abril de 2006. A meta perseguida pelo Banco Central é 4,5%.
A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, destacou que 75% da inflação de fevereiro ficou concentrada nos preços da educação (3,47%) e dos alimentos (0,60%), responsáveis, juntos, por 0,37 ponto porcentual da taxa do mês.
O IBGE capta quase integralmente o reajuste das mensalidades escolares no índice de fevereiro. No caso dos alimentos, houve desaceleração no ritmo, de 1,52% em janeiro para 0,60% em fevereiro, mas, para Eulina, a variação continua elevada. A trajetória dos alimentos “requer atenção” em 2008, disse.
Com a contínua pressão dos alimentos, a inflação em 12 meses prossegue ascendente desde o início de 2007, atingindo, em fevereiro deste ano, a maior variação em quase dois anos.
Eulina chamou atenção para a nova elevação no resultado em 12 meses, mas disse que esse dado “ainda traz a alta do ano passado e é cedo para conclusões”. “A conjuntura deste ano é diferente da de 2007, quando havia inflação crescente dos alimentos, enquanto neste ano há uma desaceleração.”
A inflação em 12 meses também preocupa o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud. O indicador em nível elevado, diz Daoud, mostra que, independentemente da sazonalidade dos aumentos em educação e alimentos, a inflação está em alta. “No próximo mês, começam os aumentos dos preços administrados. E isso deixa o cenário mais difícil para o Banco Central reduzir juros”, alerta o diretor.
Marcela Prada, da Tendências Consultoria, destacou a continuidade da pressão dos alimentos, mas acredita que prosseguirá a tendência de desaceleração nos reajustes. Apesar disso, ela mantém a projeção de inflação de 4,6% em 2008, pouco acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de tolerância (dois pontos porcentuais para cima ou para baixo de 4,5%).
Deflações
Em fevereiro, a inflação recuou ante janeiro porque, a despeito das altas nos preços dos alimentos e mensalidades escolares, houve deflação em produtos importantes nas despesas das famílias, como álcool (2,31%), gasolina (1,42%) e vestuário (0,54%).