Em janeiro, foram criadas mais vagas com carteira assinada fora das regiões metropolitanas dos nove estados mais populosos do território brasileiro. O interior gerou 54.532 dos 101.503 novos postos de trabalho abertos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Ceará, Pernambuco e Bahia. O destaque no mês foi a indústria da transformação com saldo positivo de 30.635.
Em janeiro, foram criadas mais vagas com carteira assinada fora das regiões metropolitanas dos nove estados mais populosos do território brasileiro. O interior gerou 54.532 dos 101.503 novos postos de trabalho abertos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Ceará, Pernambuco e Bahia. O destaque no mês foi a indústria da transformação com saldo positivo de 30.635.
Os 5.285 municípios do interior – sem as regiões metropolitanas das capitais – representam 44% do PIB nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2005. O percentual corresponde a cerca de R$ 945,917 bilhões, em valores correntes. Fora dos grandes centros, estão 96% da agricultura brasileira, 50% da indústria e 39,7% dos serviços, segundo a técnica do instituto, Raquel Callegario Gomes.
E a expansão de empregos formais comprova que as cidades do interior também estão acompanhando o crescimento econômico do Brasil.
No ano passado, das 1.314.201 postos criados nesses nove estados, 44%, ou 577.608, foram geradas no interior. O número representa avanço de mais de 30% em relação a 2006, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
“O saldo é positivo para o interior. O crescimento da economia é uniforme e o País ganha com isso”, afirma o secretário de Políticas Públicas do Ministério do Trabalho, Ezequiel Nascimento. Na sua visão, é o primeiro passo para reduzir os fluxos migratórios para os grandes centros.
O movimento do últimos anos é diferente daquele observado nas décadas de 60 e 70, quando a economia se concentrava apenas nas regiões metropolitanas. “Atualmente, as empresas estão mudando para o interior para fugir dos problemas das grandes cidades”, lembra o secretário.
O crescimento das cidades do interior se converteu em um processo permanente e irreversível. “Os grandes centros não têm mais como absorver uma dose maior de atividades industriais e agrícolas e a tendência é eles se transformarem gradativamente em pólos de serviços”, afirma o economista Joaquim Guilhoto, chefe do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP).
Puxados por um conjunto de fatores que reúne incentivos de uma guerra fiscal não declarada, custos menores e condições melhores de produção e logística, a atividade econômica se expande de forma acentuada nos municípios fora das grandes regiões metropolitanas.
Mais vagas longe da capital
Pará, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, aliás, fecharam 2007 com mais vagas criadas no interior.
No estado de Minas Gerais, por exemplo, foram 87.937 postos, contra 80.461 na região metropolitana de Belo Horizonte. Boa parte do avanço para o interior está relacionada ao crescimento dos setores de mineração e automotivo, comenta o economista chefe da MB Associados, Sergio Vale.
No Sul do País, há uma recuperação após as dificuldades das economias da região com a seca e a valorização cambial em 2005. “Até 2006, Paraná e Rio Grande do Sul foram estados que sofreram com a crise da agricultura. Agora recuperaram, além da agricultura, a indústria, ao se voltar para o mercado interno”, diz Vale.
No caso do Paraná, o interior representou 61,1% (74.779) do total de empregos formais gerados. Com exceção de serviços, os demais setores atraíram mais trabalhadores do que a região metropolitana de Curitiba. Só a indústria de transformação contabilizou 31.764 postos.
Fronteira agrícola
A fronteira agrícola é o primeiro sinal visível da expansão. “Temos o deslocamento da soja e do algodão para o Centro-Oeste. A cana também está avançando porque é onde há terra e oportunidade de produzir”, comenta Guilhoto, da USP.
Este movimento que começa com os incentivos fiscais, segue para a expansão da atividade agrícola, atrai na sequência a indústria de processamento de proteína animal.
“Em vez de pegar o farelo de soja e o milho, você desloca a criação de animais para perto, processa e vende a carne com valor agregado maior. O que acontece é que o custo de transporta passa a ter uma participação menor no preço final do produto e a empresa ganha em competitividade”, diz Guilhoto.
Neste ciclo se encaixam as construtoras, os serviços de engenharia, mão-de-obra e uma nova estrutura de serviços precisa ser montada para a esta demanda. No caso da cana-de-açúcar existe uma aceleração maior porque as usinas devem ser construídas próximas às áreas de cultivo.
Este processo ocorre com a chegada de mineradoras no Pará e em algumas regiões da Amazônia, da indústria têxtil no Ceará, interior da Bahia onde se destaca o pólo econômico na cidade de Luiz Eduardo Magalhães e com as indústrias de celulose e papel no sul baiano e nas áreas centrais do Paraná, entre outras.
Segundo Guilhoto, nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste, o aquecimento do mercado de pequenas cidades também está presente. A distribuição dos benefícios do Bolsa Família entra como um ingrediente importante.
“Você está dando renda para quem não tinha nada. Essas pessoas vão entrar no mercado para consumir alimentos, vestuário e educação. Você tem um aumento da atividade econômica com certeza”, afirma Guilhoto.
As alterações provocadas pelo ingresso rápido de dinheiro da economia trazido pela safra de soja levou a criação de contramedidas nas capitais. A economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Fernanda Della Rosa, acompanhou as iniciativas de Cuiabá, Mato Grosso, que criou programas de incentivos para evitar que empresas e mão-de-obra abandonem a capital pela elevação de padrão de renda.